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Moldura

Teatro Municipal de AlmadaEstreia «Uma visita inoportuna», de Copi

O Teatro Municipal de Almada estreou a semana passada a peça «A mãe», de Brecht, numa encenação de Joaquim Benite (espectáculo que estará em cena até dia 31 deste mês, seguindo depois para o Teatro Nacional São João, onde se apresentará entre 12 e 21 de Fevereiro).

No dia 14 de Janeiro o Teatro Municipal de Almada tem nova estreia, agora com a peça «Uma visita inoportuna», de Copi, encenada por Philip Boulay.

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Teatro Municipal de Almada Estreia «Uma visita inoportuna», de Copi

Por Jornal Rostos

Copi – pseudónimo artístico de Raúl Damonte Botana (Buenos Aires, 1939 – Paris, 1987) – ficou conhecido como cartoonista, actor, romancista e dramaturgo. Exuberante figura de proa do meio artístico francês das décadas de 60 e 70, Copi empenhou-se activamente também na defesa e dignificação dos homossexuais. Autor de êxitos como Eva Perón (1970), L’homosexuel ou la difficulté de s’exprimer (1971), La tour de la Défense (1981) ou La nuit de Madame Lucienne (1985) – obras já levadas à cena em Portugal por Filipe La Féria, Fernanda Lapa ou Luís Castro –, em Une visite inopportune Copi reinventa de forma absolutamente inesperada a sua própria situação de doente terminal de Sida (morrerá antes da estreia da peça, que acabará por se estrear sob direcção de Jorge Lavelli, no Théâtre de la Colline de Paris, em 1988).

É assim que, no mais inverosímil dos ambientes – o quarto de hospital onde Cirilo (Copi) morre de Sida –, se assiste a um estranho e hilariante desfile de personagens não menos bizarras. No dia em que passam exactamente dois anos sobre a data em que Cirilo descobriu que fora contaminado com o vírus da Sida, o seu amigo Humberto – velho dandy de uma elegância arcaica – resolve ir vê-lo. Esta circunstância banal desdobra-se numa sequência felliniana de visitas exóticas, desde um jovem e tímido jornalista, passando por uma diva de ópera italiana, engasgada com um osso de galinha. O doente é seguido por um lascivo professor de medicina e pela sua amante, uma enfermeira drogada e histericamente assassina. O humor negro de Copi conduz esta desvairada companhia até a uma carnavalesca morte colectiva, dissimulando num final típico do ultra-romantismo a dor lancinante da (sua) morte inevitável.

Este trabalho é assinado pelo encenador francês Philip Boulay (n. 1967) – director artístico da Wor(l)ds Compagnie – e tem cenário de Jean-Guy Lecat. Philip Boulay já dirigiu no TMA, em 2008, O ruído do mundo entrou-me no ouvido, peça de Elsa Solal, e Na solidão dos campos de algodão, de Koltès (Festival de Almada de 2006).

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