Festroia 2009 - SetúbalGraves problemas financeiros do 25.º Festroia foram ultrapassados com ajudas privadas
“É uma grande honra para a República Checa receber este prémio. O cinema checo, cuja produção é feita sobretudo a nível regional, tem uma grande tradição na Europa”, sublinhou o embaixador em Portugal, Ladislav Škeřík, que recebeu o galardão na cerimónia de abertura, realizada numa tenda com capacidade para 500 pessoas, instalada no Largo de Jesus.
Fernanda Silva recordou ainda que “os graves problemas na organização do 25.º Festroia”, em virtude da quebra dos apoios financeiros, foram “ultrapassados com ajudas privadas”, enaltecendo, contudo, o apoio da Câmara Municipal, patrocinador oficial do Festival Internacional de Cinema de Setúbal há 15 anos.

Por Jornal Rostos
Com as comemorações dos 25 anos do festival, diversas personalidades amigas do Festroia foram também distinguidas com uma medalha comemorativa, tendo José Duarte, ou “Sr. Zé do Fórum”, como em Setúbal é carinhosamente conhecido, recebido um aplauso mais efusivo pela dedicação que empenhou ao Fórum Municipal Luísa Todi, sala de espectáculos actualmente a receber obras de beneficiação e que acolheu a maioria das edições do festival.
O público, que quase encheu a tenda gigante, assistiu ainda a uma exibição de imagens que recordou todas as edições do Festroia, entre 1985 e 2009, relembrado igualmente a memória de Mário Ventura, escritor, jornalista e fundador do festival, falecido em 2006 e que este ano foi lembrado pelo esforço e dedicação que sempre o caracterizaram.
“Foram apenas alguns minutos que não podem ilustrar 25 anos de Festroia”, salientou Fernanda Silva, directora do certame, que se mostrou entusiasmada com “a forma diferente e original” da presente edição, realizada numa tenda gigante, ao estilo dos grandes festivais de Veneza e Cannes, ressaltando, ainda, “a programação arrojada e os muitos talentos de todo o mundo” presentes nesta edição.
Fernanda Silva recordou ainda que “os graves problemas na organização do 25.º Festroia”, em virtude da quebra dos apoios financeiros, foram “ultrapassados com ajudas privadas”, enaltecendo, contudo, o apoio da Câmara Municipal, patrocinador oficial do Festival Internacional de Cinema de Setúbal há 15 anos.
“A Cultura, como todos sabem, é particularmente sensível às injustiças”, afirmou Fernanda Silva, citando Mário Ventura, homenageado, este ano, com a criação de um novo prémio, com o seu nome, a ser atribuído ao melhor argumento de uma curta-metragem em exibição no festival, esteja inserida numa secção competitiva ou não.
Presente no primeiro dia de Festival, a presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira, sublinhou a importância da “história de 25 anos de Festroia, este ano realizado num cenário diferente”, mostrando-se orgulhosa por “Setúbal ser mais uma vez anfitriã do grande festival cinematográfico”, para o qual a Autarquia “tentou dar todas as condições aos visitantes desta jornada cultural”.
Depois da entrega do Golfinho de Cristal, feita pela directora do festival, Fernanda Silva, a Ladislav Škeřík, perante a presença de diversos realizadores, actores e argumentistas da República Checa, seguiu-se a exibição dos primeiros filmes do 25.º Festroia.
“Vaclav”, de Jiri Vejdelek, um envolvente drama sobre um semi-autista, foi a primeira película apresentada na sala Mário Ventura. Depois desta obra foi exibido “Little Ashes”, de Paul Morrison, realizador que, em 1999, recebeu no Festroia o Golfinho de Ouro pelo filme “Solomon and Gaenor”.
O 25.º Festroia – Festival Internacional de Cinema de Setúbal conta com as quatro secções competitivas habituais – Secção Oficial, Primeiras Obras, Independentes Americanos e O Homem e a Natureza – e várias mostras não competitivas. Além de uma homenagem à cinematografia checa, apresenta os ciclos Cinema Negro e Através do Universo, que visa celebrar o Ano Internacional da Astronomia.
O programa do certame conta ainda com as secções não competitivas Panorama Infantil, Curtos Europeus, Curtos Escolas, Panorama, Curtas Sadinas e Prémios UIP.
O actor português Fernando Luís, um dos elementos do júri e que marca presença pela primeira vez no Festroia, mostrou-se muito animado pela sua participação no festival e com o cenário montado para o efeito, mostrando-se preparado para a responsabilidade de ajuizar filmes na secção competitiva.
“Já estive em Cannes e a solução da tenda é muito boa, ao nível dos grandes Festivais”, revelou o actor, juiz na Secção Oficial, que espera “ver o máximo de filmes” no festival.
Todos os filmes do Festroia, que este ano entrega o prémio carreira ao actor norte-americano Michael Madsen, que participou em mais de 170 filmes, como “Cães Danados”, “Kill Bill”, “Sin City” e “Thelma e Louise”, são exibidos na Sala Mário Ventura, localizada no Largo de Jesus, no Cinema Charlot e, este ano, também no Auditório José Afonso.













