Acção Teatral Artimanha do Pinhal Novo - Palmela«O Solário» pela Companhia de Teatro Poucaterra do Entroncamento

Por Jornal Rostos
O Solário
de Fernando Augusto
Há temas que contêm tamanha força que nos impelem, arrastam, perseguem como trevas na nossa percepção. Ou porque nos revemos neles, como espelho da nossa essência, ou porque nos encantam, fascinam, seduzem ou enfeitiçam. Ou ainda por razões que a própria razão desconhece. O texto de
Fernando augusto “O Solário”, desponta inevitavelmente no nosso trilho, porquanto a necessidade de o compartilhar, é muito mais forte do que nós.
Alguns excertos do teor são espontaneamente reconhecidos. Para mim são incessantemente autênticos, arrepiantes, eternamente únicos e entretanto estamos perante um espectáculo de teatro, indissociável da vertente estética e artística que sempre nos norteou.
E quando descubro um texto que nos reporta a acção para um período recente da nossa história ainda presente na memória dos mais velhos e no entanto tão distante dos mais jovens, que parece ter sido dactilografado unicamente para nós, mesmo que o planeássemos, não conseguiríamos libertarmo-nos dele.
SINOPSE
A cena desenrola-se no jardim de um hospital que trata doentes do foro psicológico. Na década dos anos setenta eram designadas casas de repouso, para onde os filhos de pais abastados eram enviados com o intuito de repousar e recuperar as suas forças.
“O Solário” é o espaço no jardim onde todas as tardes a Sra. Enfermeira Elvira e três pacientes jovens dum piso duma ala do Hospital vão tomar um pouco de sol até ao anoitecer, o lanche e conviver. O solário é marcado pela rotina dos pacientes e das conversas até que, certa tarde, as conversas estabelecidas entre os três pacientes tornam-se mais agressivas que o normal. Exorcizam os seus medos, os seus pavores e as suas memórias. A ironia do paciente Eduardo, marcado pela missão na guerra colonial, desponta a agressividade verbal da Adriana que, com a protecção da sua amiga Carolina e da enfermeira, impõe o suicídio ao Eduardo
pelo entardecer desse dia. Quer a ironia do destino que esse entardecer seja o do dia 24 de Abril de 1974, claramente marcado pela voz de Paulo de Carvalho, na música de José Calvário e letra de José Niza “E depois do adeus”.
Eduardo é a “ponte” para a ligação à história recente de Portugal, nomeadamente da guerra do ultramar e da ditadura salazarista vivida e suportada pelos portugueses.
FICHA TÉCNICA E ARTÍSTICA
O Solário
Adaptação livre da obra de Fernando Augusto
Prémio Eça de Queiroz - Câmara Municipal de Lisboa - 1992
Nomeações no Festival Nacional de Teatro – 2009
Melhor Espectáculo – Melhor Encenação – Melhor Interpretação Masculina
Prémio no Festival Nacional de Teatro – 2009
Melhor Interpretação Feminina – rute lourenço
adaptação livre e encenação - rafael vergamota
interpretação
Adriana catarina pinto
Carolina rute Lourenço
Elvira goreti meca
Eduardo rafael vergamota
cenografia - Teatro da Trindade
ambiências sonoras - rafael vergamota
desenho de luz -rafael vergamota
sonoplastia - tiago reis
luminotecnia- Ana capela alves
desenho gráfico - jorge bilreiro
fotografia- rui canto
produção - CTP / 2008
classificação etária M/6
- Espectáculo em um acto, com duração aproximada de setenta minutos sem intervalo.













