Arte Viva estreia"Antes que a noite venha", de Eduarda Dionísio

Por Jornal Rostos
Nas palavras da autora, o texto é um material, entre muitos outros – os objectos de cena, os actores, os projectores, a música, os sons... É um conjunto de palavras úteis, utilizáveis que valerão na medida em que servirem o espectáculo. (...) Perdida a convicção de que a " mensagem" dum espectáculo é a "mensagem"do texto do espectáculo e perdida a ilusão de que a "mensagem" do texto é o que se diz no texto, fica-nos a "maneira de dizer". E essa, ao espectáculo pertence.
Antes que a noite venha não é uma reescrita/reinterpretação/reinvenção dos mitos de Julieta, Antígona, Castro e Medeia singularmente, é sim uma convocação de quatro figuras - heroínas trágicas - em que o amor terá sido a causa primeira de um fim inevitável para estas mulheres desgarradas de corpo e tempo, mas para sempre presas à sua própria história.
Em Antes que a noite venha, Julieta, Antígona, Castro e Medeia são mulheres comuns que nos seus monólogos relembram, revivem, repisam e resofrem a tragédia das suas vidas, reafirmando a sua inevitabilidade.
Eduarda Dionísio nasceu em 1946. Professora do Ensino Secundário, tal como o seu pai – outro reconhecido escritor português, Mário Dionísio (1916.1993) – tem desenvolvido intensa actividade cívica, social e política. O trabalho de Eduarda Dionísio passa pela escrita, pela pintura, pelo teatro, pelo ensino e pela imprensa. O seu discurso, que se pretende dissonante no meio intelectual, um dos poucos realmente críticos do estado das coisas: pela recusa da especialização, da mediatização e do compromisso com o poder. Trabalhou no teatro universitário, amador e profissional (Grupo de Teatro da Faculdade de Letras, Ateneu, Cornucópia, O Bando e Contra-regra que fundou) como actriz, cenógrafa, dramatúrga, tradutora e autora de textos.













