«O Barreiro deve muito a Manuel Cabanas e ao que hoje é esta cidade»sublinha Kira, artista plástico «in memoriam» de Manuel Cabanas
A exposição vai estar patente ao público até ao próximo dia 18 de Fevereiro.
Foram muitos que marcaram presença, no acto inaugural, pessoas dos mais diversos sectores politicos do Barreiro, que, simbolizam bem, a forma de estar e viver a sua vida por Mestre Manuel Cabanas, um homem que é uma referência para o Barreiro.

Por Jornal Rostos
No catálogo da exposição podem ser lidas as palavras que transcrevemos, do artista plástico Kira, que com esta exposição, hoje, no dia 11 de Fevereiro, data que assinala o 110º aniversário do nascimento do Mestre Manuel Cabanas, recordou ao Barreiro, com as suas magnificas telas – o homem, a obra, os seus valores e sonhos de democrata e lutador pela liberdade.
MESTRE MANUEL CABANAS
Conheci o Mestre Manuel Cabanas no Café Tico-Tico, Barreiro. Chamou-me a atenção de imediato o seu entusiasmo pela xilogravura que praticava todos os dias em pleno, no dito café.
Nas primeiras impressões fiquei de imediato convencido que estava perante um grande artista e muito mais.
Nas nossas conversas era um homem aberto, sabedor, coerente, bondoso e que gostava de me contar histórias da sua vida de cidadão, da sua actividade política, do seu humanismo perante a vida. A sua frontalidade e a sua coerência levaram-no várias vezes à prisão pelos bufos da PIDE. Nunca ninguém o vergou. As suas ideias vinham ainda com mais força e, perante os jovens que o cercavam na sua mesa de trabalho ( no café) dava conta da sua estadia, dos interrogatórios dos esbirros e, de dedo em riste abria-nos os olhos discursando, sem medo, indicando-nos que o fascismo um dia iria acabar, que havíamos de conhecer a liberdade que nos conduz à democracia.
De braços ao alto e janela aberta para quem olhasse visse o busto da República, lembro-me de, um 5 de Outubro em que a guarda republicana fez carga à sua porta (como era costume em várias ocasiões) ter gritado para a cavalaria: - Que é lá isso? Eu sou um democrata. Fora daqui. A guarda recuou mas no outro dia já não apareceu no Tico-Tico. Levaram-no para o Aljube. Era a vez do Mestre Augusto Cabrita colocar na montra da sua casa de fotografias um grande retrato do Mestre Cabanas. E aí ficava até que o soltassem.
O Barreiro deve muito a Manuel Cabanas e ao que hoje é esta cidade. Salve Mestre e obrigado.
Kira
Visite a exposição na Cooperativa Operária «Os Corticeiros», na Rua Drº Eusébio Leão, nº 11, no Barreiro.
A exposição pode ser visitada todos os dias das 17 às 21 horas.













