Em Almada no Salão das Carochas.Concerto e apresentação do CD do Francisco Naia

Por Jornal Rostos
Em 1969, Francisco Naia foi uma das vozes que afrontou o regime através da presença no histórico programa televisivo "Zip-Zip". Cantando, chegou a um país que, em tempo de esperanças "primaveris", lutava por se conhecer melhor - e conhecer melhor o mundo à sua volta. Ao lado de Naia, vários foram os músicos que chegaram a este palco, dando corpo ao então denominado movimento dos "baladeiros" e levando aos quatro ventos a canção que era de protesto e de revolta contra um regime que continuava a enviar os seus filhos para uma guerra perdida em África.
Passam agora mais de cinco décadas desde a publicação de “Barco Novo”, o disco de estreia de Francisco Naia, mas, no seu espírito, ele continua como se tivesse os mesmos 28 anos que contava quando o gravou. Só isso já explica que em 2018 tenha querido recuperar as memórias sonoras dos seus primeiros passos “sérios” na Música, dados entre 1969 e 1974, quando a sua veia de cantautor despontou para o Portugal de então. Há muito fora do mercado, esgotados os vinis originais, estas 16 composições mostram uma escrita já segura e bem ancorada nas palavras que não tinham pudor em denunciar aquilo que “não faz sentido”, mesmo que isso implicasse ver barrada a sua divulgação – porque, ontem como hoje, Francisco Naia nunca desejou viver numa “negra paz”.
De facto, estamos perante sons vindos dos “cantos da memória” e que espero que sejam apenas um primeiro volume da reedição da obra completa do músico a que também chamo “amigo meu amigo” – nunca deixes de teimar em voar!
João Carlos Callixto













