“Encontros do Clube” em Sesimbra“A importância da Política” com Mário Soares, Carlos Brito e Fernando Rosas
O tema em debate será : “A importância da Política”, tendo como prelectores convidados Mário Soares, Carlos Brito e Fernando Rosas.

Por Jornal Rostos
“Da Política dos grandes ideais, da dedicação à causa pública, à ideologia da morte da politica, como gestão de interesses particulares e privados,” – refere a organização deste evento, são matérias que proporcionam que “três veteranos debatem a importância da política”.
No dia 25 de Julho, pelas 21 horas, no Clube Sesimbrense (Grémio), com entrada livre.
MÁRIO SOARES
Soares, advogado, historiador e político, licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1951, e em Direito na Faculdade de Direito da mesma Universidade, em 1957. Exerceu a advocacia durante vários anos e, quando do seu exílio em França, foi "Chargé de Cours" nas Universidades de Vincennes e da Sorbonne e foi professor associado na Faculdade de Letras da Universidade da Alta Bretanha (Rennes) e professor catedrático convidado da Universidade de Coimbra, Relações Internacionais.
Foi, desde a juventude, um activo resistente à ditadura, foi julgado e preso (12 vezes) pela PIDE por delito de opinião. Foi deportado sem julgamento para a ilha africana de S. Tomé em 1968 e esteve exilado em França entre 1970 e 1974. Aderiu ao Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista em Maio de 1943, e foi fundador do MUD Juvenil em 1946.
Integrou a Comissão da Candidatura à Presidência da República do General Norton de Matos e do General Humberto Delgado. Foi membro da Resistência Republicana e Socialista, fundador da Acção Socialista Portuguesa e do Partido Socialista em 1973. Foi Secretário-Geral do PS desde 1973 até 1986.
Participou nos I, II e III Governos Provisórios, como Ministro dos Negócios Estrangeiros, tendo iniciado as negociações do processo de descolonização. Foi Ministro sem Pasta no IV Governo Provisório. Foi deputado por Lisboa na Assembleia Constituinte e participou em todas as legislaturas até ser eleito Presidente da República, em 1986. Foi Vice-Presidente da Internacional Socialista da qual continua a ser Presidente Honorário. Foi Primeiro-Ministro do I, do II e do IX Governos Constitucionais. Iniciou as negociações do processo de adesão à CEE em 1977, que conduziram à assinatura do Tratado de Adesão em Junho de 1985. Em Janeiro de 1986, tornou-se o primeiro Presidente civil eleito
directamente pelo povo, na história portuguesa.
Foi Presidente da Comissão Mundial Independente sobre os Oceanos, Presidente do Movimento Europeu Internacional, Presidente do Comité dos Sábios do Conselho da Europa e Deputado ao Parlamento Europeu de 1999-2004.
É membro do Conselho de Estado. É Presidente de várias instituições: Fundação Mário Soares, Fundação Portugal África, do Comité Promotor do Contrato Mundial da Água da Inter Press International e da Comissão da Liberdade Religiosa. Foi Presidente da Delegação do Parlamento Europeu para as Relações com Israel.
Mário Soares publicou mais de 30 livros, traduzidos em vários línguas. Colabora intensamente em diversos jornais e revistas.
Mário Soares foi agraciado com numerosas e importantes condecorações nacionais e internacionais (de mais de 40 países). É Doutor Honoris Causa por 40 Universidades, de 17 países. É também membro da Sociedade Portuguesa de Escritores, da Academia das Ciências de Lisboa, da Academia do Reino de Marrocos, da Academia de Marinha de
França e da Academia das Ciências Ultramarinas (França). Correspondente da Academia Brasileira de Letras e membro da Academia da Latinidade (desde 2000).
Fernando Rosas
Nasceu em 1946, é Professor Catedrático do Departamento. de História/FCSH/UNL, presidente do Instituto de História Contemporânea/UNL e deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Setúbal desde 2005.
