Teatro o bando - PalmelaEstreia do espectáculo CRUCIFICADO irá ser adiada uma semana
Assim, o espectáculo estará em cena de 4 a 28 de Junho, Quinta a Domingo, às 22h00 aqui em Vale dos Barris, Palmela.
Partindo de textos de Natália Correia, CRUCIFICADO conta com a presença marcante de Adelaide João, a música de Jorge Salgueiro interpretada ao vivo e uma grande construção cénica de madeira no espaço exterior da nossa encosta

Por Jornal Rostos
CRUCIFICADO
a partir de Memórias de uma Tia Tonta e outros textos de NATÁLIA CORREIA
Teatro o bando – Vale dos Barris, Palmela de 4 a 28 de Junho
Quinta a Domingo às 22h00
As igrejas não chegam para dar vazão às nossas rezas.
Português - Duração 90 minutos
Espectáculo ao ar livre – aconselhamos o uso de roupas quentes
Público-alvo maiores de 12 anos | Espectáculo estreado em Maio 2009
. público em geral, o espectador escolhe um dos três preços – 12€, 10€ ou 8€
. estudantes e profissionais das artes do espectáculo, grupos 10pax, PIN cultura – 5€
- Informações: 212 336 850 - comunicacao@obando.pt
As igrejas não chegam para dar vazão às nossas rezas. Sairemos para a rua num cortejo, atearemos a noite com a melodia intempestiva da nossa prece popular, folclórica e pagã. Não é uma escavadora persistente que há-de abrir a nossa cova nem a santíssima trindade política que nos roubará esta loucura.
Chegou finalmente o dia? Queremos cortar caminhos e amarras e rotinas.
Queremos errar, porque o nosso verbo é o verbo ir. Queremos fugir a fingir que somos livres dessa cruz que carregamos. Mas prisioneiros somos nós todos ó crucificados, prisioneiros do silêncio como gatos e ratos.
CRUCIFICADO
a partir de Memórias de Uma Tia Tonta e outros textos de NATÁLIA CORREIA
Dramaturgia e Encenação MIGUEL MOREIRA e JOÃO BRITES
Composição Musical JORGE SALGUEIRO
Espaço Cénico RUI FRANCISCO
Apoio à Oralidade TERESA LIMA
Figurinos e Adereços CLARA BENTO
Desenho de Luz JOÃO CACHULO
Sonoplastia e Desenho de Som RUI BENTES
Vídeo SOFIA PIMENTÃO
Interpretação ADELAIDE JOÃO, GUILHERME NORONHA/MIGUEL MOREIRA, PAULA SÓ,
SÍLVIA ALMEIDA (Assistente Estagiária da Escola Superior de Teatro e Cinema) e FILIPE
LUZ (Assistente Estagiário da Escola Profissional das Artes da Madeira) Músicos ANA SOFIA
MACEDO, FERNANDO PERNAS/SÉRGIO OLIVEIRA, JACINTO SANTOS e JOSÉ
CARINHAS
Coordenação de Produção TATI MENDES Montagem ALEXANDRE ARAÚJO, ANDRÉ LUÍS, ARMANDO COIMBRA, FÁTIMA SANTOS, FILIPE LUZ, GUILHERME NORONHA, SÍLVIO COSTA e JOÃO PAULO ARAÚJO
Fotografia RAUL PINTO
Agradecimentos ALBERTO PEREIRA, CASA DO ARTISTA, JOÃO ALVES, JORGE BRAGADA, MARIA JOÃO VIEGAS, ROMEU RUNA, D. ZETINHA
Criação TEATRO O BANDO
Co-produção ÚTERO
Teatro o bando
Coordenação Geral SARA DE CASTRO
Direcção Técnica JOÃO CACHULO
Itinerância e Montagem FÁTIMA SANTOS Relações Institucionais HUGO SOUSA Comunicação MIGUEL JESUS Tesouraria CRISTINA SANCHES
