Coral Sinfónico de Portugal em Almadano âmbito das celebrações do 20º aniversário do grupo

Por Jornal Rostos
Composta em 1807 por encomenda do Príncipe Nikolaus Esterházy II, a Missa em Dó Maior, Op. 86, de Ludwig van Beethoven, daria continuação à tradição estabelecida entre a nobre família e Joseph Haydn, que escreveu para eles uma Missa por ano entre 1795 e 1802, ano de sua morte. Esta foi a segunda obra religiosa de Beethoven. Apesar de ser mal-recebida pelo Príncipe Esterházy (segundo o teórico e pianista Charles Rosen foi seu fracasso mais humilhante), Beethoven não desacreditou na sua qualidade, que mais tarde foi bem-recebida em Viena.
A obra é dividida segundo as cinco partes da missa cíclica – Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus/Benedictus e Agnus Dei – e destaca-se pela mudança súbita de dinâmica e dramaticidade características de suas obras posteriores, podendo ser notadas especialmente nos momentos de profundo júbilo e angústia. No Kyrie, a ausência das flautas, trompetes e tímpanos confere introspecção ao colorido orquestral, ao som dos pedidos de piedade ao Senhor e a Jesus Cristo. O Gloria entra triunfante, com um exuberante colorido e textura orquestral, em que o carácter fica rapidamente sombrio e introspectivo na parte Qui tollis peccata mundi (tirai os pecados do mundo!), terminando com o mesmo carácter alegre da abertura, numa espirituosa passagem imitativa Cum sancto spiritu. Um exemplo de “personalização” do texto da missa dá-se no início do Credo com o coro proclamando esta palavra quatro vezes cada vez mais veemente até uma explosão musical, e pode ver-se uma descrição do significado das palavras nesse movimento, que também contém a descrição de parte da Paixão. Sanctus começa de forma reverente, descrevendo a santidade do Senhor. Na sua continuação, Benedictus, como é comum, é a hora em que o quarteto vocal solista sobressai, com o coro repetindo variações sobre um refrão homofónico. No Agnus Dei, destaca-se um momento particularmente dramático em que o coro, como uma congregação de penitentes, roga Miserere nobis. Beethoven reintroduz a melodia lírica inicial do Kyrie para assim ligar os temas de perdão e paz, levando a obra a um doce e terno final. (Eduardo Knob, 2007)
O Coral Sinfónico de Portugal regressa dia 12 de Fevereiro à Sala Principal do TMA, no âmbito das celebrações do 20º aniversário do grupo, interpretando esta missa, peça com que inaugurou a sua actividade.
Reservas e informações: 21 273 93 60, geral@ctalmada.pt
Entradas: 6€ a 13€.
CORAL SINFÓNICO DE PORTUGAL
Missa em Dó Maior, Op.86, de Ludwig van Beethoven
Direcção artística de Saraswati
12 de Fevereiro | Sala Principal | 21h30 | M/6













