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Moldura

Na SFAL - BarreiroTESFAL leva a cena “George Dandin” com sala cheia

O Grupo de teatro TESFAL – Teatro de Ensaio da SFAL levou a cena o seu novo espectáculo “George Dandin”, de Moliére.

Os parabéns ao TESFAL, pela coragem de assumirem levar por diante um espectáculo com esta dimensão, muito exigente, mas, dizer, de facto, que o concretizaram, de forma positiva e com dignidade.

7 min de leitura
Na SFAL - Barreiro TESFAL leva a cena “George Dandin” com sala cheia

Por Jornal Rostos

O espectáculo do TESFAL teve como base uma encenação tomando como base o “real”, com um cenário, marcado pela simplicidade de recursos, mas que permitiu a contextualização e a fluidez das interpretações.
A encenação da peça de Moliére, “George Dandin” é exigente e pode permitir ao encenador diversas opções estéticas. A opção de Lurdes Sales e Elsa Assunção, foi obter um compromisso com uma visão “realista”, que pode considerar-se bem concretizada, se avaliarmos os recursos disponíveis.
A encenação permitiu aos actores a plena fluidez no palco, indo ao encontro do texto e do relevo de cada personagem.

O guarda roupa foi de excelente qualidade, caracterizando cada personagem na sua verdadeira dimensão.
As opções musicais estavam bem enquadradas e davam a atmosfera “epocal”.

A iluminação foi concretizada com momentos de luminosidade positivos, bem estruturados e dimensionados no decorrer do espectáculo.
De registar a existência de “algumas sombras”, em determinados momentos, que funcionaram como um “ruído” mas, obviamente, não se pode fazer omoletes sem ovos e, naturalmente, o equipamento de luz disponível era insuficiente para se obterem determinados efeitos, eliminando a “contraluz” e seus efeitos.
No geral a iluminação a cargo de Pedro Lima e Luis Alves, foi perfeita, no contexto da encenação e na intencionalidade das situações.

O cenário resolveu o enquadramento dos movimentos dos personagens, permitindo a simultaneidade de actores em cena, as mudanças de acção, com perfeição, permitindo ao espectador ter uma visão de interioridades e exterioridades, sem prejudicar o ritmo do espectáculo.
Um trabalho de Elias Guerreiro, Célia Sousa e Matilde Paiva.

Os actores

José Miguel – George Dandin – desempenhou o seu papel com alguma desenvoltura, principalmente na cena, quando está na mó de cima, na busca do seu momento de glória e “vingança”.
Sendo um personagem que percorre toda a peça, manteve a sua presença viva e o clima das suas angústias.
Nota-se, por vezes, alguns “afastamentos” do personagem, mas, tal, obviamente, será apurado com sucessivas reposições do espectáculo.

Fátima Lopes – Angelique – que, sublinhe-se, pela primeira vez pisou o palco, assumiu a sua personagem com “qualidade”, não sendo anulada a sua presença, pela dimensão de George Dandin.
Na verdade, carece de mais trabalho no campo da dicção, no entanto, pode considerar-se que é um valor prometedor que, com a experiência, vai enriquecer o trabalho do TESFAL.

António Santos – Clitandre – é um papel de relevo na peça, vivido de forma que não prejudica a dimensão dramática do espectáculo, no entanto, carecia de um pouco mais de intensidade. O António Santos tem qualidades e basta-lhe, na verdade, dar “um salto em frente” agarrando com mais energia o personagem.

Lurdes Sales - Srª de Sotenville – uma presença em palco que mantém o necessário compromisso com o teatro realista pedido pelo o texto nas opções de encenação.
Vive, de facto, a personagem na sua dimensão e situação social que lhe é exigido. A sua experiência em palco dá-lhe algum àvontade e vive os diálogos com rigor.

Elsa Barata - Baronesa de Sotenville – tem consistência no seu papel, caracterizando a autenticidade da sua personagem, Não tem qualquer dificuldade em assumir a sua personagem e, só de referir que, na noite da estreia, teve um “deslize” que rapidamente superou, sem desvirtuar o espectáculo. Tal, de facto, só é possível para quem tem alguma experiência em palco e sabe que “o espectáculo” pode, em qualquer momento ser recriado, não deixando perder o personagem, nem a contra-encenação que está a ser vivida.

Inês Nunes – Claudine – não sei se é a primeira vez que pisa um palco, mas é uma jovem que desempenha o seu papel de forma muito positiva, com ritmo, caracterizando a personagem e vivendo-a de forma intensa.

Daniel Casimiro – Lubin – outro jovem, ao que sabemos estreante, que manteve a verdade do seu personagem, por vezes com alguma timidez ( o que é natural), mas, globalmente muito positivo.