Captação e Sensibilização de Públicos LIA NOGUEIRA
Relações Internacionais RAÚL ATALAIA Manutenção GUILHERME NORONHA Acolhimento MANUELA MENA
Cozinha e Limpeza MARIA JOSÉ FERNANDES
Produção e Vendas TATI MENDES
Grafismo NUNO MELLO
Formação LIMA RAMOS
Sonoplastia SÉRGIO
MILHANO
Apoio Jurídico ISABEL ATALAIA
Contabilidade CONTISTAS
Apoio Informático FREDERICO COELHO
Caseiros ISAAC REIS e NICOLAE DANIEL
Direcção Artística JOÃO BRITES, RUI FRANCISCO, JORGE SALGUEIRO, TERESA LIMA, LUCA APREA, CLARA
BENTO
Direcção da Cooperativa JOÃO BRITES, RAÚL ATALAIA e RUI FRANCISCO
Cooperantes ADELAIDE JOÃO, ANA BRANDÃO, ANTÓNIA TERRINHA, BIBI GOMES, CLARA BENTO, FÁTIMA SANTOS, GONÇALO
AMORIM, HORÁCIO MANUEL, ISABEL ATALAIA, JOÃO BRITES, JORGE SALGUEIRO, LIMA RAMOS, MIGUEL
MOREIRA, NICOLAS BRITES, PAULA SÓ, PEDRO GIL, RAÚL ATALAIA, RUI FRANCISCO, SARA DE CASTRO,
SUZANA BRANCO
MORADAS DE UMA VELHA SENHORA MUITO BONITA
Um dia aquela senhora veio ao meu encontro. Queria trabalhar na minha casa. Mas se eu nem casa própria tinha como poderia aquela senhora importante juntar-se a um bando de guedelhudos? Reparei que tinha acabado de ir ao cabeleireiro e que uma ligeira poeira de arroz não conseguia dissimular as rugas que descaradamente se instalavam. Confusamente lisonjeado convidei-a a entrar.
Tinha acabado de voltar de Campo Maior e trazia comigo umas flores brancas de papel para construir um abrigo. Disse-lhe que, se quisesse, poderia aí ficar connosco. As flores incendiaram-se e à pressa mudámos de lugar. A leve camada de água que agora se espraiava molhava-nos os pés. Fugiu dali, foi viver no meio dos bichos e foi dona de gatos. Habitou então numa poltrona pendurada na janela de um segundo andar.
Quando veio a guerra sobreviveu suspensa numa rede militar e eu vi como rapou a cabeça para lutar e como se divertia a mostrar a lisura da careca redondinha. Por momentos viveu de cócoras, foi o pássaro e foi a fêmea que faz o ninho entre portas e janelas. Durante alguns meses habitou na carruagem de um comboio que circulava com gente muito singular. Depois aceitou ficar pendurada numa vara de um teatro onde inchada subia, subia, subia.
Sempre que molhava os joelhos nas ondas salgadas ficava com falta de ar mas de noite entrou nas águas frias dos lagos para dizer poemas de Ramos Rosa. Cansada de tanta andança, pôs um bigode e um chapéu e ficou sentada sozinha no meio de uma plateia vazia.
Jorge Barros tirou-lhe nessa altura uma fotografia e eu estremeço sempre que me deparo com a convicção daquele olhar.
Quando morou nos jardins do Taborda, recebeu nos braços o jovem corpo de um homem nu. Em Vale dos Barris suportou passar uns dias numa pocilga com os porcos a grunhir. Ainda canta e anda de mota. E no pino do verão faz soar a sua brilhante voz timbrada do cimo de uma carroça.
Saramago registou que quando esta mulher esteve cega comia os coelhos que escondia no quintal e assim sobrevivia.
