BARREIRO - TISFAL – Teatro Infantil da SFAL«Preto no branco» um hino aos sentidos e ao amor: a nossa história!

Por Jornal Rostos
A peça que conta com a paixão de um elenco juvenil, que vive com intensidade os seus personagens. Pelo que foi dito, duas das jovens actrizes, pela primeira vez pisaram o palco. É, este, afinal um papel importante do TISFAL despertar para a descoberta do teatro e nele encontrar a vida. Criar futuro.
Como foi referido na abertura da peça, esta peça pode ser uma mensagem, pode ser a minha história, a nossa história a vossa história.
O pano abre lentamente, ao som do Bolero de Ravel, no palco, com um cenário dominado por mãos, um leve e suave movimento de mãos, uma dança que nos envolve no olhar e nos sons, uma dança que motiva o espectador a mergulhar por dentro de si mesmo, na sua interioridade, deliciando-se nos sons do Bolero.
Um movimento em crescendo, são mãos que beijam e gritam em silêncio, parece que, lá longe, se escuta a voz do poeta Manuel Alegre – “com mãos se faz a guerra, se faz a paz…”. Mãos que dão forma aos sons, mãos que escrevem uma pauta musical, no espaço cénico. Um momento de grande beleza. Aqui, o teatro é estética e ética.
Sente-se que esta peça é um trabalho que procura motivar e sensibilizar os actores e actrizes a descobrirem os sentidos – o som, a luz, o olhar, o silêncio, a voz, o corpo, o espaço e o tempo.
É lindo ver aquela juventude a viver com intensidade aquela situação, laboratorial, de teatro experimental, movimentando-se ao som da poesia, sentindo as palavras com coração, com o corpo e a mente.
Sentir os sons, naquele burburinho em que os nomes dos actores e actrizes ecoam no palco. Todos os nomes, Todos os adjectivos. Sentimos o eco de um grito que se não se escuta, de um silêncio que toca os nervos. Afinal, é assim a vida na cidade, pessoas que se cruzam e não se escutam, que ignoram seus nomes, que circulam sem olhar e ver quem está ao seu lado, tempos de relações, de palavras sem sentido, e, de repenre percebemos que, talvez se falássemos baixinho, olhos nos olhos, a vida poderia ser um poema.
Talvez, por essa razão, a peça propõe um tempo para escutar poemas, um momento de zen, reiki, ou, simplesmente de meditação. Escutar a trova de Adriano Correia de Oliveira, que nos diz: venho do ventre da minha mãe, venho do fundo do tempo. Ou, que, a ternura do poema do Gedeão, a cantar: eles não sabem nem sonham que o sonho comanda da vida.
Ainda, Florbela Espanca, a recordar que ser poeta é ser mais alto. Os olhos cantam cruzam-se no palco em sorrisos de cumplicidade, são olhares que transportam sonhos.
Sente-se aquela energia juvenil abraçar com o coração a música e a poesia.
Sente-se que vão guardar dentro deles, naquele canto das coisas belas da vida, estes dias que viveram no palco da SFAL, e, certamente, não vão esquecer a ternura da poesia, das palavras, dos sons e da amizade que é o mais belo do fazer teatro e associativismo.
No centro do palco, uma porta por onde todos vão sair e entrar, uma porta que se abre e fecha com perguntas. Partem com perguntas, regressam com novas perguntas.
Colocar perguntas é de facto isso é abrir portas na procura de respostas, Uma pergunta é sempre o ponto de partida para encontrar as respostas. Pensar nos erros e procurar soluções.
Porquê violência doméstica? Porquê pessoas sem casa? Porquê a guerra? Porque o ódio ? Porquê a culpa é sempre nossa?
Perguntas que abrem portas, perguntas na procura de afectos. Perguntas que motivam a sentir e pensar .
A beleza do teatro existe quando diverte e abre portas a perguntas, contribuindo, com a sua arte, para todos, em conjunto, sermos capazes de amar o mundo. Olhar olhos nos olhos.
Perguntas colocadas por eles e elas. Perguntas que foram tema de conversas nos ensaios. Perguntas que que dão voz ao sentir do pensamento juvenil. O que surge no palco é uma escolha, porque, outras ficaram. Afinal, as perguntas são infinitas.
Depois, viveu-se aquela interação com o público, no jogo do Rei manda, foi divertida. Todos somos subitamente actores. Percebemos que a vida é um teatro de emoções, um jogo lúdico. Saibamos divertir-nos. O rei manda. Tempo de gargalhadas. Tempo de abraçar quem está ao lado. Bater com os pés, Assobiar. Aplaudir. Erguer os braços. Risos.
Todos vestidos de negro e luvas brancas, porque esta peça também pretende demonstrar que todos somos iguais, seres humanos iguais na diferença, por essa razão, para que isso seja percebido é necessário colocar os pontos nos is – “é isso preto no branco”.
O preto no branco que denuncia com energia o bulling, e grita o seu «Não!», a comportamentos indignos e desumanos que proliferam depois, com sorrisos, pelas redes sociais, destruindo a dignidade.
Foi lindo, o encontro com a família, que subiu ao palco, para entrar num jogo de espelhos, ao som de uma música de Paulo Cavaco, gerando uma situação no espaço cénico de ritmo, um verdadeiro bailado, em que pais e filhos, amigos ou irmãos, partilharam o instante de olhar o outro no espelho, uma cena intensa e divertida, que culmina num abraço de fraternidade. O amor. A amizade. O espelho imaginário.
De novo o Bolero de Ravel, as mãos e os olhos, o som e a luz, o silêncio…que coloca “o preto no branco”.
Uma peça simples. Um espectáculo de amor. Um hino aos sentidos. Um cenário que fica na memória.
Uma história que é, a minha história, a vossa história, a nossa história.
Obrigado. Foram excelentes.
António Sousa Pereira
“PRETO NO BRANCO”
Ficha Técnica e Artística
Encenação - Lurdes Sales Pereira
Interpretação
.Beatriz Amaral
. Carolina Inácio
.Guilherme Guerreiro
.Inês Batista
.Joana Loureiro
. Madalena Silva
.Mafalda Inácio
.Santiago Guerreiro
Cenografia - Hugo Guerreiro
Luz e Som - Paulo Silva
Produção -TISFAL / SFAL
Seleção Musical - Lurdes Sales Pereira
Gravações/Músicas - Luís Camacho
Cartaz -Hugo Guerreiro
Figurinos e Adereços - Lurdes Pereira, Hugo Guerreiro e Familiares dos Atores
Agradecimentos
Músico Paulo Cavaco
Direção da SFAL
Famílias dos Atores
Jornal Rostos
Faty Lopes
Câmara Municipal do Barreiro
U F Barreiro Lavradio
VER FOTOS
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