Foi fundador e dirigente da Comissão para a Associação dos Liceus - 1960 -1963, membro dirigente da Associação Académica da Faculdade de Lisboa – 1964 -1969, membro dos Sectores Liceal e Universitário do PCP na clandestinidade – 1961 -1967.
Foi preso a 1ª vez pela PIDE em Janeiro de 1965 e condenado a 15 meses de prisão.
Participou na Organização da Manifestação contra a Guerra no Vietname em Fevereiro de 1968. Foi fundador nesse ano e dirigente da Esquerda Democrática Estudantil (EDE). Em Setembro de 1970 foi um dos fundadores do MRPP (Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado) e dirigente deste partido até 1979.
Foi preso pela 2ª vez pela PIDE em Agosto de 1971 condenado a 14 meses de prisão correccional pelo Tribunal Plenário de Lisboa.
Depois do 25 de Abril foi director do jornal “Luta Popular”. Fez parte da Comissão Política das 2 primeiras candidaturas do General Ramalho Eanes.
A partir de 1981 participou como independente em listas do PSR (Partido Socialista Revolucionário) ás eleições legislativas. Foi um dos membros fundadores do Bloco de Esquerda, sendo membro da mesa Nacional e da Comissão Política deste partido e candidato à presidência da República Portuguesa em 2001.
Fernando Rosas é professor catedrático da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa tendo como principal área científica de investigação a História dos Séculos XIX e XX (História de Portugal Contemporânea).
Enquanto investigador, o trabalho de Fernando Rosas possui grande importância para o conhecimento do Estado Novo, quer devido às obras de referência sobre o período por si escritas quer à orientação que prestou a numerosos investigadores.
Da sua vasta obra publicada constam títulos como “As Primeiras Eleições Legislativas sob o Estado Novo (16/12/1934)”, 1985. “Estado Novo nos anos trinta - elementos para o estudo da natureza económica e social do salazarismo (1928-1938)”,1986. “Cartas e Relatórios de Quirino de Jesus para Oliveira Salazar” (organização, prefácio e notas)”,1987. “Salazarismo e a Aliança Luso-Britânica - elementos para o estudo da política externa do Estado Novo nos anos 30 e 40”, 1988. “Salazar e o Salazarismo” (direcção), 1989. “O Estado Novo”, 1994. “Dicionário de História do Estado Novo” (direcção), 1995-96.
“Portugal Século XX. Pensamento e Acção Política”, 2004. “Lisboa Revolucionária 2007.
Carlos Brito
Nasceu em 1933, é casado, tem duas filhas. Reside em Alcoutim, no Algarve, desde 1998.
Antes do 25 de Abril, foi preso pela PIDE três vezes, num total de 8 anos de prisão e viveu
10 anos na clandestinidade. Membro do Comité Central do PCP, de 1967 a 2000.
Foi Constituinte, em 1975/76; deputado à Assembleia da República e líder parlamentar do
PCP, durante 15 anos; director do jornal «Avante!» durante seis.
No seguimento de divergências políticas e ideológicas e de uma sanção, auto-suspendeuse
do PCP, em 2002.
É presidente do Conselho Nacional da Associação Renovação Comunista. Faz parte da
direcção do mensário regional algarvio «Jornal do Baixo Guadiana». Foi agraciado com as
Ordens da Liberdade e do Infante D. Henrique.
Além de textos de intervenção política, artigos em jornais, revistas e outras publicações, de
participação em antologias e colaboração em obras colectivas, tem 9 livros publicados.
Quatro livros de poesia ( «Anotação dos Dias, poemas da prisão», 1994; «Voz Ocasional»,
1997; «Saudades de Alcoutim», 1998; «O Modo e os Lugares», 2004). Três livros de ficção («
Vale a pena ter esperança», novela, 1999, «A Páginas Tantas», romance, 2000; «Águas do
Meu Contar», contos, 2002. Um livro de memórias, «Tempo de Subversão, páginas vividas
da resistência», 1998. Um livro sobre problemática de desenvolvimento regional, «25 Anos
que Mudaram o Algarve», 2005