Agora vive no alto de uma encruzilhada. Habita mesmo no meio dos quatro caminhos. Há quem diga
que conheceu a Passionária durante a guerra civil de Espanha. Disso não sei, mas aqui, ao lado do Miguel, vejo mais uma vez como é que a sua genica e talento iluminam e diversificam os sentidos ocultos do que está escrito e tem de ser dito. Finalmente descubro nas palavras de Natália Correia que aquela senhora que há uns anos me veio visitar também é minha tia e pertence à minha família. A sua alegria de viver e de resistir é um doce bálsamo que embala as nossas vidas. Percebemos que, apesar de tudo, é possível desenhar um rumo e irmos por aí, cristalinos, íntegros, intransigentes com os valores que balizam o nosso caminho.
João Brites
Palmela, 18 de Maio de 2009
O caminho. Qual o caminho e se ele ainda existe. Os caminhos são mais que sonhos. São apostas, são trabalho, são o querer estar desta forma e não de outra, são a luta.
Aqui, no bando, descobri desde o primeiro dia que o único caminho possível no mundo é o da militância e da inscrição na sociedade, onde desde que nascemos estamos inseridos. Porque os caminhos reais ficam apagados com o tempo, como nos diz o Isaac no documentário da peça. O tempo brinca com os caminhos, porque o tempo tem fim. Criamos no tempo porque procuramos uma identidade e questionamos o que somos neste mundo. Partilhamos estas inquietações com o público. A ideologia e a fé de mãos cerradas a acreditarem que o mundo um dia terá outro rumo. Outro lugar. Que o mundo, também ele, terá um caminho.
O desafio do João, a quem posso chamar irmão, companheiro, é um olhar de frente um para o outro – o que é que tu pensas que me faz pensar? A arte pode não mudar o mundo mas aponta-nos caminhos possíveis de revolta e inquietação e foi nesse lugar que o João escolheu partilhar a sua vida connosco.
Este encontro no vale adquire um lado mágico. A magia presente nos encontros e no traçar utópico de caminhos. Dos actores que apontam sempre caminhos em todos nós. A Adelaide João, uma mulher com quem tenho conseguido pensar outros lugares. A Paula Só no seu fascinante desafio à loucura e à expressão teatral. É pois um momento de encontros e desafios. Com novos actores: o Guilherme, a Sílvia e o Filipe. Com a equipa do Útero que me tem seguido. A Sofia, o Jorge (meu pai) e o Rui Bentes. Com toda a equipa calorosa do bando.
Um encontro mais distante fisicamente, mas intenso nas palavras de Natália Correia que soube em vida traçar caminhos a direito.
Nesta necessidade sentida de liberdade de libertação e de valores ainda presos a tempos distantes, acreditamos que um dia saberemos viver essa liberdade para além do seu conceito.
Mas com uma real sintonia com o nosso corpo e tudo aquilo que de uma forma inconsciente habita dentro de nós.
Neste regresso a casa ainda sinto a necessidade do grito.
Miguel Moreira
CRUCIFICADOS
Há uma gruta onde não podemos ir.
Neste tempo que corre, o calvário, encontramo-lo, todos os dias ao sair de casa. Na nossa casa.
É altura de dizer aos resignados que chegou a sua extinção, jamais a sua redenção.
Propomos a geometria da revelação.
Passar por baixo é morrer. Passar por cima é enlouquecer.
Que Ele venha mas que sejamos todos Nós a escolher!
Rui Francisco
170509
UM TEXTO CRUCIFICADO
vamos crucificar o texto? bora!
++++++++++++++++++++
depois, disse o gaiteiro para o pianista:
"não te importas que eu fique aqui ao pé de ti pois não?"
"claro que não, desde que a gaita fique lá fora"
Tu(m)ba!
"cruzzzes!!!" dizia um companheiro de recruta perplexo perante a sua própria perplexidade
há o tom maior, o tom menor, o tom jobim e o tom político
ora diga lá esta frase no tom político:
"as cruzes fizeram-se para prender os cruzados às cruzadas!"
Bendita.
e se a salsa é assim tão rica em ferro, como pode não enferrujar?
tudo tem um sem_tido_ com_ tido!
+++++++++++++++++++++++++!!!
