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ARTE VIVA – Companhia de Teatro do Barreiro«Coro dos Maus Alunos» - uma verdadeira lição de filosofia !

O espectáculo «Coro dos Maus Alunos», de Tiago Rodrigues, com encenação de Carina Silva, vai manter-se em cena, no Teatro Municipal do Barreiro, até ao dia 20 de Dezembro, às quintas-feiras e sextas-feiras, pelas 22 horas.

Um espectáculo a partir do qual é possível reflectir sobre a vida, a escola…e o «sentido filosófico» que está presente, sempre, na nossa existência quotidiana.

6 min de leitura
ARTE VIVA – Companhia de Teatro do Barreiro «Coro dos Maus Alunos» - uma verdadeira lição de filosofia !

Por Jornal Rostos

No âmbito da Mostra de Teatro da SFAL, assisti ao espectáculo «Coro dos Maus Alunos» que está em cena no Teatro Municipal do Barreiro.
De facto, em boa hora, a Companhia de Teatro do Barreiro – Arte Viva, decidiu a reposição deste espectáculo. E, digo, desde já, no começo desta nota, que não devem perder a oportunidade de ir ver este espectáculo, que vai manter-se em cena até ao dia 20 de Dezembro.
Se ainda não viu, não perca. Vale a pena!

O «Coro dos Maus Alunos» tem encenação de Carina Silva e conta com um elenco jovem, criativo, dinâmico, que dão visibilidade ao presente e confiança ao futuro do teatro no Barreiro.
Todos eles são espectaculares em cena. Todos eles transmitem a força e emoção das suas «diversas» personagens, papéis e contextos.
Quando estamos a assistir ao espectáculo, por vezes, ocorre ao pensamento o filme – “Clube dos Poetas Mortos».
E, ali, sentimos abrir-se, diante de nós, a porta da Sala 501, como um espaço de julgamento e «tortura», onde entramos e, serenamente, observamos o julgamento dos sonhos e da Liberdade.

Os jovens actores são verdadeiros actores. Deslumbram-nos com a força que colocam na vivência das personagens. A emoção. O sorriso.
Este espectáculo é uma verdadeira lição de filosofia. É a filosofia da vida. É a vida com filosofia.
Escutamos a linguagem «provocatória» como um desafio à quebra de clichés e moralidades, e, acima de tudo como um verdadeiro desafio ao público, para que seja capaz de sentir a força das palavras.

A encenação é ela mesma simbólica, porque sendo marcada de cinzentismo, é contraditória com a energia do espectáculo que é uma rejeição ao cinzentismo dos dias.
O cenário funciona como um puzle. Um jogo de peças.
O cenário marca, ele mesmo, o ritmo da peça – no espaço e no tempo. Constrói-se e reconstrói-se nas situações.
Há um ritmo de temporalidade na evolução e transformações do próprio cenário, cuja arquitectura, nos movimentos dos cubos, se enquadra no ritmo das representações, dando dimensão aos lugares e o enquadramento aos contextos dos personagens.
A encenação desta peça, curiosamente, dá bem a dimensão que o teatro é, sem dúvida, uma arte que se constrói no espaço. Está de parabéns Carina Silva.
O cenário é um elemento estruturante das marcações, de enquadramento das personagens em cena, funciona como um cenário vivo, com a sua própria dimensão estética, aliás, uma dimensão que pela sua modernidade, coloca-se em oposição com o cinzentismo do conflito de ideias e valores que atravessam os diálogos do «Coro dos Maus Alunos».
Carina Silva, a encenadora, está, na verdade, em cena com os seus actores, no puzle de montagem e desmontagem, na plasticidade do cenário, no jogo de planos e volumes, na combinação escultórica que se altera, com a iluminação, com as posições dos actores, sentindo-se do princípio ao fim do espectáculo a presença do acto criador da encenação como essência do teatro.
A vida é puzle . O teatro é um puzle. E todos os movimentos das personagens e enquadramentos estéticos são gerados, através da construção e desconstrução do cenário.
O texto flui. Faz-nos sorrir. Sentimos quando o professor sorri, e, até, sentimos quando o professor está calmo. Sentimos as lágrimas. Ficamos agitados com os insultos e até sentimos o sabor da comida japonesa…
Sim – o professor tinha um ar calmo!

O ritmo da representação é excelente. Prende-nos às palavras.
Todo o palco é um lugar de acção. E, por fim, todo o teatro é um espaço de vivência dramática.
Sentimos ali a vida – a avaliação dos professores, o drama da aprendizagem, que tem que ir para além da mera repetição de «saberes acumulados».

Em suma, um grupo de jovens actores, uma jovem encenadora, uma equipa excelente, que nos dizem, no Barreiro, há uma geração que está viva e trabalha com ARTE VIVA!
Quero dizer-vos : «ESTOU ALEGRE PORTANTO», por ter visto o vosso espectáculo e aconselho aos barreirenses e pessoas da nossa região que não percam a oportunidade de ver o «Coro dos Maus Alunos».
Vocês merecem porque, afinal, não há teatro sem público. E, um público que não vos vá ver, não merece ter a vossa energia, nem a paixão que colocam no vosso trabalho.
E, já agora, metam tudo no youtube ! Parabéns!

António Sousa Pereira

SINOPSE

Coro dos Maus Alunos é a história de um velho professor de filosofia com uma “alma jovem”, fã de controvérsias e promotor do espírito crítico dos seus alunos em relação à escola. Acusado de os confundir e de manter com eles relações que ultrapassam os limites de uma relação entre professor e aluno, o professor é submetido a um processo. Esta é uma variação contemporânea sobre o julgamento de Sócrates, ocorrido em plena democracia ateniense.
Tal como em Atenas, é pela voz dos alunos que conhecemos, distorcida e interpretada, a vida do velho professor e a história do seu julgamento. Resta aos alunos registar e tornar pública a injustiça que testemunharam. No entanto, é necessário primeiro garantir que são ouvidos por todos.

Coro dos Maus Alunos foi o terceiro espectáculo da temporada de 2008/2009 da Arte Viva. Fundada em 1980, a Arte Viva é, desde há dez anos, a companhia residente no Teatro Municipal do Barreiro. Mantém actividade regular com cerca de quatro espectáculos por temporada.

O espectáculo Coro dos Maus Alunos está em cena, no Teatro Municipal do Barreiro, quintas e sextas, às 22h00, até 20 de Dezembro.
Os bilhetes têm o preço de 5 euros para o público em geral e 3 euros para grupos de dez pessoas ou mais e escolas.
Horário da Bilheteira: quinta a domingo das 18h00 às 22h00. Telef. 21 206 08 60.

Ficha Técnica

Actores
Fisa – Inês Félix
Placo – Susana Marques
Luga – Ana Pimpista
Crina – Ana Samora
Garo – Nuno Magalhães
Síbia – Catarina Serra
Lema – Rafael Costa

Encenação
Carina Silva

Assistentes de Encenação
Ana Sofia Pinto
Andreia Moreira

Direcção de Actores
Rui Quintas

Cenografia
João Pimenta

Figurinos
Joana Pimpista

Música
Nuno Fernandes

Desenho de Luz
João Henrique Oliveira

Design Gráfico
João Pimenta

Operação de Luz
Nelson de Castro

Operação de Som
André Silva

Construção de Cenário
Dário Valente

Guarda Roupa
Teresa Balbi

Video
Tiago Oliveira

Apoio à Produção e Divulgação
Rita Conduto
Joana Pimpista

Fotografia de Cena
Claudio Ferreira

Agradecimentos
João Cavaco
Maria Matilde Cavaco

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