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Moldura

Teatro Nacional D. Maria - LisboaTeatro bando de Palmela apresenta «Afonso Henriques»

Encenado por João Brites, numa criação do Teatro bando, Afonso Henriques é o retrato de um rei com as suas glórias e vicissitudes. Por ocasião da comemoração dos 900 anos do seu nascimento, este é um pretexto que, ao longo de uma hora, reúne pais e filhos na descoberta de uma das figuras que ainda hoje faz parte do nosso quotidiano. O espectáculo estará em cena na Sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II até 17 de Dezembro, de 4ª a 6ª às 11H e Sábado às 16H.

Espectáculo estreado a 14 de Novembro de 1982 e considerado o Melhor Espectáculo para a Infância e Juventude pela Associação Portuguesa de Críticos de Teatro em 1983.

5 min de leitura
Teatro Nacional D. Maria - Lisboa Teatro bando de Palmela apresenta «Afonso Henriques»

Por Jornal Rostos

O bebé Afonso ainda não tinha dois anos quando o seu pai, sentindo que a morte se aproximava, lhe deixou como herança o território do Condado. O menino Afonso Henriques sonhou um dia ser um rei invencível contra os mouros e castelhanos. Já homem feito, escolhe um punhado de Companheiros e durante a noite ataca de surpresa a cidade de Santarém. Em nome do reino de Deus, matam os mouros adormecidos e conseguem conquistar a cidade.

AFONSO HENRIQUES
SALA GARRETT | 14 Out. - 17 Dez.

a partir de UM POEMA ÉPICO DE TRADIÇÃO ORAL E CRÓNICAS DA IDADE MÉDIA
dramaturgia, encenação e espaço cénico JOÃO BRITES
arranjo musical a partir de recolha de MÚSICA TRADICIONAL PORTUGUESA
oralidade TERESA LIMA
figurinos CLARA BENTO
adereços ISABEL CARRETAS, CLARA BENTO e FÁTIMA SANTOS
desenho de luz JOÃO CACHULO
com ANA BRANDÃO, GUILHERME NORONHA, MIGUEL JESUS, NICOLAS BRITES e SARA
DE CASTRO
execução de figurinos TERESA LOURO
carpintaria MESTRE ESPADA
direcção de cena CARLOS FREITAS e ISABEL INÁCIO
operação de luz PEDRO ALVES
operação de som ANTÓNIO VENÂNCIO
operação de maquinaria PAULO BRITO, RUI CARVALHEIRA e NUNO COSTA
criação TEATRO BANDO em co-produção com o TNDMII
M/6
duração 1H

O ESPECTÁCULO

O bébé Afonso ainda não tinha dois anos quando o seu pai, sentindo que a morte se aproximava, lhe deixou como herança o território do Condado. O menino Afonso Henriques sonhou um dia ser um rei invencível contra os mouros e castelhanos. Já homem feito, escolhe um punhado de companheiros e durante a noite ataca de surpresa a cidade de Santarém. Em nome do reino de Deus, matam os mouros adormecidos e conseguem conquistar a cidade.
D. Henrique: Filho, toda esta terra que eu te deixo de Astorga para além de Coimbra, não percas dela um palmo, pois a ganhei com grande pena e trabalho. E filho, toma do meu coração algum...
outro tanto, com que sejas valente. E sê companheiro para os fidalgos. E dá-lhes sempre os seus dinheiros bem contados. E respeita as assembleias da cidade e faz com que tenham os seus direitos tanto os grandes como os pequenos. E nem por pedidos, cunhas ou cobiça deixes de fazer justiça. Pois se um dia deixares de fazer justiça um palmo, logo ao outro dia se afastará de ti uma braça. E por isso, meu filho, guarda sempre a justiça no teu coração.
Afonso: Mamã, o que é a justiça?
D. Teresa: Afonso Henriques!... Shiu!

Este é um retrato do nosso primeiro rei com suas glórias e vicissitudes, com suas conquistas e suas derrotas. O retrato de uma criança que herda um pedaço de terra lá para os lados de Astorga, de um adolescente que aprisiona a mãe, de um guerreiro que mata e que saqueia e que se zanga com o Papa, de um conquistador temível que em nome do reino de Deus ataca sempre de surpresa, de um velho friorento que se liberta das mãos dos castelhanos e morre aprisionado nas memórias e nas imagens de todos nós.
Aos ombros deste gigante aleijado das pernas, o Teatro bando já percorreu as mil e uma vilas e cidades do Condado; foi a Braga visitar o túmulo de D. Henrique e a Coimbra ver o rosto do seu protagonista; itinerante, palmilhou a pé, a trono e a cavalo as terras de Viseu, de Leiria, de Aveiro, de Castelo Branco e da Guarda; reconquistou várias vezes Santarém e foi prisioneiro do sonho de muitas crianças na invicta cidade do Porto; encontrou as gentes mouras de Beja, de Évora, de Faro e de Setúbal e, antecipando a própria História, navegou até aos territórios oceânicos dos
Açores; ao som de gaita-de-foles e de tambores invadiu a Europa através de Espanha e cruzou festivais por toda a França, Itália, Suíça, Holanda, Inglaterra, Luxemburgo e Alemanha; conquistou terras nunca vistas para lá dos grandes mares, ali onde as pessoas dizem ser do Canadá, de Moçambique e do Brasil; e por fim veio repousar aqui entre os Barris, à vista do Castelo de Palmela.
Depois de vinte e sete anos de batalhas e encantamentos, e tendo atravessado teatros, recreios, escolas, anfiteatros, praças públicas e pavilhões desportivos, regressamos agora a esta grande cidade de al-Ushbuna, de Allis Ubbo, de Olissipo, e tomamos o Teatro Nacional D. Maria II – quem diria a Almeida Garrett que havia de ver o primeiro rei em sua casa? Fazendo ainda mais actual uma história que nunca se esqueceu, desmistificamos um herói com novecentos anos que continua a provocar dúvidas, a levantar sonhos e a suscitar paixões – pois ninguém em dias de
sua vida fez na sua terra senão o que ele quis. Recriando e refazendo o que fomos aprendendo, o que foi sendo transmitido de elenco para elenco ao longo de várias gerações de actores, chegamos novamente com as palavras épicas vindas da tradição oral e das crónicas medievais e os gestos saltimbancos vindos da tradição teatral que este AFONSO HENRIQUES para nós já representa. Santiago!

Miguel Jesus
Teatro o bando

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