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TEB – Teatro Ensaio do BarreiroUm telefonema que nos conduz ao (re)encontro de memórias

O TEB – Teatro de Ensaio do Barreiro estreou a sua nova peça – “O Telefonema”, de Carlos Coutinho, com encenação de Graciano Simões.

Uma peça que é um grito de esperança, um eco de um Abril conquistado que, sem dúvida, todos devemos assumir como essencial manter vivo e… passar às gerações futuras.

5 min de leitura
TEB – Teatro Ensaio do Barreiro Um telefonema que nos conduz ao (re)encontro de memórias

Por Jornal Rostos

O TEB – Teatro de Ensaio do Barreiro estreou a sua nova peça – “O Telefonema”, de Carlos Coutinho, com encenação de Graciano Simões.

O espectáculo em um acto decorre com ritmo e intensidade. Os actores assumem de forma plena os seus papeis.
Conceição Lopes, no papel de mãe, está perfeita na sua personagem, como uma boa dicção, assim como, o veterano António Jorge dos Santos, que com ela contracena tem um registo muito positivo.
O jovem Pedro Fona, no papel de filho, dá à sua personagem o seu real contexto.

O cenário é simples, permitindo aos personagens uma total afirmação no espaço.
A iluminação da peça, como sempre, é brilhante, usando Graciano Simões este elemento como um factor que contribui para criar situações de dimensão psicodramáticas.
No final, a mudança dos panos de fundo do preto para o branco – como quem rasga o tempo e a vida – seguindo-se a projecção de imagens alusivas à saída dos presos políticos da prisão, acompanhadas de música de intervenção, o hino de Abril - Grãndola Vila Morena - sente-se, com emoção, a ruptura com um tempo de repressão e o nascer de uma “ponte de som e luz”, que brota com as raízes forjadas na resistência que conduziu à conquista da Liberdade.
É, sem dúvida, um momento empolgante.
Por fim, aquele quadro final, com a participação das crianças Bárbara Gonçalves e Ruben Mares, acompanhados de Rogério Rosa e Celeste Ricardo, surge, afinal, como um grito de esperança de um Abril conquistado que, sem dúvida, todos devemos assumir como essencial manter vivo e… passar às gerações futuras, num fraterno abraço!

Portanto, aqui fica o registo e não esqueça, num sábado à noite, pelas 21,30 horas, vá à Oficina de Teatro Mário Pereira, onde pode assistir a um espectáculo que proporciona um reencontro com memórias que marcaram gerações e que sempre é bom reviver…para que a memória não esqueça!

António Sousa Pereira

O TELEFONEMA

“O Telefonema”, que reporta ao 25 de Abril de 1974 e ao período que o antecedeu, está em cena todos os sábados, pelas 21h30 (excepto dias 18 e 25 de Dezembro, e 1 de Janeiro).
Informações e reservas: 21 207 4685 / 91 942 7088.
A Oficina de Teatro Mário Pereira encontra-se na Rua Conselheiro Joaquim António de Aguiar, 337, Barreiro (junto ao Restaurante “A Transmontana”).
Este espectáculo conta com o apoio da Câmara Municipal do Barreiro.

Sobre a peça

«A acção decorre nos tempos conturbados do antes 25 de Abril.
Um telefonema pode dar origem a uma salvação ou a uma prisão por tempo indeterminado.
Durante a noite o telefone é a coisa mais importante para os intervenientes desta história. À noite, pode haver uma chamada para a vida, ou revelar o que de mais sinistro há no ser humano.
Os valores morais, humanos e políticos serão postos em causa. A verdade, por muito bem escondida que esteja, é posta a descoberto.
Um só telefonema irá mudar para sempre a vida de uma família.
Mas, quando tudo parece perdido, quando tudo à volta se desmorona, quando liberdade, dignidade e esperança parecem palavras vãs, sem qualquer sentido, um simples arrastar dos pés vem galvanizar todos estes valores que pareciam perdidos. Um simples arrastar dos pés, vem lembrar a todos que mesmo que estejamos de rastos podemo-nos erguer e gritar bem alto, BASTA!»

Sobre o autor

«Carlos Alberto da Silva Coutinho nasceu em 22 de Agosto de 1943 em Fornelos, povoação do Alto Douro, onde viveu até aos 22 anos. Estudou durante 4 anos no Seminário de Vila Real. Fez nesta cidade o curso de Magistério, tendo leccionado num asilo de crianças.
Tendo denunciado vigorosamente as condições desumanas em que viviam as crianças asiladas, Carlos Coutinho conseguiu, com a colaboração da população da cidade, que a respectiva diocese encerrasse o referido estabelecimento, o que sucedeu após a fuga de muitas crianças asiladas.
Permaneceu em Moçambique durante dois anos como enfermeiro das tropas ocupantes. As suas actividades políticas levaram-no a um Auto de Corpo de Delito, nada tendo as autoridades militares conseguido provar.
De regresso à metrópole leccionou em Lisboa; escreveu vários originais (Teatro e Contos) que não publicou. Em 1971, Fernando Luso Soares incluiu na colecção “Cena Aberta”, que dirigia no jornal do Fundão, a peça num acto único “O Herbicida”, saudado pela crítica da especialidade. Nesse mesmo ano, deslocou-se ao estrangeiro numa viagem integrada na luta clandestina em que participava, tendo regressado no ano seguinte. Em 22 de Fevereiro de 1973 foi preso sendo libertado 14 meses depois, com o 25 de Abril, altura em que decorria a fase final do seu julgamento.»

Ficha Artística

Mãe – Conceição Lopes
Pai – António Jorge dos Santos
Filho – Pedro Fona
Participação de: Rogério Rosa, Celeste Ricardo e das crianças Bárbara Gonçalves e Ruben Mares
Agradecemos a colaboração de: Helena Marques, Maria Teresa, Elisabete e António Fona.

Ficha Técnica

Autor – Carlos Coutinho
Encenação – Graciano Simões
Contra Regra – António Jorge dos Santos
Cenografia – Graciano Simões
Executado por – José Brito
Assistido por – Fernando Santos e António Jorge dos Santos
Projecto de Luz e Som – Graciano Simões
Operadores de Luz e Som – Susana Santos, Tina Santos e Vanessa Nunes
Técnico de Luz – João Santos
Electricista – António Jorge dos Santos
Ponto – Fernando Santos
Caracterização – Celeste Ricardo
Recolha de Imagens – António Jorge dos Santos, Fernando Santos e Pedro Baião
Apoio na Divulgação – Câmara Municipal do Barreiro
Produção – TEB 2010

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