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CRITICAS E CRÓNICAS – «Um momento no cinema»Elysium
Por Diogo Coelho

O filme cedo revelou que iria sofrer de problemas estruturais que seriam dificilmente reparáveis ao longo da sua duração total: a realização confia demasiado na câmara à mão que, nas cenas de acção, obrigou ao uso do estilo shaky cam que impediu a visualização normal e agradável de sequências bem criadas e compostas...

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CRITICAS E CRÓNICAS – «Um momento no cinema» Elysium Por Diogo Coelho

Por Jornal Rostos

Hoje falaremos do mais recente projecto cinematográfico de Neill Blomkamp, protagonizado por Matt Damon e intitulado Elysium.

O realizador que vos falo nasceu na África do Sul e cedo começou a trabalhar em 3D e em animações computadorizadas, aplicando-as à temática da ficção cientifica, tentando estabelecer paralelismos entre o futuro e as questões sociais e politicas que vivemos nos dias de hoje. O seu primeiro filme, District 9, é um "pequeno" filme de ficção cientifica com uma história sólida que desenha paralelismos com situações reais de emigração ilegal e eleva o contexto do direito à vida como principal fonte de criatividade e elaboração de uma narrativa fluída e com um estilo muito próprio, que viria a tornar-se a imagem de marca deste realizador. Esse estilo próprio baseia-se, mas não se prende apenas, ao uso da câmara à mão, um estilo visual muito documental com bastante "grão" na imagem e uma estética forte e desprovida de muita cor, tornando a imagem mais estilizada e ao mesmo tempo realista na sua abordagem. District 9 foi um sucesso de bilheteiras e uma vitória para o cinema independente, originando uma grande performance do actor, também ele Sul-Africano, Sharlto Copley e oferencendo-nos efeitos especiais ao serviço da narrativa e nunca sucumbindo à ideia geral de efeitos especiais em detrimento de uma boa história (falo da trilogia mais recente de Star Wars). Naturalmente, ou melhor infelizmente, a expectativa para o segundo filme deste promissor realizador era bastante elevada. Matt Damon e Jodie Foster iriam encabeçar o elenco que contaria ainda com alguns actores brasileiros de renome como Alice Braga e Wagner Moura. O filme intitulava-se Elysium e abordaria, entre outros temas, a questão da diferenciação de classes sociais e a temática da saúde generalizada, sempre com os elementos de ficção cientifica como pano de fundo. O resultado, um desastre.

O filme cedo revelou que iria sofrer de problemas estruturais que seriam dificilmente reparáveis ao longo da sua duração total: a realização confia demasiado na câmara à mão que, nas cenas de acção, obrigou ao uso do estilo shaky cam que impediu a visualização normal e agradável de sequências bem criadas e compostas e substituíu-as por enjoos e dores de cabeça devido à incapacidade de estabilizar a imagem e, na edição, tentar que o espectador se aperceba do que está a acontecer; as performances, especialmente de Jodie Foster e Sharlto Copley, são particularmente fracas e estereotipadas e apresentam niveis de caracterização narrativa próximas de zero, confiando antes em lugares-comuns e definições básicas e primitivas do arquétipo de "vilão"; a história é ridicularmente simples e obedece a todos os padrões e estruturas básicas e previsiveis no contexto da "formação do herói", substituindo a subtileza da abordagem das questões sociais previamente mencionadas por encaixes lógicos e com falta de contexto, estabelecendo rapidamente a dicotomia entre os ricos e os pobres e apresentando um futuro em que os ricos já não vivem no planeta Terra e dispõem de máquinas que curam doenças, escolhendo não salvar a restante população que vive em bairros de lata e na pobreza generalizada. Esta forma básica de abordar as questões verdadeiramente importantes de forma cliche e sem uma dose minima de controlo e imaginação, cedo se torna terrivel quando os diálogos entre o protagonista (Matt Damon) e as personagens que vivem dentro do seu circulo de vivência roçam as frases feitas e alguma da pior escrita de interacções humanas que foi possivel vislumbrar neste ano de 2013.

O problema real de Elysium foi o deslumbramento com as ideias que pretendia transmitir que, embora interessantes e com tópicos bastante actuais, falham redondamente quando se rodeiam de personagens unidimensionais com duas ou três reacções pré-definidas para cada situação, uma narrativa cheia de problemas estruturais e de tão fraca identificação que colidem com um final de 2º acto onde o público não se importa com o que está a ver e que quer que toda a destruição e explosões acabem o mais rápido possivel e, por fim, com personagens que não criam identificação com o público, que se movem com objectivos pouco claros ou previamente definidos e cujo diálogo se remete à simplicidade errada e à falta de criatividade nas relações humanas que, no fundo, são a base de qualquer bom filme. Esperaremos, calmamente, por um verdadeiro sucessor de District 9.

Diogo Coelho




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