Ruben Sequeira – Colin – mais um jovem, que foi igualmente fantástico, com uma interpretação de qualidade, que caracterizou as situações e deu o sentido ao seu personagem.

Uma palavra para os pontos que, na estreia, notou-se deve ter sido um elemento de recurso bastante utilizado, mas,cuja presença não foi sentida, como convém e necessário num ponto. Ou seja, tem que ser audível para os actores, sem ser audível para os espectadores. Foram Sónia Rocha, Daniela Gomes e Ruben Sequeira. Parabéns.

Como notas finais referir que o TESFAL está de parabéns por concretizar o seu segundo espectáculo, mantendo viva a tradição do teatro na SFAL e que, mais uma vez, na estreia, uma sala repleta demonstra que o Lavradio tem um público que gosta de teatro e sabe acarinhar e aplaudir os seus actores.
Uma nota para os fumos que pretendem “introduzir” o nevoeiro, de forma a dar mais realismo à noite e à situação de obscuridade e de isolamento entre os personagens, na verdade, se inicialmente, cria essa atmosfera e funciona como um “elemento estético”, procurando criar um ambiente telúrico, a sucessiva intromissão, posterior, torna-se num “ruído” desnecessário, que perturba o desempenho do papel dos personagens e desvia a atenção do espectador do contexto interpretativo.

Uma nota pública de esclarecimento

Por fim, referir que no final do espectáculo, como um intruso (talvez pela proximidade afectiva com o TESFAL), comentei, com alguma carga negativa, com os elementos do grupo (coisa que nunca fiz) algumas situações do espectáculo e interpretações, que me pareceram mais “negativas”, não com o objectivo de afectar a alegria que estavam a viver de terem dado mais um passo importante e positivo, no vosso amor ao teatro, mas, para vos dar um “empurrão” e proporcionar um “olhar” de avaliação com alguma irreverência. Penso que, afinal, fui inoportuno. São erros que se cometem.

Na SFAL houve teatro e o TESFAL tem pernas para andar

Portanto, os parabéns ao TESFAL, pela coragem de assumirem levar por diante um espectáculo com esta dimensão, muito exigente, mas, dizer, de facto, que o concretizaram, de forma positiva e com dignidade.
Um espectáculo que pode e deve ser levado a cena mais vezes, de forma a ser um elemento de rodagem valorização dos actores e de dinamização do vosso próprio projecto teatral.
Conhecendo as limitações, de tempo, de espaço, de recursos técnicos ao dispor do TESFAL, de meios financeiros, e de aprendizagem, só vos posso dizer: Na SFAL houve teatro e o TESFAL tem pernas para andar. Parabéns.

António Sousa Pereira

George Dandin
SINOPSE

« Georges Dandin» é uma comédia de Moliére, escrita no ano de 1668.

George Dandin é um abastado burguês-camponês que, para se elevar na sua condição social, atingindo a nobreza, decide casar com Angelique, filha dos nobres Sounteville, uma família arruinada.

Georges Dandin com este casamento ganha o direito a reconhecimento social, mas, no dia a dia, a sua “nova família nobre”, recordam-lhe de forma constante a sua condição e origem sociais, sem sangue azul.

Num encontro casual, com um criado “linguarudo”, este conta-lhe uma história de amantes e traições, matrimoniais, onde, afinal, de súbito, George Dandin sente que é, ele próprio, a vítima.
A sua “nova nobreza” leva-o a ter precauções e, apesar da sua enorme “dor de cabeça”, mantém a sua situação em “sofrimento”.
Na história George Dandin procura demonstrar, à sua nobre família, que a sua “nobre esposa” tem um amante, situação que repudia e considera humilhante.
E, diga-se, é tal o enredo que, George Dandin de vitima passa a acusado…pedindo desculpa a sua “nobre esposa”.

TESFAL – Teatro de Ensaio da SFAL

George Dandin – Moliére

Actores

José Miguel
- George Dandin

Fátima Lopes
- Angelique

António Santos
- Clitandre

Lurdes Sales
- Srª de Sotenville

Elsa Barata
- Baronesa de Sotenville

Inês Nunes
- Claudine

Daniel Casimiro
- Lubin

Ruben Sequeira
- Colin

Pontos

Sónia Rocha
Ruben Sequeira

Luz e Som
Pedro Lima
Luis Alves

Cenário
Elias Guerreiro
Célia Sousa
Matilde Paiva

Concepção Gráfica
Cartaz e Programa

Alexandra Antunes

Guarda Roupa
Vitor Cabral

Direcção e Encenação
Lurdes Pereira
Elsa Assunção

AGRADECIMENTOS

Florista Dália, Estética Viva, António Pequito, jornal “Rostos”

Apoio
Câmara Municipal do Barreiro
Junta de Freguesia do Lavradio

Produção
TESFAL /SFAL

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