Teatro Municipal de AlmadaFecha o ano com ciclo dedicado a Eugene O’Neill
Na Sala Principal, a partir de 1 de Dezembro, Rogério de Carvalho dirige O luto vai bem com Electra, com um elenco que inclui, entre outros, as actrizes Teresa Gafeira e São José Correia.
Na Sala Experimental, a partir de 25 de Novembro, Joaquim Benite encena o primeiro e o último monólogos escritos por O’Neill: Antes do pequeno-almoço, com a actriz Anabela Teixeira, que se apresenta pela primeira vez numa peça da CTA, e Hughie, protagonizado por Paulo Matos.

Por Jornal Rostos
O TMA acaba o ano concluindo o ciclo de teatro dedicado a Eugene O’Neill – um dos autores mais importantes da dramaturgia mundial. O ciclo iniciou-se em Março do ano passado com a peça Uma longa jornada para a noite, encenação de Rogério de Carvalho.
Enquanto que na Sala Principal, a partir de 1 de Dezembro, Rogério de Carvalho dirige O luto vai bem com Electra, com um elenco que inclui, entre outros, as actrizes Teresa Gafeira e São José Correia; na Sala Experimental, a partir de 25 de Novembro, Joaquim Benite encena o primeiro e o último monólogos escritos por O’Neill: Antes do pequeno-almoço, com a actriz Anabela Teixeira, que se apresenta pela primeira vez numa peça da CTA, e Hughie, protagonizado por Paulo Matos.
Hughie e Antes do pequeno-almoço está em cena de 25 de Novembro a 19 de Dezembro, de Quarta a Sábado às 21h30 e Domingo às 16h, com entradas de 6€ a 12€; O luto vai bem com Electra apresenta-se de 1 a 19 de Dezembro, de Quarta a Sábado às 21h00 e Domingo às 16h00, com entradas de 7€ a 15€.
O luto vai bem com Electra: uma tragédia moderna
Regresso, Caçados e Assombrados são as três partes em que se divide esta tragédia de O’Neill. Para esta trilogia o dramaturgo norte-americano inspirou-se na Oresteia, de Esquilo, constituída pelas peças Agamémnon, Coéforas e Euménides. O’Neill situa a acção no final da Guerra da Secessão Americana, em 1865, no momento em que o general vencedor Erza Mannon regressa a casa, na Nova Inglaterra (emblema da América genuína, por ser aí que se estabeleceram, no século XVII, os Pilgrim Fathers, imigrantes fundadores). Tal como Agamémnon, Erza é a primeira vítima da corrupção profunda da família, que se autodestrói pelo crime. Onde Ésquilo buscara um horizonte ético e político onde a lei triunfa sobre a vingança, O’Neill desenha a atmosfera malsã do inconsciente insuspeito e indomável que hipoteca no homem a liberdade de perseguir o Bem.
Dois monólogos sobre a solidão
Tanto a Sra. Rowling, protagonista de Antes do pequeno-almoço, como Erie, protagonista de Hughie, têm como interlocutores duas personagens praticamente mudas. A primeira descarrega no marido a frustração que sente pela degradação a que chegou o seu casamento; o segundo encontra no porteiro da noite do hotel barato em que irá dormir o último reduto que o salve de mais um dia sem sentido, desbaratado no submundo do jogo de uma Nova Iorque mergulhada na Grande Depressão. Face a uma sociedade que promete levianamente a redenção universal, ao mesmo tempo que exclui cirurgicamente os «infiéis», Joaquim Benite expõe cruamente as suas contradições (não sem um rasgo de humor sábio), confiando na capacidade do público para transformar em acção a perplexidade que o espectáculo lhe provoque.
O autor
Eugene Gladstone O’Neill (Nova Iorque, 1888) conheceu cedo o mundo teatral, acompanhando seu pai em tournées pelos EUA. Em 1906 ingressa na Universidade de Princeton, donde é expulso pouco depois. Influenciado por escritores como Jack London e Joseph Conrad, parte em 1912 para as Honduras, onde trabalha como garimpeiro e marinheiro. De regresso aos EUA, contrai tuberculose. Apesar de uma constante inquietação social de cariz socialista e anarquista e de uma genuína preocupação com os excluídos do sonho americano, as suas peças podem arrumar-se em três períodos: as iniciais, profundamente realistas, que partem do passado aventureiro do dramaturgo; aquelas em que, já nos anos 20, o realismo cede à tentativa de retratar as forças que, ocultas ou mesmo ignoradas, controlam os actos humanos (um realismo poético, claramente influenciada pelo pensamento de Nietzsche, Freud, Jung e Strindberg); e os textos finais que, retomando o ambiente realista, se constroem como grandes frescos marcadamente autobiográficos. O’Neill morrerá em 1953.
Ficha técnica
HUGHIE e ANTES DO PEQUENO-ALMOÇO
de EUGENE O’NEILL
Encenação Joaquim BENITE
Assistente de encenação Rodrigo FRANCISCO
Tradução Helena BARBAS
Cenário Jean-Guy LECAT
Luz José Carlos NASCIMENTO
Intérpretes
Hughie Paulo MATOS, Pedro WALTER
Antes do pequeno-almoço Anabela TEIXEIRA
Estreia a 25 de Novembro
Em cena até 19 de Dezembro
De Quarta a Sábado às 21h30
Domingo às 16h00
Preço: de 6€ a 12€
Sala Experimental, M/12
Ficha técnica
O LUTO VAI BEM COM ELECTRA
(Mourning Becomes Electra)
de Eugene O´NEILL
Encenação Rogério de CARVALHO
Tradução Helena BARBAS
Cenário José Manuel CASTANHEIRA
Figurinos Mariana Sá NOGUEIRA
Luzes José Carlos NASCIMENTO
Sonoplastia Guilherme FRAZÃO
Intérpretes André ALBUQUERQUE, Bernardo ALMEIDA, Celestino SILVA, Laura BARBEIRO, Marques D´AREDE, Miguel MARTINS, Paulo GUERREIRO, São José CORREIA, Sofia CORREIA, Teresa GAFEIRA
Estreia a 1 de Dezembro
Em cena até 19 de Dezembro
De Quarta a Sábado às 21h00
Domingo às 16h00
Preço: de 7€ a 15€
Sala Principal, M/12
Foto - TMA/ Rui Carlos Mateus













