Trienal Movimento Desenha12 em SetúbalDuas exposições no Museu de Arqueologia e Etnografia

Por Jornal Rostos
O Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal/ Assembleia Distrital de Setúbal irá inaugurar duas exposições no Sábado, dia 20 de Outubro, pelas 17h00, integradas na “Trienal Movimento Desenha’12”:
- “Jorge Costa. 30 anos de Desenho Arqueológico”
- Colectiva de artes visuais “Ilustrar a Palavra”,
Entrada livre.
A exposição “Ilustrar a Palavra”(baseada no livro“De Gante a Samotrácia. Poemas Ocasionais”, Soares, J. (2012). Setúbal: CEB), tem a participação dos seguintes artistas:
Ana Férias; Catarina Garcia; Eduardo Carqueijeiro; Fátima Pinto e Rosa Nunes.
Na inauguração haverá um momento de dança clássica, com Claudia Louzada, aluna da classe de ballet do V.F.C. e coreografia de Yolande Cloetens, bem como poesia dita por João Completo.
Sobre a exposição:
“Jorge Costa. 30 anos de Desenho Arqueológico”
Jorge Jesus Domingos Costa nasceu em 30 de Junho de 1945, no concelho de Palmela, freguesia do Pinhal Novo. O seu pai, Casimiro Domingos Costa, natural de Carvalhinho da Moita, e sua mãe Virgínia de Jesus, natural de Beja, conheceram-se por intermédio do avô materno de Jorge Costa pois tinham em comum a profissão, ligada aos caminhos-de-ferro.
Jorge Costa frequentou o Curso Geral de Comércio em Setúbal e realizou diversas formações complementares.
Desde muito cedo revelou apetência para as artes. Participou em vários trabalhos de cenografia e publicidade (cinemas Monumental, Tivoli, São Jorge, Éden, Condes, Politeama, Roma, Alfa, Londres, Quarteto, Satélite; teatros Monumental, Trindade, São Luís e Maria Matos); trabalhou também como decorador de interiores, em Lisboa, Estoril e Porto, decorando montras, casas particulares e hóteis (Jerónimo Martins, Lanidor, Elarca, Loja das Meias, Tabaqueira, Casa José Alexandre, Adega do Teixeira, Solar do Vinho do Porto, Casino Estoril, Hotel Sheraton, Hotel Tivoli, Hotel Ritz, Hotel Palace, Casa do Leão etc…).
De 1973 a 1974 integrou a equipa de montagem do Museu do Traje e foi nesta mesma época que Joaquina Soares (Directora do MAEDS), reconhecendo o excelente trabalho realizado no Museu do Traje, o convida a colaborar na montagem das salas de Arqueologia.
Em 1979 entrou para o quadro de pessoal do MAEDS, onde continuou, até ao seu falecimento, responsável pelo desenho arqueológico e pela montagem de exposições temporárias; a par destas funções foi também desenvolvendo o trabalho gráfico de publicitação dos eventos realizados pelo MAEDS. Por esta altura, Jorge Costa dominava o desenho técnico, que viria a desenvolver na especialidade de ilustração arqueológica. Inicialmente fez uma intensa formação na área acima referida, orientada pelos arqueólogos Carlos Tavares da Silva e Joaquina Soares, tornando-se, em Portugal, um dos primeiros ilustradores de arqueologia profissionalizado.
Durante os 30 anos de intenso trabalho no MAEDS, Jorge Costa participou como desenhador de arqueologia em mais de cinquenta intervenções arqueológicas (entre outras: subsolo da área urbana de Setúbal; castro de Chibanes – Palmela; povoado da Ponta da Passadeira – Barreiro; depósito votivo de Garvão; fortificação calcolítica do Monte da Tumba – Torrão; Castelo de Alcácer do Sal; povoado da Idade do Bronze final de Pontes de Marchil – Faro; povoado neolítico de Vale Pincel – Sines; porto romano da Ilha do Pessegueiro – Sines; povoado neolítico de Salema – Santiago do Cacém; sepultura proto-megalítica de Marco Branco – Santiago do Cacém; sepultura megalítica da Palhota - Santiago do Cacém, etc.)
Colaborou também com desenhos de materiais arqueológicos em numerosas publicações, nomeadamente: ”Setúbal Arqueológica”, vols. II a XIII; “Musa: Museus, Arqueologia e Outros Patrimónios“, vols. I a III; “O Arqueólogo Português”; “Pré-história da Área de Sines”, ”Ilha do Pessegueiro. Porto Romano da Costa Alentejana”; “Os Hipogeus da Quinta do Anjo e as Economias do Simbólico”; “Património Arqueológico do Distrito de Setúbal”; “Arqueologia da Arrábida”.
A par da sua vida profissional, Jorge Costa desenvolveu várias actividades lúdicas na sua comunidade de residência (Pinhal Novo), participando no Movimento Associativo e colaborando na organização do Carnaval do Pinhal Novo. Outra das suas paixões foi a música erudita, executando órgão em sessões públicas.
Faleceu no Pinhal Novo em 19 de Dezembro de 2010.
Na Assembleia Municipal de Setúbal de 20 de Dezembro de 2010 foi aprovado um voto de pesar e a proposta de atribuição do seu nome a um arruamento da cidade de Setúbal.
Sobre a exposição:
“Ilustrar a Palavra”
Partindo da palavra escrita sob a forma de texto poético, os artistas Ana Férias, Catarina Garcia, Eduardo Carqueijeiro, Fátima Pinto e Rosa Nunes aceitaram o desafio da recriação visual dessa mesma palavra.
A presente intervenção artística é também um momento de celebração do livro, tema da recente exposição na Fundação C. Gulbenkian, comissariada por Paulo Pires do Vale, em cujo catálogo se lê: [...] o livro abre uma obscuridade
essencial. A dos novos começos. [...] As leituras cruzam-se criando novos sentidos. Abrem-se estados, propõem-se passeios e deambulações.
O livro exige de nós tempo.” Mas o livro, acrescentamos nós, tem também o estranho sortilégio de ampliar para as bandas do infinito o estreito corredor do tempo que nos está atribuído.













