JOSÉ QUINTERO expõe na Oficina da Cultura em Almada«Fui criando o meu próprio mundo imaginário»

Por Jornal Rostos
José Quintero é Espanhol, reside e trabalha em Portugal há alguns anos. Frequentou a Escola de Belas Artes em Valladolid, foi colaborador do Grupo ARTISPA em França e é membro da Associação IMARGEM de Almada. Após se ter radicado em Portugal já fez parte de algumas exposições colectivas. Tem participações notórias nas exposições da Galeria Municipal de Almada, Solar dos Zagalos na Sobreda e Oficina da Cultura na delegação Costa de Caparica.
O trabalho aqui exposto de José Quintero exprime-se na diversidade da cor intitulada “Rosa Fogo” com a descrição “No dia mais longo da minha vida, negro como a noite, com vosso rosto gravado na memória e uma promessa na alma, voltei de entre os mortos”.
O artista escolheu como materiais o pastel e o lápis de carvão que aplicou sobre o papel e tela. Um trabalho que apresenta uma história expressa entre os símbolos de muita cor, as imagens e o emocional que se cruza com um passado recente. O autor à medida das suas criações foi analisando ao pormenor cada pintura e identificou-a com um título. Todas as telas expostas estão identificadas e têm o seu significado.
Um artista que não segue tendências, somente segue e procura explorar o seu universo através dos “olhos do seu filho”.
JOSÉ QUINTERO, como iniciou esta arte?
Iniciei muito cedo. Quando era novo gostava muito de banda desenhada e através da leitura e muita observação fui criando o meu próprio mundo imaginário. Foi assim que tudo começou. Comecei a passar para o papel alguns traços e nunca mais parei.
Aqui nesta exposição está patente, muita cor e muito sentimento, certo? Onde se baseou para pintar o aqui exposto?
Sim, é verdade! Baseei-me numa determinação minha: “o grande amor que tenho pelo meu filho” que tem um mundo à parte do nosso. Ele vive num universo muito personalizado e eu ao acompanhar o meu filho no seu desenvolvimento tento aproximar-me do seu mundo especial.
Quer explicar-nos de que universo se trata?
Sim o meu filho sofre de uma doença do foro psicológico e estou a falar do autismo, onde apresenta muita ausência. Tendo ele o seu próprio mundo, desta forma eu ao criar este universo consigo estar mais perto dele. Espero que um dia o meu filho posso ver este meu trabalho dedicado a si mesmo.
Para mim, o meu filho tem sido uma grande aprendizagem e descendo ao mundo dele crio o meu próprio imaginário.
Todos os quadros estão identificados com um nome, porquê entre tantos um estar identificado com “ausência”?
Tem haver a com isso mesmo! Ausência! A enorme ausência do meu filho. Embora exista uma grande proximidade a “ausência” reflete a falta, a presença. Transmite muito o sentimento que temos um pelo outro. Como ele precisa de ajuda e está numa instituição para melhorar a qualidade de vida, apesar de estar presente na minha vida pois comunicamos diariamente a “ausência” é permanente.
Os quadros aqui expostos têm patente o rosto, porquê?
Maior parte dos quadros aqui expostos, têm rostos meus, o do meu filho e de ouras pessoas marcantes nas nossas vidas, acumulando o movimento e a diversidade da cor. No fundo é como contar a história de uma família desde uma data, de um passado recente, até ao dia de hoje.
Que significado tem a descrição “No dia mais longo da minha vida, negro como a noite, com vosso rosto gravado na memória e uma promessa na alma, voltei de entre os mortos”?
Foi num momento muito marcante para mim. Estava sozinho na vida e o mundo que eu conhecia tinha desaparecido. As pessoas mais importantes da minha vida não estavam presentes. Estava a deixar de pertencer ao mundo ideal! E num momento de reflexão resolvi mudar de vida e sou a pessoa que sou hoje.
Quais as exposições mais marcantes?
Já fiz parte de algumas, mas esta sem dúvida é a mais marcante para mim. É um trabalho que tenho vindo a desenvolver aos poucos e de um grande reconhecimento de mim para mim. Nunca tinha visto a minha obra com esta quantidade toda de quadros meus expostos de uma só vez.
A camara apoio grupos e vários artista e eu tive a oportunidade de, com o meu colega e companheiro nestas andanças, expor juntos e aqui está aclara sensação de orgulho.
Projectos para o futuro?
Continuar a trabalhar e ainda em breve nesta mesma sala poder estar numa exposição ligada à IMARGEM, pois já estou a criar e a inovar para isso mesmo.
Quer deixar algum comentário?
Quero agradecer mais esta oportunidade que a Camara Municipal de Almada me deu em poder mostrar as minhas obras em conjunto com o meu colega e espero poder contribuir para a dinâmica Cultural desta arte.
Uma exposição Cultural a decorrer na Oficina da Cultura em Almada até ao dia 10 de Fevereiro, para a população em geral e com a possibilidade de aquisição das obras expostas, promovida pela Câmara Municipal de Almada.
A.C.V.













