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CRITICAS E CRÓNICAS – «Um momento no cinema»Por Diogo Coelho
Barreiro

E é precisamente nessas boas surpresas que irei falar. Mais concretamente na carreira surpreendente do mais recente realizador a canalizar o imenso talento de Ryan Gosling, falo portanto do realizador americano Derek Cianfrance. O nome é pouco conhecido mas os dois filmes mais recentes do seu, ainda pequeno curriculo, explicam bem a necessidade de falar dele: Blue Valentine e The Place Beyond the Pines.

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CRITICAS E CRÓNICAS – «Um momento no cinema» Por Diogo Coelho Barreiro

Por Jornal Rostos

A maior dificuldade, a meu ver, na escrita de uma crónica livre de Cinema é que a própria temática é assustadoramente grande demais para cobrir em pequenos textos. Estamos a falar de mais de um século de existência com altos e baixos na progressão e na qualidade final dos produtos que se aliam obviamente aos avanços tecnológicos que proporcionam uma mais agradável (às vezes) experiência na tão "famosa" sala escura onde visualizamos imagens em movimento iludidas pelo globo ocular.
Através dessa dificuldade em iniciar uma crónica, lembrei-me de um dos motivos mais fortes para continuar a investir nesta complexa arte, as boas surpresas. E é precisamente nessas boas surpresas que irei falar. Mais concretamente na carreira surpreendente do mais recente realizador a canalizar o imenso talento de Ryan Gosling, falo portanto do realizador americano Derek Cianfrance. O nome é pouco conhecido mas os dois filmes mais recentes do seu, ainda pequeno curriculo, explicam bem a necessidade de falar dele: Blue Valentine e The Place Beyond the Pines.
O primeiro é um filme independente, rodado com um orçamento a rondar um milhão de dólares e conta a história em paralelo de um casal a conhecer-se e, anos mais tarde, a divorciar-se. O que retira este filme do lote mais catalogado de romances dramáticos de ficção cinematográficos é que não parece isso mesmo, ficção. É uma honesta e brutal representação de uma relação amorosa que não pode resultar devido a um colisão de personalidades que, à medida que os anos passam, vai revelando-se cada vez mais forte e inevitável. O filme não pede que tomemos a posição de qualquer um dos intervenientes, mas antes que entendamos o porquê das suas acções e a forma extremamente realista com que elas lidam com as suas próprias decisões, com os seus erros e no fim com a hipótese ou não de alcançar uma redenção. É um filme trágico, simples e incrivelmente belo na sua própria representação da tristeza e da solidão. Conta com duas performances fantásticas, tanto de Ryan Gosling como de Michelle Williams e, já se notava neste primeiro esforço, uma visão diferente, mais terra-a-terra do realizador que, metodicamente elabora os laços e as ligações entre as personagens com planos cuidadosos e suaves, com uma integração de uma visão artistica e um forte cunho estético que parecia desaparecido do cinema americanos dos últimos anos. Uma agradável surpresa.
De seguida, ou melhor três anos depois, surge o seu mais recente projecto: Um drama contado em três fases sucessivas temporalmente e que revela no seu âmago mais profundo a relação entre os pais e os filhos e a forma como tudo o que aprendemos em tempos apenas tem um valor forte se, mais tarde, soubermos ensinar por fim. Uma história, também ela trágica mas mais abrangente, atravessando várias personagens e abordando problemas sociais como a exclusão, a falta de acompanhamento familiar que mais tarde molda as personalidades de cada pessoa e, no fundo, uma tentativa gloriosa de representar uma realidade não tão impossivel de suceder, quando o mundo parece demasiado grande para o podermos, por fim, entender.
Esperaremos pelo terceiro filme deste realizador com uma voz única, clara e forte demais para ainda ser ignorada.

Diogo Coelho

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