Em Abril no Clube de Cinema de SetúbalPolanski e a sua Trilogia dos Apartamentos

Por Jornal Rostos
CLUBE DE CINEMA DE SETUBAL
A TRILOGIA DOS APARTAMENTOS SEGUNDO ROMAN POLSANSKI
O realizador polaco Roman Polanski não teve uma vida fácil. Durante a infancia, viu a mãe falecer num campo de concentração durante o Holocausto nazi; mais tarde, a sua esposa, entao grávida de oito meses, foi assassinada brutalmente pela seita de Charles Manson; e, anos depois, foi acusado de pedofilia, mantendo-se afastado dos Estados Unidos ate ter sido preso preventivamente o ano passado. A sua obra reflecte, portanto, a sua personalidade: ambientes claustrofobicos, clima obscuro e mistério e suspense.
Em Abril homenageamos Roman Polanski com a sua trilogia dos apartamentos, triptico que abrange os filmes “Repulsa”, “O Inquilino” e “A Semente do Diabo”. Os três tem em comum duas coisas: paranoia e vizinhos à cuca.
Programação para Abril:
Dia 6 – Repulsa (Repulsion), de Roman Polanski, 1965, 105min.
Primeiro filme do realizador em inglês, “Repulsa” é a historia de uma Catherine Deneuve manicure com disturbios psicologicos e sexuais. Filme desconfortavel, em que o preto e branco reforça esse ambiente de tensão, “Repulsa” tem ainda um dos melhores finais da obra de Polanski.
Dia 13 – O Inquilino (Le Locataire), de Roman Polanski, 1976, 126min.
Da trilogia dos apartamentos, “O Inquilino” e’ o unico em que Polanski realiza e protagoniza. Ele é um emigrante que se muda para um apartamento em França, cuja antiga inquilina se havia suicidado ao atirar-se da janela. O comportamento de Polanski começa a tornar-se ambiguo, a psicose toma conta do ecrã e o filme torna-se num dos mais memoraveis ensaios sobre a tematica do doppelgänger.
Dia 27 – A Semente do Diabo (Rosemary’s Baby), de Roman Polanski, 1968, 136min.
Primeiro filme de Polanski nos Estados Unidos, “A Semente do Diabo” junta Mia Farrow, num papel iconico, e John Cassavetes, num jovem casal que se muda para uma casa com uns vizinhos aparentemente inofensivos e simpaticos. No entanto, ate esse ambiente de boa vizinhança descambar em rituais de satanismo e concepçoes demoniacas e’ um saltinho, deixando Mia Farrow e nos, espectadores, à beira de um ataque de nervos. E, a partir daqui, sempre que ouvirmos uma criança a chorar iremos ficar com os pelos do braço arrepiados.













