"Nortada" de Roriz abre temporadano Theatro Circo em Braga

Por Jornal Rostos
Desenvolvido a partir de uma residência artística que Roriz e a sua companhia desenvolveram no Minho durante a Romaria da Senhora da Agonia, para «apurar os sentidos e obter inspiração», “Nortada” resultou num trabalho global que ultrapassou as fronteiras da dança contemporânea e culminou num «veículo capaz de levar a cidade a cada pessoa».
«“Nortada” situa-se num lugar invadido de nostalgia, de saudade, de intimidade (…); foi exactamente nesse lugar de confronto entre a incontornável distância e a profunda proximidade afectiva que nasceu, se desenvolveu e construiu esta peça», contextualiza a bailarina e coreógrafa, que dedica a performance aos pais.
O conceito de família apresenta-se, aliás, dominante ao longo de todo o espectáculo, cujo cenário reporta a dois espaços distintos – um interior e outro exterior – e que, deliberadamente, se concentra numa sala de jantar, local onde invariavelmente a família se junta.
«Tudo nasce e se desenvolve a partir de uma refeição, para no fim voltar a ela como um círculo perfeito, apesar de todas as vicissitudes», sublinha Olga Roriz.
O Theatro e a Cidade
Além de lhe competir a abertura da temporada, “Nortada” de Roriz assinala também o desenvolvimento da primeira de um conjunto de actividades enquadradas no princípio de maior abertura do Theatro Circo à cidade e da sua interacção com outras entidades locais.
Neste contexto, o ensaio geral de “Nortada” (dia 9, 21h45) vai ser acompanhado por alunos e professores de escolas de dança de Braga, designadamente do Estúdio Helena Mendonça, “Backstage” e “Arte Total”.
Cumprindo o objectivo de contribuir para a formação de novos públicos, no final do ensaio o Theatro Circo proporciona aos convidados a oportunidade de estabelecer uma conversa com a coreógrafa.
A dança ao serviço de Shakespeare
A dança regressa ao grande palco a 28 de Setembro (21h30), desta vez na sua dimensão mais clássica, com a adaptação para bailado de “Romeu e Julieta” pela Companhia “Moscow Ballet”.
Após digressão com “A Bela Adormecida”, o colectivo moscovita regressa a Portugal com a interpretação da trágica história de “Romeu e Julieta”, obra-prima de William Shakespeare, que, sob a forma de bailado, se propõe atrair as atenções do grande público através da nobreza dos movimentos coreográficos criados por Leonid Lavrovsky e da aclamada composição de Prokofiev.
Ao longo de três actos, a acção concentra-se em Verona, cenário onde duas ilustres famílias se hostilizam por antigas desavenças que se impõem aos sentimentos que entretanto surgem entre Romeu e Julieta e que culminam num amor intenso, que não conseguiu, contudo, escapar a um trágico desfecho.
Mayra canta “Storia, storia…”
A abrir a temporada de concertos, a 11 de Setembro (22h00) Mayra Andrade regressa a Braga com “Storia, storia…”, álbum gravado no Brasil, França e Cuba e que regista a colaboração dos músicos Ale Siqueira e Jaques Morelenbaum.
Enraizado nos ritmos de Cabo Verde – morna, coladeira, bandeira, entre outros –, o segundo trabalho discográfico de Mayra Andrade é também uma mistura de muitos elementos da música brasileira e cubana com «um ar de jazz» que reflecte o lado mais versátil e criativo da cantora.
«Em Cabo-Verde, “Storia, storia…” é uma forma de introduzir a estória que vamos contar, normalmente em contos infantis de feiticeiras, princesas, lobos…», explica Mayra, que neste concerto canta estórias de amores improváveis, de mulheres e das muitas dificuldades que os cabo-verdianos ainda encontram no dia-a-dia.
Da sua passagem por Braga em 2008, a cantora – que foi nomeada, na categoria de melhor música africana contemporânea, para o prémio MOAMA’s - Museke Online África Awards – retém o contacto com um público muito especial.
«No emblemático Theatro Circo apresentei o meu primeiro disco, “Navega”, tendo encontrado uma sala cheia de gente calorosa, que me recebeu muito carinhosamente e me deu entusiasmo para o resto da digressão», faz questão de lembrar.
O amor segundo as “Cigarras”
Os textos são de valter hugo mãe, a composição e direcção musical de Miguel Pedro e a criação pertence a Paulo Brandão. O produto final é “Cigarras”, apresentado como «um musical pop sobre quem canta e seus males encanta». Estreia no Theatro Circo a 16 de Setembro (21h30), mantendo-se em cena até 18.
“Cigarras” propõe uma reflexão sobre o amor. Para tal, decifra Paulo Brandão, «é preciso dividir o cérebro em duas metades, pois nem sempre o que vemos é aquilo que ouvimos». «Por um lado é preciso deixar fluir as imagens, pelo outro, escutar o que a música nos diz», explica o autor, que recorreu às dimensões do mágico, poético e etéreo para criar o que define como «uma armadilha sonora para cigarras e insectos em geral».
Com interpretação de Ana Rita Inácio e João Dungo, o musical – que se apresenta a 25 de Setembro no Centro Cultural Vila Flor (Guimarães) e a 29 e 30 de Outubro na Casa das Artes (Vila Nova de Famalicão) – inclui as actuações ao vivo dos músicos Miguel Pedro (bateria e programações), Fred (guitarra, piano e órgão), Luís Fernandes (guitarra e sintetizadores) e Amir (baixo).
Bustorff em silêncio
De 21 a 24 de Setembro (21h30) o silêncio toma conta do palco principal. A Sr.ª Rasch está de volta e com ela a reposição de “Concerto à la Carte”, monólogo sem palavras, que assinalou, em Março de 2009, o regresso das colaborações da actriz Ana Bustorff com a Companhia de Teatro de Braga.
A partir da estreia em Braga, “Concerto à la Carte” partiu em digressão por vários palcos nacionais e voou até Itália (Cagliari), país que o acolheu no Festival “Superquattro - Teatro no Feminino”.
Após o período de reposição no Theatro Circo, a peça de Franz Xaver Kroetz, que coloca em cena a solidão de uma mulher igual a tantas outras que vive num espaço que criou para si própria e no qual desenvolve «um concerto interior, uma partitura feita de silêncios que pode ser sentida de diversas formas», prossegue com exibições em Espanha, designadamente no Festival Internacional de Teatro de Ourense e no Centro Dramático Galego, em Santiago de Compostela.
E o vencedor é…
Em ano de vigésima edição dos “Encontros da Imagem”, o Theatro Circo acolhe a primeira cerimónia solene de anúncio do vencedor do “International Photography Award Emergentes DST” (25, 21h00).
Iniciativa da empresa “Domingos da Silva Teixeira, SA”, em parceria com os “Encontros da Imagem”, o Prémio de Fotografia “Emergentes DST” é atribuído através da leitura crítica de portfólios por especialistas nacionais e estrangeiros, oferecendo aos participantes a oportunidade de apresentar o seu trabalho a comissários, galeristas e editores.
Tendo por objectivo o fomento da produção e a divulgação da fotografia nacional e internacional, a iniciativa distingue o “Melhor Portfólio de Fotografia Contemporânea 2010” com um prémio monetário e uma exposição individual no festival “Encontros da Imagem 2011”.
Ingressos disponíveis em www.theatrocirco.bilheteiraonline.pt e na bilheteira do Theatro Circo.













