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Círio dos Marítimos de AlcochetePopulação preserva tradição religiosa

O Município de Alcochete celebra na Páscoa a tradição religiosa popular do Círio dos Marítimos, expressão de uma antiga romagem de barqueiros e pescadores à Senhora da Atalaia em cumprimento de promessas.

Para Luís Marques, autor da obra “Tradições religiosas entre o Tejo e o Sado”, o Círio dos Marítimos de Alcochete é “um dos exemplos mais expressivos das tradições círias estremenhas”, “festa que marca na vida da sociedade local, um forte momento de escape”.

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Círio dos Marítimos de Alcochete População preserva tradição religiosa

Por Jornal Rostos

Anualmente, a população de Alcochete manifesta a sua devoção e culto à Senhora da Atalaia na ermida erigida no monte da Atalaia, situada no limite geográfico do concelho do Montijo com o de Alcochete, local de destino no passado de muitos círios provenientes de várias localidades da região de Setúbal e de Lisboa.
A festa do Círio dos Marítimos inicia-se no sábado de Aleluia com o encontro de todos os colaboradores do festeiro em Alcochete, onde almoçam e jantam na casa do Círio. Para anunciar a festa, o duo de gaiteiros chegam de barco à Vila cerca das 16 horas e percorrem as ruas do núcleo antigo a tocar gaita-de-foles e caixa Vila, enquanto que o fogueteiro vai lançando foguetes ao ar.

Tradição manda que o gaiteiro vá de manhã a casa das raparigas e mulheres

No Domingo de Páscoa, a tradição manda que o gaiteiro vá de manhã a casa das raparigas e mulheres participantes no cortejo para as convidar para a festa. Após o almoço oferecido pelo festeiro aos arrematantes de bandeiras e fogaças, começa, cerca das 18 horas, o cortejo de mulheres solteiras e casadas, montadas em burros, nas ruas de Alcochete, acontecimento que traz muitos visitantes ao núcleo antigo da Vila.
À frente do cortejo seguem o festeiro e o juiz, cada um em seu cavalo, seguidos, em primeiro lugar, pela “juíza” e, em segundo, pela “a juíza” do ano que vem, depois vêm as solteiras e casadas. A penúltima mulher do cortejo é a festeira do ano que vem e a última é a festeira deste ano. O cortejo integra ainda um carro de bois, devidamente engalanado, que transporta os gaiteiros que animam a festa durante os quatro dias.
Após duas voltas à Vila, os participantes no cortejo e respectivas famílias seguem para a Atalaia, onde jantam e convivem na “casa do círio”.

Devotos desta tradição dirigem-se à ermida da Atalaia

Na manhã seguinte, segunda-feira, de carro ou a pé, os devotos desta tradição dirigem-se à ermida da Atalaia com as bandeiras, que mantiveram nas suas casas desde o ano anterior, para as entregar ao festeiro e pagar o preço do valor da arrematação do ano anterior, receita que serve para pagar as despesas do círio deste ano.
Durante a manhã realiza-se a missa da festa na Igreja da Atalaia, seguida da procissão das bandeiras, em que o estandarte - guião, com a cruz em prata, vai na dianteira, seguido por duas alas de bandeiras. Acabada a procissão, os romeiros entram na Igreja para uma última oração.
Depois do almoço na Atalaia, cerca das 15 horas, tem início o leilão das bandeiras e fogaças, que é muito licitado e conta com uma elevada participação da população.

Os arrematantes regressam às ruas da Vila de Alcochete

Ao final da tarde, já com as medalhas na lapela, os arrematantes regressam às ruas da Vila de Alcochete para a realização do segundo cortejo das mulheres, montadas em burros, e dos arrematantes que exibem as suas bandeiras e se fazem transportas nas suas viaturas.
O Círio dos Marítimos de Alcochete termina à terça-feira com um almoço na Casa do Círio de Alcochete, actualmente nas instalações da antiga fábrica do Alumínio, e com o desfile a pé pelas ruas da Vila dos participantes no Círio, seguindo à frente os novos juiz, juíza e festeiro.
Para Luís Marques, autor da obra “Tradições religiosas entre o Tejo e o Sado”, o Círio dos Marítimos de Alcochete é “um dos exemplos mais expressivos das tradições círias estremenhas”, “festa que marca na vida da sociedade local, um forte momento de escape”.

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