BARREIRO - ArteViva Companhia de Teatro«O Homem da Picareta» com encenação de Carina Silva
O espetáculo está integrado nas comemorações do Mês do Teatro em Março de 2013, no Barreiro, e estará em cena no Teatro Municipal, Sextas e Sábados, às 21h30.

Por Jornal Rostos
O HOMEM DA PICARETA
Estreia: 11 Janeiro 2013
Em cena: sextas e sábados 21h30, até 2 março.
No Teatro Municipal do Barreiro
Bilhetes: 5€ preço normal, 3€ desconto para grupos com mais de 10 pessoas.
Reservas: 964787109, 212060860 e arteviva.geral@gmail.com
O espetáculo O HOMEM DA PICARETA está integrado nas comemorações do Mês do Teatro em Março de 2013, no Barreiro.
Sobre o terramoto
“O terramoto de 1 de Novembro de 1755 provocou uma profunda alteração na consciência europeia, quer no plano científico relativo à Natureza, quer no plano ético, teológico e filosófico, no tocante à origem e à natureza do Mal e do sofrimento.
Toda a consciência europeia vibrou e especulou sobre a terrível desgraça (…). Não de tratava propriamente de discutir (…) se a catástrofe representava o inexorável e terrível castigo dos pecados (…), ou se antes um simples fenómeno natural com causas puramente naturais.
Todavia, o debate ético e filosófico realmente importante instalou-se quanto à questão de saber como é que um Deus criador do Universo, omnipotente, omnisciente e infinitamente bom, podia dar causa a tragédias que vitimavam muitos milhares de inocentes.”
Vasco Graça Moura
“O axioma Tudo está bem parece um pouco estranho àqueles que são testemunhas desses desastres. Sem dúvida, tudo é concertado, tudo é ordenado pela Providência; mas é por demais evidente que tudo, de há muito, não é concertado para o nosso bem-estar presente.
Se, quando Lisboa, Méquinez, Tetuão e tantas outras cidades foram arrasadas com um tão grande número dos seus habitantes no mês de Novembro de 1755, os filósofos tivessem exclamado aos infelizes que mal conseguiram escapar das ruínas: «Tudo está bem; os herdeiros dos mortos aumentarão suas fortunas; os pedreiros ganharão dinheiro a reconstruir as casas; os bichos comerão os cadáveres soterrados: é o efeito necessário das causas necessárias; o vosso mal particular não é nada, vós contribuís para o bem geral», um tal discurso teria certamente sido tão cruel quanto o terramoto foi funesto. E é isso que diz o autor do poema sobre o Desastre de Lisboa.”
Voltaire
In Voltaire, POEMA SOBRE O DESASTRE DE LISBOA, tradução de Vasco Graça Moura
Sobre o autor
No seu teatro, Castro Caldas não define contornos das personagens. “Tudo menos isso. No fundo, todos nós estamos a desempenhar papéis. Ficamos presos ao nosso vocábulo. E é esse lado que me interessa”, diz. Isso e as relações – não as personagens – e o que de revelador delas possa emergir. “As identidades são coisas muito instáveis. É uma invenção. Eu sou o que sou em função do que está à minha volta. Não sou sempre o mesmo.” A
personagem é criada a partir desse encontro que a rodeia. (…) Recusar e desmanchar o discurso, parti-lo, para que outros o redescubram, colando os cacos.
In “A crise é um drama”, artigo de Ana Dias Cordeiro, Revista 2, Jornal Público, 16 de Dezembro de 2012
MIGUEL CASTRO CALDAS nasceu em Lisboa em 1972. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Escreveu as obras de ficção Queres Crescer e Depois Não Cabes na Banheira e As Sete Ilhas de Lisboa. Para teatro escreveu para a companhia Primeiros Sintomas: A Montanha Também Quem, O Homem do Pé Direito, O Homem da Picareta (estreado em 2004, com encenação de Bruno Bravo), Conto de Natal – Variações de Dickens, Nunca-Terra em vez de Peter Pan e É Bom Boiar na Banheira. Nos Artistas Unidos, em 2005, participou na escrita de Conferência de Imprensa e Outras Aldrabices e na versão portuguesa de A Fábrica de Nada de Judith Herzberg.
Nota do Autor em O Homem da Picareta: Algumas falas de Romena/Canalizador são citações d’O Poema Sobre a Desgraça de Lisboa de Voltaire e algumas falas do homem da picareta são citações de ensaios de Kant sobre o terramoto de Lisboa de 1755.
Ficha Técnica
Autor: Miguel Castro Caldas
Encenação: Carina Silva
Interpretação: Ana Sofia Samora, Susana Marques, Catarina Serra, Joana Pimpista, Nuno Magalhães, Vítor Nuno
Assistência à encenação e produção: Rita Conduto
Cenário e Imagem gráfica: João Pimenta
Construção: Dário Valente
Figurinos: Ana Pimpista
Confeção: Teresa Balbi
Caracterização: Maria Matilde Cavaco
Desenho de luz: João Henrique Oliveira
Operação técnica: Pedro Duarte e André Concórdia
Apoio geral: Pedro Duarte e André Concórdia (estagiários da Escola Secundária D. Pedro V)
Classificação: M16
Agradecimento especial a Miguel Castro Caldas pela cedência dos direitos de autoria do texto. Numa época em que os artistas vêem os seus direitos retirados, a generosidade deste acto é reveladora da esperança e da luta por uma sociedade mais culta.
A ArteViva Companhia de Teatro do Barreiro foi fundada em 1980, é residente no Teatro Municipal desde 1997, e é uma associação cultural apoiada pela Câmara Municipal do Barreiro.













