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Moldura

Ditirambus no Forum Cultural José Figueiredo na MoitaA vida ao redor de uma cama ou a «epopeia» da busca da felicidade

A vida roda de facto, ali, ao redor de uma cama, e, sentimos, através de um raio de luz, que há uma janela que se abre para o exterior, como quem diz que há mais vida para além daquele ponto de encontro com os dramas psicológicos dos personagens.

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Ditirambus no Forum Cultural José Figueiredo na Moita A vida ao redor de uma cama ou a «epopeia» da busca da felicidade

Por Jornal Rostos

“O Frio que faz na Cama” uma peça de teatro da Ditirambus - Associação Cultural de Pesquisa Teatral, esteve em cena, no auditório do Fórum Cultural José Manuel Figueiredo, na Baixa da Banheira, concelho da Moita.
O cenário é marcado pela presença central de uma cama, ponto de encontro com todos os dramas, diálogos, lugar de encontros e reencontros.
A cama é afinal o símbolo da nudez humana, que dá unidade ao espectáculo e, é, sem dúvida, o lugar onde as personagens se confrontam com os seus dramas.
Um lugar que, pelo texto, sentimos que combina o prazer com a busca de valores, e, dá o sentido humano da vida que choca, perturba, e, nos envolve nos afectos.
Uma peça onde, sem dúvida o texto tem uma força central, que obriga o espectador a seguir de forma atenta os diálogos e acompanhar a evolução, os conflitos das personagens.
Um texto que pode ser caricatural de estilos de vida, de modos de pensar e sentir os dias, ou, simultaneamente, um grito de alerta para a hipocrisia, dos jogos, das relações marcadas pela busca de um sentido para a vida.
A vida roda ao redor de uma cama – um lugar que se torna frio pela ausência de amor.
Onivaldo Dutra, Célia Figueira, Carlos Alves e Joana Lourenço, são os quatro actores, que dão vida às personagens, com uma perfeita criação plástica de movimentos, de gestos, sem vulgarizar ou banalizar a exigência de um texto irónico e critico.
São interpretações que dão vida intensa às personagens, sem tabus nas palavras, com forte expressividade nos rostos, que nos fazem sentir as dores psicológicas das personagens.
Os actores e o texto dominam o espectáculo.

Uma peça que vale a pena ver, porque abre um caminho imenso a muitos temas de reflexão – o casamento, a prostituição, a droga, a homosexualidade, as relações humanas, o amor, o ódio, os desejos, os valores, a solidão, a velhice, a violência doméstica – temas de reflexão que se abrem, e, fazem-nos pensar na vida.
A vida roda de facto, ali, ao redor de uma cama, e, sentimos, através de um raio de luz, que há uma janela que se abre para o exterior, como quem diz que há mais vida para além daquele ponto de encontro com os dramas psicológicos dos personagens.
A cama é o lugar de construção e desconstrução. Ali, tudo é colocado em causa, criando e recriando relações humanas, que se destroem pela frieza da linguagem, pela busca de um sentido para a vida, pela angústia de lançar interrogações.
Uma peça psicanalítica, que faz pensar em Freud – que tudo explica – ou em Reich.
Uma peça que rasga ambiguidades e nos empurra para a descoberta da palavra - AMOR!
O final do espectáculo é marcado por uma subtileza cénica, de troca de olhares entre as personagens, que se cruzam, encontram e reencontram, mas, por fim, cada um fica, no seu lugar – ali, só, cada um existe no encontro consigo mesmo, num canto da cama.
Talvez, a mensagem desta peça seja essa mesma – a vida é um caminhar em busca da felicidade, um sonho que se constrói, e, afinal, só cada um de nós, na sua individualidade pode descobrir esse lugar para construir a felicidade – viver o mundo interior, e, acreditar em si mesmo, como sendo esse o caminho para ser feliz com o(s) outro(s).

S.P.

SINOPSE

“O Frio que faz na Cama”

Ana e Luís são um casal, vivem juntos há vários anos, não têm filhos. Luís é professor, Ana é licenciada mas desempregada. Mantêm uma relação assente na rotina e na habituação e parecem estar cada vez mais longe um do outro.
Tó e Cátia, mais jovens, vivem um relacionamento movido pelo sexo e pelo prazer imediato. Sentimentalmente, não são capazes de envolver-se demasiado.
Que saídas existem quando a relação entre duas pessoas se torna tão distante e monótona que já nenhum dos dois a consegue suportar? Será possível amar alguém que recusa realmente ser amado? Porque é que já não conseguimos comunicar um com o outro? Porque é que até o sexo já parece um frete? Não te lembras porque é que eu fui ao Psicólogo ou já estás esquecido? Tu é que começaste a dizer que eu te sufocava!
“O Frio que Faz na Cama” leva-nos a acompanhar os encontros e desencontros destas personagens movidas pela procura do que os afectos lhes podem oferecer. Esta peça propõe uma reflexão sobre as relações afectivas, num retrato duro, actual e sem tabus da busca pela satisfação sexual e amorosa.

Ficha Técnica:

Autor - António Manuel Revez.
Encenação - Marco Mascarenhas.
Interpretação - Carlos Alves, Célia Figueira, Joana Lourenço, Onivaldo Dutra.
Som - Ricardo Fernandes.
Luz - Rúben Silva.
Produção - Ditirambus - Associação Cultural de Pesquisa Teatral.
Contactos para informações - 919097077 966564933
ditirambus@netcabo.pt
Apoios - Gebalis, E.E. e C.M.L.
Organização – Ditirambus

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