1.8:5~7+3^9´`-4*1/3_T;)
um código só é verdadeiramente secreto se ninguém
fuepoi tpeiyts ask3eyb ej kjehi gfde
são 50000 euros se faz favor
triiiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmmmmmm
(onomatopeia para toque de telemóvel muito moderno dos que têm frigorífico e casa de banho)
"deixe a sua mensagem após o sinal"
desculpe, repita a leitura com uma voz mais sensual
"deixe a sua mensagem após o sinal"
assim foi: após o sinal vermelho o polícia deixou-me uma mensagem: "500 euros"
+++++++++++!!!
Jorge Salgueiro
Biografias
Natália Correia
Nasceu a 13 de Setembro de 1923 na Ilha de São Miguel, nos Açores. Poetisa, ficcionista, dramaturga, ensaísta e tradutora, foi uma das figuras femininas mais importantes da poesia portuguesa contemporânea e da luta contra o fascismo. Colaborou com frequência em diversas publicações portuguesas e estrangeiras e os seus livros estão traduzidos em várias línguas.
Miguel Moreira
Frequentou o curso de Artes e Ofícios do Espectáculo no Chapitô, de 1992 a 1995. Entre outros, já trabalhou com os mais diversos encenadores, coreógrafos e realizadores. Teve várias participações em programas televisivos e ministrou diversos workshops centrados na discussão acerca das margens de um objecto teatral. Em 1997 foi um dos fundadores do Útero, tendo criado e dirigido a maior parte dos espectáculos do grupo. É Cooperante do Teatro bando desde meados da década de noventa, tendo participado em vários espectáculos como actor e ocasionalmente como encenador.
João Brites
Nasceu em 1947. Artista plástico, cenógrafo, encenador e dramaturgista, é fundador e Director
do Teatro bando e lecciona na ESTC. Encenou espectáculos e eventos no âmbito da Europália e da Lisboa94 e dirigiu a Unidade de Espectáculos da Expo98. Em 2008 ganhou o Prémio da Crítica, da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro, com o espectáculo SAGA.
Adelaide João
Nasceu em Lisboa, em 1927. Começa a trabalhar na Philips aos 14 anos e, pouco depois, integra o grupo cénico daquela empresa. Colabora também com outros grupos amadores e, em finais dos anos 50, é descoberta por Artur Ramos, que a convida para fazer uma peça na televisão (Fim-de-semana em Madrid, de Miguel Barbosa). Inicia aí uma imparável carreira profissional, que a tornaria naquela que é uma das mais constantes presenças no teatro, cinema, televisão e rádio portugueses das últimas décadas, sendo a sua carreira das mais prolíferas do meio artístico português, cobrindo um espectro que vai do Teatro Comercial, de Vasco Morgado (comédias e revistas) a textos como Eden Cinema, de Marguerite Duras.
Frequenta o Conservatório e começa a ser notada no início dos anos 60, com trabalhos como o Consultório, de Augusto Sobral (encenação de Artur Ramos), no Teatro Nacional D. Maria II, A Castro, de António Ferreira (encenação de Paulo Renato), no Teatro da Estufa Fria, e A Rapariga do Bar, de Olga Neves Guerra (encenação de Couto Viana), no Teatro da Trindade.
Em 1962 vai estudar para Paris como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, onde permanece durante quatro anos (frequenta o Cours Simon,o Cours Mimique de Simon e Jacques Lecoq eo Cours Yves Fouret). Ainda na capital francesa é figurante em vários filmes e trabalhos televisivos, participando simultaneamente nos espectáculos de teatro Et jusqu’à Betanhie, encenação de Raymond Rouleau, no Théâtre Montparnasse Gaston Baty, e Jules César, de William Shakespeare, encenação de Armand Armantier, no Théâtre Sarah Bernhardt.
