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BARREIRO PROJÉCTOR – Grupo de Teatro«CASALQUASEABERTO» - onde o público espreita o íntimo das personagens

O PROJÉCTOR – Grupo de Teatro do Barreiro, estreou ontem a sua 13ª produção, levando a cena a peça «Casalquaseaberto», de Dário Fó e Franca Rame, com encenação de Luciano Barata.

Filipa Domingos e José Miguel, dão, de forma brilhante, corpo às personagens, com expressividade, ritmo, com emoção, ao ponto de fazerem o público sentir que estão perante o mundo real.

5 min de leitura
BARREIRO PROJÉCTOR – Grupo de Teatro «CASALQUASEABERTO» - onde o público espreita o íntimo das personagens

Por Jornal Rostos

O espectáculo subiu ao palco, ontem dia 5 de Dezembro, na SDUB “Os Fanceses”, onde vai manter-se até ao próximo dia 30 de Janeiro.
Esta 13ª produção do PROJÉCTOR – Grupo de Teatro permitiu trazer ao de cima a dimensão dos seus intérpretes – Filipa Domingos e José Miguel - que de forma plena, viveram as personagens e deram a dimensão psicológica de cada uma das personagens.
Um espectáculo que decorre sem monotonia de representação, sente-se a realização integral das personagens, com equilíbrio nos gestos, naturalidade e convicção nas vivências dramáticas.
Um espectáculo onde as palavras têm peso, sendo, elas mesmas, uma expressão artística, que demonstram como teatro é, afinal, uma arte que dá vida à literatura dramática.

Nesta peça o teatro são os actores, são as palavras, e, a encenação que transformam o público não em meros espectadores, mas em «actores» que partilham de forma (in)directa – entre o voyeuerismo e juízes – a vivência dramática.
“Porque estás a dizer isso para eles ouvirem” – comentam os personagens.
O público é questionado a avaliar, de tal forma que, por vezes, ao espectador apetece, levantar-se e participar no diálogo intenso e vivo que existe entre os dois actores.
Por momentos, quando a plateia se transformou no palco, misturando o teatro com a vida real, pensei que o encenador ia colocar um actor-espectador a intervir, tal era a emoção que os intérpretes colocavam na sua relação com o público.
Este é um espectáculo onde o público espreita o íntimo dos personagens.

Um espectáculo vivido com um ritmo temporal que se desenvolve ao longo da “destruição dialéctica” dos valores que, ali, as personagens vão desocultando.
Um espectáculo onde os actores transformam o texto escrito, com qualidade na comunicação e dando força aos sentimentos.
A Filipa Domingos está brilhante, com um ponto alto, quando faz a personagens «duplas» de mãe e filho. Tem expressão artística. Tem expressão de sentimentos. Tem expressão verbal.
O José Miguel consegue afirmar, com rigor e expressividade, a sua presença em palco, não se deixando asfixiar, perante aquele furacão chamado Filipa Domingos.
Uma nota sobre Joaquim Paulino cuja breve interpretação em cena é simples, indispensável e com o sentimento que bastou, marcando o culminar do espectáculo.
Registo o seu gesto positivo, de se colocar nas margens do cenário, quando dos aplausos finais do público, dando o pleno reconhecimento a Filipa Domingos e a José Miguel. Foi um gesto nobre, próprio de um actor que sabe que os aplausos são um estímulo para se fazer sempre mais e melhor.

A encenação está suave. A janela que abre o caminho entre um mundo que se debate entre as fronteiras da vida e da morte, é um azul céu, que quebra a violência discursiva.
O guarda roupa está o necessário, com destaque, de facto, para a fase de libertação da mulher que, naturalmente – obviamente – tinha que ser vermelha.
Gostei do pormenor da dança sobre a mesa que abre o espectáculo e que fecha o espectáculo, dando uma dimensão da vida como um «jogo» de histórias que se repetem e perpetuam no tempo, este tempo total da humanidade, sempre em busca do sentido da palavra AMOR e da sua relação com as vivências sexuais.
Gostei. E, deixo aqui o registo. Vá ver o PROJÉCTOR. Reserve um dia para, parar, pensar e sentir este jogo de espelhos – Homem versus Mulher – num mergulhar pela vida-teatro, onde, tudo, afinal tem um sentido estético e cultural.

António Sousa Pereira

Ficha Técnica
Texto
Casal Aberto – Dário Fó e Franca Rame

Cenografia
Abílio Apolinário

Técnico Cenografia
José Pacheco ( Pépito)

Operador de Som e Luz
Luciano Barata

Actores
Filipa Domingos
José Miguel
Joaquim Paulino

Encenação
Luciano Barata

Sinopse

A peça retrata os encontros e desencontros dum casal maduro em ruptura absoluta.
O marido profundamente machista, colecciona amantes, geralmente mais novas e exibe-as à mulher, tentando encorajá-la a fazer o mesmo com justificação de que só assim, com um “casal aberto” será possível ,salvar um casamento com quase duas décadas de duração.
A mulher, tradicionalmente fiel ao marido, a quem ama de verdade, vai agudizando uma depressão constante, a qual tempera com sucessivas tentativas de suicídio.
Com o decorrer da acção vamos assistindo a uma progressiva emancipação natural da mulher que acaba por aceitar a sugestão do marido mas adaptada à sua visão da vida: Separa-se e encontra um novo companheiro.
Confrontado com isto, o marido, que no cerne do seu machismo nunca acreditou que tal emancipação fosse possível, num absoluto volte-face profundamente ferido no seu amor próprio, não suporta tal situação e acaba por ser ele a tomar medidas drásticas.
Tudo isto numa comédia, ou melhor de alta comédia, num texto brilhante a que já nos acostumou Dário Fó em todas as suas peças.

Nos Franceses – 21,30 horas

Dias
5 , 7, 12 de Dezembro

Dias
9 , 16, 23 e 30 de Janeiro 2010

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