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Teatro Estúdio Fontenova - Setúbal"O Pranto de Maria Parda» de Gil Vicente

O Teatro Estúdio Fontenova, nas instalações da AERSET (Antigo Banco de Portugal), em Setúbal, leva a cena a peça «O Pranto de Maria Parda», de Gil Vicente, na próxima quinta-feira, dia 11 de Fevereiro, às 21,30 horas.

Maria Parda renasce como qualquer um de nós, vítima da sede de ter e querer em detrimento de quem é, e da consciência daquilo que é realmente indispensável.

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Teatro Estúdio Fontenova - Setúbal "O Pranto de Maria Parda» de Gil Vicente

Por Jornal Rostos

O espectáculo vai estar em cena de 5ª a Domingo.

Se Deus é amor e o vinho amante o que nos diz Maria Parda?

A obra vicentina espelha uma época de transição. Um tempo onde a soberania daquilo que estava instituído e as instituições são gradualmente subvertidas e a sua pertinência questionada. Este momento singular não foi único, nem isolado na história. A ordem político-social fortalece-se em resposta às interrogações que a comprometem, criando novas questões às quais terá de se reestruturar na busca da resposta.

Por conseguinte, se observarmos o passado, podemos realmente encontrar a marca deste círculo perpétuo, mais ou menos acentuado mas sempre presente.

Entretecida de interrogações sobre a ordem e costumes estabelecidos, a obra de Gil Vicente, encontra a intemporalidade e um eterno retorno à nossa condição de seres interrogantes.

Assim, transpõe-se Maria Parda para o século XXI e eis que deixa de ser uma identidade quebrada pelos vícios da vida, transmutando-se numa mulher obcecada pela sua necessidade de preencher e justificar as suas “faltas” através do consumo desmedido.

Desta forma, Maria Parda renasce como qualquer um de nós, vítima da sede de ter e querer em detrimento de quem é, e da consciência daquilo que é realmente indispensável.

A sede do vinho não é mais do que a sede do espírito. Aquela sede imaterial de, com o palpável, saciar os vazios de uma alma que sente e se ressente da solidão entre os pares.

Maria parda pertence a uma sociedade de consumo bem actual, onde a solidão se encontra vincada pelas suas palavras e, onde o possuir é vendido como terapia. No entanto, tal como hoje encontramos em toda a parte, o seu espírito encontra-se vazio quando confrontada com vinho que escasseia.

Por forma a potenciar o carácter intemporal do espectáculo o texto mantém-se fiel ao original, mas usando a linguagem cénica e do actor como elementos vivos desta pulsante actualidade. Com este trabalho procura exaltar-se a eterna, não inata, e crescente insatisfação. Não na forma de ambição doentia, mas por desfasamento, por irreconhecimento do eu ou até mesmo por dormência.

Ficha Técnica e Artística

Texto Gil Vicente
Encenação Eduardo Dias
Interpretação Carla Garcia
Banda Sonora Original Bruno Moraes
Cenografia, Desingn Gráfico e Dramaturgia Mónica Santos
Direcção de Actores, assistência de Encenação e desenho de Luzes José Maria Dias
Direcção de produção Graziela Dias

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