De regresso a Lisboa, sob a direcção de Luzia Maria Martins, estreia-se em O Pomar das Cerejeiras de Tchekhov. Trabalha no Teatro Estúdio durante seis anos, sendo o seu último trabalho nesta companhia a peça A Louca de Chaillot, de Giraudoux. Seguem-se o Teatro de Gerifaldo (direcção de Couto Viana), o Teatro da Estufa Fria, o Teatro Maria Matos (onde faz entre 1969 e 1970, Tombo do Inferno e A Relíquia) e duas épocas no Teatro Experimental de
Cascais (destaque para Ivone, Princesa de Borgonha, de Gombrowicz e Camões 72). Entre 1974 e 1975 regressa ao Teatro Maria Matos para representar Português, escritor, 45 anos de idade, de Bernardo Santareno e Seara de Vento, de Manuel da Fonseca. Já na década de 90 participa em O Grande Cerimonial, de Fernando Arrabal, encenação de Paulo Castro, no Centro Cultural de Belém e, em 1998, pelo Teatro Circo Braga e sob a direcção de Rui Madeira, actua no espectáculo Tartufo, de Moliére. Na Expo98 faz parte do grupo de actores
da acção Palavra do Dia.
No cinema, estreou-se em D. Roberto (1961), de J. Ernesto de Sousa e, desde então, desenvolveu uma vasta filmografia, da qual se destacam colaborações com os realizadores Alfredo Tropa, José Fonseca e Costa, António da Cunha Telles, Luís Couto, António de Macedo, Sinde Filipe, Eduardo Geada, Fernando Lopes, Manoel de Oliveira, Rogério Ceittil, António Pedro Vasconcelos, Ricardo Costa, Lauro António, António Vitorino de Almeida, Noémia Delgado, Luís Galvão Telles, Wim Wenders, Raul Ruiz, José Álvaro Morais, Francisco
Manso, Clauda d’Anna, Manuel Costa e Silva, José de Sá Caetano, Luc Monneim, José Nascimento, Franco Zeffirelli, Fernando Matos Silva e João Mário Grilo. Na televisão participou em diversas telenovelas, séries e anúncios publicitários.
Ao longo da sua extensa carreira, tem trabalhado com os principais grupos de teatro independentes, de entre os quais se destacam, a Comuna, o Teatro da Cornucópia (Casimiro e Carolina), os Bonecreiros (Os Retratos), a Casa da Comédia (A Paixão segundo Pier Paolo Pasolini), o Teatro Ibérico, o Teatro Transmontano e a Sensurround (Sobreviver).
Cooperante do Teatro o bando, integra há 19 anos o elenco permanente da companhia, tendo participado, entre outros, nos espectáculos A TERCEIRA MARGEM DO RIO, BICHOS, VIVIRIATO, BORDA D’ÁGUA, GENTE SINGULAR, TRILHOS (encenados por João Brites), DA VIDA DOS PÁSSAROS (encenação de Pompeu José), DE UM LADO OCULTO (encenação de Miguel Moreira e Bibi Gomes) e MADRUGADAS, evento comemorativo do 25.º aniversário da revolução dos cravos, realizado no Terreiro do Paço. Datado de 1995, MÃO CHEIA DE NADA, a partir de textos de Irene Lisboa, foi-lhe dedicado pelos companheiros da companhia.
Ainda com o bando mas já em Palmela, participa em A PORCA, de Marie Darrieussecq, MERLIM, de Tankred Dorst, e ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, de José Saramago. Também com esta Companhia participa no evento que encerra o Festival Internacional de Artes de Rua, em Palmela, PINO DO VERÃO, a partir de poemas de Eugénio de Andrade.
Paula Só
Nasceu em 1951 e integrou o Teatro bando em 1986, ano em que a interpretação da personagem Ti Miséria lhe valeu o Prémio de Melhor Interpretação do Ano da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro. Já trabalhou com diversos criadores e participou em vários filmes e séries televisivas. É Cooperante do Teatro bando desde finais da década de 80, tendo colaborado em muitos espectáculos da companhia.
Guilherme Noronha
Nasceu em 1978. É licenciado em Formação de Actores e Encenadores pela ESTC. Estreouse como actor com o TEC, trabalhou com diversos criadores e companhias. Foi actor no espectáculo VERTIGEM, produzido pelo bando em 2001. Actualmente trabalha no Teatro bando e é actor em vários dos seus espectáculos.
