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CRITICAS E CRÓNICAS – «Um momento no cinema»«O Bom, o Mau e o Vilão» uma obra sem rival

Tarantino utilizou as palavras certas em chamar a esta obra de Sergio Leone, "a melhor coisa que aconteceu ao cinema", pois não só define todo um género cinematográfico como ajudou a abrir caminho para um novo mundo, um novo espectro de cinema e uma nova visão num mundo em constante rotação.

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CRITICAS E CRÓNICAS – «Um momento no cinema» «O Bom, o Mau e o Vilão» uma obra sem rival

Por Jornal Rostos

Certo dia, perguntaram a Quentin Tarantino qual tinha sido a melhor coisa que aconteceu ao cinema em todas as suas décadas de existência. A resposta foi simples, directa e honesta: "O Bom, o Mau e o Vilão". É perfeitamente compreensivel que Tarantino tenha escolhido a obra de arte de Sergio Leone como a melhor representação do que é o cinema. É bastante fácil de identificar os paralelismos com o dito Western nas inúmeras referências visuais e narrativas que Tarantino inclui nos seus filmes: desde planos-sequências que se prolongam durante vários minutos ao encaixe mágico da banda sonora poderosa em determinados momentos do filme. Mas não foi só por isto que Tarantino referenciou este filme. Existem razões bem mais importantes.
Ora vejamos: "O Bom, o Mau e o Vilão"(1966), o terceiro da trilogia de spaghetti westerns de Leone é, de facto, uma obra sem rival. Um filme de uma grandiosidade tal que facilmente resistiria a todas as épocas vindouras sem necessitar dos primeiros dois contributos cinematográficos desta trilogia. A história do filme é relativamente simples, os actores no geral são competentes com uma ou outra performance mais destacada mas é na execução que este filme se torna verdadeiramente no icone cultural e num marco na história da sétima arte. A execução prende-se em três elementos que, neste filme, são o foco e o verdadeiro poder por detrás deste épico de pistolas e cowboys: A fotografia, a banda sonora e a edição. A realização e a fotografia deste filme é uma absoluta maravilha e a referência base em inúmeros cineastas já galardoados e outros que pretendem vingar no meio. A composição dos planos, a iluminação, os suaves e milimétricos movimentos de câmara que transmitem tudo sem necessitar de diálogos, tudo isto significou um avanço incrivel no cinema desde 1966 até hoje. A banda sonora, composta por Ennio Morricone, é dos trechos musicais mais facilmente identificáveis da história do cinema e dispensam qualquer tipo de comentário que não seja o incrivel apreço pela pontualidade e qualidade das sequências musicais e pela forma como se tornam parte estrutural na narrativa, assumindo um papel definitivo na criação do suspense, da antecipação e na glória da vitória em variados momentos do filme. Por fim, a edição. Sem este elemento, nenhum dos anteriores importaria. O trabalho meticuloso na escolha dos planos e na forma genial com que se procede ao encaixe dos mesmos nas sequências de maneira a suscitar todo o leque de emoções que são directamente necessárias para o filme revela, por si só, um dominio e uma competência que se destina apenas às maiores figuras desta arte. É através da qualidade da edição deste filme que podemos ter a incrivel satisfação de assistir a uma das sequências mais importantes que há memória: o grande duelo final a três junto do cemitério. Sem assistir a este momento, ninguém pode certamente perceber a tamanha importância do cinema enquanto arte. Nesta cena está contida toda uma história de avanços e recuos, de vitórias e derrotas e que transmitem o que o cinema era até aquele ponto e o que o cinema se tornaria dali em diante. Tarantino utilizou as palavras certas em chamar a esta obra de Sergio Leone, "a melhor coisa que aconteceu ao cinema", pois não só define todo um género cinematográfico como ajudou a abrir caminho para um novo mundo, um novo espectro de cinema e uma nova visão num mundo em constante rotação.

Diogo Coelho




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