FRACTAL - CIE IMPACT no Barreiro, Montijo e MoitaLOUCURA ESQUECIDA E O MUNDO NA MÃO
É graças às luzes de cena que esta metamorfose é produzida. Mas assim que as luzes da ribalta se apagam, o que é que fica?
No BARREIRO, no Auditório Municipal Augusto Cabrita, dia 20 de Setembro, pelas 21,30 horas.
No MONTIJO, no Cinema-Teatro Joaquim d’Almeida, dia 22 de Setembro, pelas 16 horas.
Na MOITA, no Fórum Cultural José Manuel Figueiredo, dia 25 de Setembro, pelas 22 horas.

Por Jornal Rostos
Um homem que acorda num asilo psiquiátrico. Fechado. Porquê? Sem dúvida que existe uma razão, mas ele já a esqueceu. Resta-lhe apenas a imaginação para fugir desta condição insuportável. Está sozinho em cima do seu banco, as suas mãos perturbam-no como se de um corpo estranho se tratasse. Mexem-se sozinhas, agridem-no. Mas cedo irão tornar-se suas aliadas. Submetem-se à sua vontade e criam pequenos universos nascidos da sua imaginação, que se constroem em espirais como uma curva fractal até que, raspando o chão, faz surgir um génio, ou antes, é ele que se transforma num génio. Sob as luzes da ribalta, ofuscando de virtuosidade e de liberdade. Torna-se noutro homem, mas o efeito mágico não perdura e cansa-se em esforços cómicos e simultaneamente desesperantes para voltar encontrar esse estado de graça.
“Fractal”, é o homem dividido entre dois universos: o do enclausuramento quotidiano e medíocre e o do sonho, do entusiasmo que, a todo o momento, o torna livre e brilhante sob os projectores.
É graças às luzes de cena que esta metamorfose é produzida. Mas assim que as luzes da ribalta se apagam, o que é que fica?
Metáfora do artista, mas também esquizofrenia quotidiana: Fractal, sem outros meios que não o corpo do dançarino e uma chuva luminosa, interroga as contradições e as nossas angústias de uma forma muito lúdica.
Pépito e Mohamed partilham a coreografia. Pépito é o intérprete. Mohamed traz-lhe o olhar exterior indispensável e força-o a sair do seu registo habitual, para ir para terrenos que não são a sua especialidade [break, passe-passe]. Num solo, é difícil não se fechar numa gestualidade onde a virtuosidade toma conta dos sentidos. Mas a sequência de variações técnicas difíceis não constrói uma proposta coerente. Pépito tem necessidade da música para “entrar no seu estado de delírio”. “Em palco, não devem existir elementos exteriores. Não é ao fazer sair um coelho da cartola que levamos as pessoas a sonhar. Cabe às pessoas imaginarem o coelho e a cartola. Nos ensaios entre num estado de delírio. Sei para onde quero ir, mas fico entusiasmado com a música. É Mohamed que decide o que fica. Depois posso alterar o meu movimento em relação à música”.
Concepção Coreográfica Pépito e Mohamed Sialiti
Interpretação Pépito
Música Malik Berki
Desenho de Luz Arnaud Drevillon
Produção Bérnard Allombert
Co-produção Le Grand Bleu, Etablissement National, Lille – Nord-Pas de Calais e Cie. Fractal | m/6 anos