Sílvia Almeida
Nasceu em 1984. Em Lisboa, frequentou o curso intensivo na ACT e licenciou-se em Artes do Espectáculo na FLUL. Participou em vários workshops e projectos de cinema e de teatro.
Actualmente frequenta o Mestrado em Teatro – Comunidade na ESTC e ministra workshops e aulas de educação pela arte a crianças.
Filipe Luz
Nasceu em 1989 no Funchal e em 2006 iniciou a sua formação de actor no Curso Profissional de Artes do Espectáculo – Interpretação, no CEA da Madeira. Foi Formador de Artes Circenses no Estabelecimento Prisional do Funchal. Tem participado em espectáculos do TEF e trabalhado na prática de artes circenses e em animações de rua com várias instituições.
Teatro o bando
Nascemos como grupo a 15 de Outubro de 1974. Querendo honrar o ambicioso nome que então escolhemos, vimos trabalhando há mais de 30 anos para não deixar de ser um colectivo de coisas que voam sem perder de vista a terra, que nos é sustento e razão de voar.
Acreditamos no valor dos meios para dar sentido e dignidade a um projecto e aos seus resultados. Por isso, exigimos de nós, no esforço do dia a dia partilhado, o respeito pela liberdade de todos, pois só ele pode garantir a preservação das diferenças e a sua elevação a um estatuto superior: o da riqueza comum que em cada um e no colectivo se recria e
acrescenta.
Por matéria-prima temos só a realidade. Por ferramentas a utopia e a arte, unidas no poder de tudo mudar. A transfiguração estética é o modo que elegemos para a participação cívica e
comunitária. Com ela procuramos fazer e refazer memória, lançar desafios, questionar e esbater fronteiras, alimentar a reflexão sobre o mundo que temos e o que queremos ter.
Recusamos o diletantismo estéril. A pesquisa e a experimentação, de que nunca abdicámos, ao serviço dessa reflexão as queremos. Do seu sentido, a cada momento, não conhecemos melhor avaliação que a inteligência do público que nos espelha e transforma.
Rural ou urbano, adulto ou infantil, erudito ou popular, nacional ou universal, dramático ou narrativo ou poético – tais as fronteiras que nos habituámos transgredir na nossa criação, pois também a realidade não se compadece com a rigidez de uma esquadria conceptual passivamente aceite.
A itinerância em que sempre investimos continua a pôr à prova os mesmos espectáculos no interior como no litoral, nas cidades como nas aldeias. Percorremos o país representando em centenas de localidades e a relação com os públicos mais jovens não exclui a provocação intelectual que aos mais velhos igualmente é consagrada.
Os textos que encenamos, na sua maioria de autores portugueses, são muitas vezes obras não dramáticas, às quais a forma teatral, nas múltiplas linguagens que integra, confere uma nova comunicabilidade, independentemente do carácter «erudito» que lhes possa estar na origem. Os espectáculos baseiam-se em textos de desassossego, de sedução, e de provocação; alguns deles são encomendados, outros, não sendo textos de teatro, são pretextos escultóricos, musicais, de actualidade política, capazes de estimular a criação teatral que queremos sempre incómoda, sempre estranhamente reconfortante quando se grava enigmaticamente na memória.
Continuamos a ser quem sempre fomos. Ao mudarmo-nos para Vale dos Barris, Palmela, não fugimos para o campo, afastámo-nos da cidade para ver melhor o formigueiro dos homens que percorre as suas ruas. Pouco convencional, a casa que hoje habitamos põe à nossa disposição, dentro de portas como a céu aberto, um número ainda insuspeito de palcos potenciais feitos de estrelas, de velhas pocilgas, de oliveiras e penedos... como sempre aconteceu.
Esperamos por vós em Vale dos Barris. Com tudo o que temos – e, sempre, com uma sopa, pão e queijo, um moscatel, uma conversa ao pé do lume.
Quinta do Teatro o bando, Vale dos Barris, Palmela













