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Moldura

Na Galeria Municipal de Arte do BarreiroDuas exposições de pintura de Carlos Godinho e Luís Delgado

No sábado dia 30 de Outubro inauguram, pelas 16h00, na Galeria Municipal de Arte, no Barreiro, duas exposições de pintura com trabalhos da autoria de Carlos Godinho e Luís Delgado.

As mostras ficarão patentes ao público até 27 de Novembro.

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Na Galeria Municipal de Arte do Barreiro Duas exposições de pintura de Carlos Godinho e Luís Delgado

Por Jornal Rostos

Ambas as mostras ficarão patentes ao público até 27 de Novembro com o seguinte horário: de terça-feira a sábado, das 14h00 às 20h00.

A Galeria Municipal está situada na Avenida Alfredo da Silva, nº 15.

Carlos Godinho

Carlos Godinho considera que a pintura a óleo deixa antever "uma forma diferente de olhar a cor dos espaços que se podem contemplar. Cada traço pode ser olhado de múltiplas formas. Assim, cada quadro é o despertar para uma realidade de descobertas para além do consciente. A luz, a forma e a cor transportam‐nos para um número (in)finito de construções que apenas cada um pode percepcionar. Em cada ponto visionamos um equilíbrio expresso nos modelos. Aqui não temos que olhar o que nos é comum, mas o que nos conduz a uma visão mais lata de tudo quanto nos rodeia. Cada pintura é mais do que aquilo que conseguimos fotografar. É aquilo que nós queremos em cada momento. É o que se pode ver naquilo que cada tela apresenta".
As Visões... são desiguais ou semelhantes, abrangentes ou desconcertantes mesmo que tiradas num "flash" impossível de prever.
Reproduzir não é mais que acrescentar ou tirar o melhor que se pode encontrar. O grito emergente com inspiração no feminino, provoca no gesto o equilíbrio que precisamos para o planeta.
O criar, recriar e procriar é uma das facetas do homem. Um quadro que transforma o hoje numa nova janela.
Assim o ego‐centro passa a homo‐centro, na certeza que tudo se transforma, mas nada se altera...
Nem as visões alteramos

Luís Delgado
O MEU PERCURSO

Aos sete anos, vi pela primeira vez um desenho. Um desenho a giz, feito pela professora no quadro da escola. Nunca mais o esqueci.
Durante a escola primária, sempre desenhei nos cadernos diários, como qualquer aluno. Era sempre escolhido para participar em trabalhos onde entrassem desenhos.
Não sei bem porquê! Diziam que desenhava bem, mas eu simplesmente desenhava, tal como hoje. Umas vezes bem, outras mal. O que se passava comigo é que gostava de desenhar, nada mais. Adorava lápis de cor e ficava apaixonado pelos lápis grandes.
Talvez fosse uma mania, mas o certo é que as cores eram mais puras.
No final de cada ano, podia encontrar na arrecadação da escola, os cadernos diários de todos os meus colegas. Só o meu não estava.
No exame da 4ª classe, quase todos os alunos levavam um trabalho feito pelo pai, parente ou vizinho. Eu também levava o meu, só que todo executado por mim. Mal ou bem, dava‐me gozo ser eu a realizá‐lo.
Aos dez anos tomei contacto com os guaches do meu irmão. Dois anos mais tarde, na Escola Alfredo da Silva, pintei pela primeira vez com tintas a óleo. Estas foram‐me emprestadas pelo Mestre Rui (Mestre Careca, como era conhecido este professor de Trabalhos Manuais).
Um dia, um amigo pedira‐lhe para fazer um quadro e ele achando que eu era capaz de o pintar, incumbiu‐me dessa tarefa. Era uma reprodução de um quadro das célebres pontes levadiças em Anglois de Van Gogh, mas com umas pequenas alterações que ele me pedira para fazer. Fui um aluno medíocre, mas tanto a trabalhos Manuais como a
Desenho sempre obtive as notas de dezoito, dezanove e vinte nos respectivos períodos.
Neste ano, os meus pais foram chamados à escola para me matricularem na António Arroio, para onde nunca fui.
No primeiro ano do curso, o antigo 3º ano (7º actual), a pedido da professora de Desenho, era eu que classificava e dava as notas finais a todos os meus colegas de turma, uma tarefa que muito me alegrava.
Nestes e nos seguintes anos, tal como na escola primária, os meus desenhos continuavam a desaparecer mesmo estando incompletos. Um dia a professora de Português viu‐me com uma colecção de guaches que fiz e pediu‐mos para mostrar não sei a quem. O certo é que nunca mais mos devolveu.
Por falta de vocação, abandonei a escola no 5º ano para ir trabalhar para a construção civil, mas sempre continuei a desenhar. Mais tarde, na tropa, pintei algumas telas e fiz inúmeros desenhos.
Já a trabalhar na Quimigal e em três turnos, resolvi frequentar a ARCO onde andei três semestres. Ia como podia. Uns dias ia às aulas, outros faltava.
Tal como nas outras escolas, também aqui as minhas pinturas voltaram a desaparecer.
Tudo o que fiz em oito meses marchou.
Presentemente continuo a pintar, conforme a minha disponibilidade. Fiz apenas três exposições individuais e já pintei mais de duzentas telas o que não é muito, mas é o possível.

LUÍS DA SILVA DELGADO
11‐8‐2008

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