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Moldura

World Press Photo em PortimãoFotografar o presente, pensar o mundo

A partir de dia 10 de agosto Portimão vai ser o ponto de encontro dos grandes olhares do fotojornalismo e fotografia documental mundial. Com a curadoria da Associação Cultural Música XXI e produção da Câmara Municipal de Portimão a 69ª edição da mais famosa mostra de fotojornalismo irá marcar presença na Antiga Lota da cidade e ficará patente ao público até dia 30 de agosto, diariamente
entre as 18h00 e as 24h00.

3 min de leitura
World Press Photo em Portimão Fotografar o presente, pensar o mundo

Por Jornal Rostos

Portimão será mais uma vez a primeira cidade portuguesa a mostrar as imagens do mundo que não deixam ninguém indiferente, realizadas por 42 autores. Estas imagens foram selecionadas dentre mais de 57 mil fotografias apresentadas a concurso por 3747
fotógrafos. A propósito do processo de seleção, Marie Monteleone, presidente do júri da América do Norte e Central afirmou: “Vasculhamos milhares de imagens e focamos no que melhor representava as histórias que importavam. Sem fotojornalismo,
perdemos esses registos históricos. Perdemos o poder de responsabilizar as pessoas, de ver o que está a acontecer ao nosso redor e como o mundo existe. Sem fotojornalismo, estamos isolados da verdade e dos factos.”

É um privilégio podermos contar anualmente com estes olhares de pessoas que estão dispostas a arriscar a vida por uma imagem. Porque sabemos, como muito bem diz a presidente global do júri Kira Pollack, “O fotojornalismo nunca foi um trabalho fácil.
Nunca foi lucrativo, seguro, ou garantiu um público. E mesmo assim, os fotógrafos vão para os fóruns e zonas de conflito, para os cantos silenciosos do mundo onde a história está a ser feita sem testemunhas. Eles vão porque acreditam que ver importa.”
Este ano a imagem escolhida como marca do mundo em que vivemos é da fotógrafa americana Carol Guzy, uma fotojornalista conhecida pelas coberturas em crises humanitárias e conflitos. Originária de Bethlehem, Pensilvânia, sempre se focou em
projetos documentais de longa duração e reportagens jornalísticas, tanto nos Estados Unidos quanto internacionalmente.
Guzy foi a primeira jornalista a receber quatro Prémios Pulitzer, tendo mostrado ao mundo imagens do conflito no Kosovo, do terremoto do Haiti em 2010, da intervenção militar dos Estados Unidos no Haiti e da tragédia Armero na Colômbia. Nomeada
Fotógrafa do Ano pela National Press Photographers Association três vezes e nove vezes pela White House News Photographers Association.

Mas Gael Almeida, presidente do júri da América do Sul acrescenta que a importância da imagem “Não é só a violência, mas também a capacidade de resistir e de resiliência.
Uma outra maneira de contar histórias.” Como a foto de Victor J. Blue, que mostra a vitória de uma luta de mais de 30 anos, na qual mulheres foram abusadas por membros da sua comunidade.
Esta exposição, de entrada livre, convida o público a interrogar-se e a inspirar-se, tal como Sílvia Omedes, presidente do júri da Europa nos revela: “o ingrediente essencial no fotojornalismo, não é a capacidade de nos emocionar ou contar uma história. É a
capacidade que tem de nos provocar e nos obrigar a interrogar.”

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