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A commedia dell´arte no cinema em Almada28.º Festival de Almada ciclo de cinema

Arranca já hoje, terça-feira, 12 de Julho, na esplana¬da da Escola D. António da Costa, um ciclo de cinema dedicado à Commedia dell’Arte, importante género teatral celebrado nesta 28.ª edição do Festival de Almada.

4 min de leitura
A commedia dell´arte no cinema em Almada 28.º Festival de Almada ciclo de cinema

Por Jornal Rostos

Com selecção do realizador e crítico de cinema Lauro António, este ciclo de seis filmes prolongar--se-á até Domingo, dia 17, sempre às 22h00 (com excepção de Sexta e Domingo, às 23h30, depois dos espectáculos no Palco Grande). Da programação constam os clássicos Molière, de Laurent Tirard, 2008 (3.ª f., 12), Les enfants du paradis (Os rapazes da geral), de Marcel Carné, 1945 (4.ª f., 13), Le carrosse d’or (A comédia e a vida), de Jean Renoir, 1953 (5.ª f., 14), Roxanne, de Fred Shepsi, 1987 (6.ª f., 15), Cosi fan tutte (ópera buffa de Mo¬zart), do Teatro de Marionetas de Salzburgo, 1983 (sáb. 16) e Cyrano (Cyrano de Bergerac), de Jean-Paul Rappeneau,

A Commedia dell’Arte no cinema
Lauro António

Pode dizer-se que as rela¬ções entre o teatro e o cinema têm sido muito frequentes, desde o aparecimento do cine¬ma, mas sobretudo, e compre¬ensivelmente, desde o sonoro. Diga-se que nem sempre com bons resultados, pois se desde sempre o teatro foi considera¬do arte nobre, o cinema ini¬ciou-se como divertimento de feira que foi buscar alguma legitimidade cultural ao adap¬tar, ou melhor dizendo “ilus¬trar”, peças de renome para este novo meio de expressão. Mas se o teatro sempre esteve de mãos dadas com o cinema, a verdade é que a Commedia dell’Arte nunca despertou um verdadeiro entusiasmo entre os cineastas, com raras e hon¬rosas excepções.
Sendo popular e vivendo do improviso, itinerante e taxati¬va nas suas personagens típi-cas, a Commedia dell’Arte não parece enquadrar-se bem no que costuma ser “a adaptação cinematográfica de uma peça de teatro”.
Mas o tom e o espírito da Commedia dell’Arte não dei¬xaram de estar patentes, e, ao seu jeito, de serem homenage¬ados nalguns títulos inesquecí¬veis da sétima arte. Desde logo em Os Rapazes da Geral (Les Enfant du Paradis), de Mar¬cel Carné (França, 1945), com Arletty, Jean-Louis Barrault, Pierre Brasseur, onde o tema permitia abordar a Ocupação Nazi da França, o que trans¬formou os três anos de roda¬gem quase clandestina numa verdadeira epopeia. Obra-pri¬ma incontestável, a propósito da qual Truffaut disse ter tro¬cado de bom grado a realiza¬ção dos seus trinta e tal filmes pela possibilidade de a assi¬nar, acaba por ser um hino ao amor e ao teatro. Como se diz na obra, «Les Enfants du Para¬dis ne sont pas beaux, ils sont heureux, tout simplement».
Outra obra-prima chama-se A Comédia e a Vida (Le Carrosse d’ Or), de Jean Re¬noir (França, 1953), com Anna Magnani, magnífica reconstituição da vida de uma companhia teatral por terras da América Latina, inspirada livremente em Carrosse du Saint Sacrement, de Prosper Mérimée. Renoir lança-se num retrato voluptuoso e feérico, visualmente esplendoroso, tendo como base o teatro e, sobretudo, a Commedia dell’Arte com as suas convenções e liberdade, interpe¬lando a sempre sugestiva duali¬dade entre a arte e a vida. Anna Magnani resplandece, num papel feito à sua medida.
Cyrano de Bergerac, do francês Jean-Paul Rappeneau (França, 1990), com Gérard Depardieu, Anne Brochet e Vincent Perez, é seguramente a melhor versão da vida aventurosa do célebre poeta e actor Hercule-Savinien de Cyra¬no de Bergerac (1619 – 1655), que Edmond Rostand tornaria imor¬tal com a sua peça de 1897. Ante¬riormente já Mel Ferrer, nos EUA, havia interpretado o papel, numa obra homónima de 1950. O mes¬mo herói inspirara Roxanne, que Fred Shepsi (EUA, 1987) actuali¬zaria para os nossos dias, numa versão curiosa, interpretada por Steve Martin e Daryl Hannah.
Molière conta igualmente com duas criações da sua vida que se cruza obviamente com a Comme¬dia dell’Arte. Uma dirigida pela encenadora Ariane Mnouchki¬ne (França, 1978), que depois de montar o seu espectáculo nos pal¬cos franceses o levou ao cinema com igual sucesso. Interpretado por Philippe Caubère, Marie-Françoise Audollent e Jonathan Sutton, este Moliére é indispen¬sável para quem goste de cinema e teatro. Uma nova obra sobre o mesmo dramaturgo surgiu em França em 2008, com assinatura de Laurent Tirard e Roman Duris no papel de Molière.

Ciclo de cinema
Inserido no
Ciclo commédia dell’arte
Selecção de filmes de Lauro António
Esplanada da Escola D. António da Costa

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