GRUPO PERSPECTIVA (Barreiro) excluído da homenagem aos músicos portugueses no BBCBandas do Pop / Rock Português do último meio século

Por Jornal Rostos
Tocaram ao Vivo com a Orquestra da Emissora Nacional nas Ruínas do Carmo e gravaram dois Singles, era assim que se chamavam. Tocaram do Minho ao Algarve e foram contaminados pela “falência” da empresa discográfica (Imavox) para quem gravavam.
António A. Duarte disse deles o seguinte no livro (1983) dos 25 Anos do Rock Português:
"Lá fora a cidade" e "Os homens da minha terra" são os temas que compõem o primeiro 45 rotações, editado na primavera de 1977, na mesma altura em que, pela primeira vez assisti a um espectáculo do grupo numa colectividade do Barreiro. Apesar das deficiências sonoras fiquei bastante bem impressionado com o trabalho dos cinco músicos em especial com o de Tó Pinheiro da Silva. Quanto ao single, tratava-se de uma pequena obra prima do Rock de expressão Portuguesa "Lá fora a cidade" que se transformou num verdadeiro hit, descreve-nos um amanhecer na "Cidade já velha de tudo", "de espanto cansada" de "fumo e suor". no seu interior encontra-se a massa anónima "de homens iguais, concentração", "de homens sem rosto manifestação", "de homens sem corpo revolução", Do seu quarto, o seu "deserto feito de esperanças até á garganta", o dissidente observa a solidão e ali se "desvenda e "descobre". A musica surge límpida e cristalina, em oposição à agressividade do exterior. Tó Pinheiro faz maravilhas com a guitarra e a flauta, as orquestrações são excelentes e a voz do Vítor Real é natural e desenvolta, de um timbre muito bonito. Lá fora a cidade é uma das mais belas composições de toda a história do nosso Rock.
Não tenho dúvidas quanto à legitimidade dos homenageados seleccionados pela SPA. Mas porquê 40? Porque não 42 ou 50? Existem certamente outros com as mesmas ou semelhantes “dores” Talvez o preço da lembrança que vão entregar aos grupos fosse uma limitação que o orçamento não conseguiu ultrapassar. Talvez mais bandas excedessem a capacidade das cabecinhas organizadoras, quem sabe? É uma homenagem cheia de manhosice que por isso mesmo denuncio. Como se já não bastasse termos que ouvir a toda a hora chamar pai do rock ao Rui Veloso, com uma vénia à sua grande qualidade e contributo para o mesmo, temos agora que ser excluídos da história pelos iluminados e doutos senhores da Sociedade Portuguesa de Autores.
Luís Miguel Bravo Ferreira da Luz / Músico Perspectiva
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