Hoje no Festival de AlmadaESTREIA ABSOLUTA «A rainha louca»

Por Jornal Rostos
Dia 8 de Julho
Acontece no Festival de Almada:
ESTREIA ABSOLUTA
A rainha louca
Música e libreto de Alexandre Delgado
Encenação de Joaquim Benite
Com Ana Ester Neves, Ana Paula Russo, Maria Luisa de Freitas, Teresa Cardoso de Menezes, Nilma Santos e OrchestrUtopica
Centro Cultural de Belém
Entre ecos da Revolução Francesa e da derrocada do Antigo Regime, D. Maria I é A rainha louca, enclausurada num mundo de demência e evasão – uma rainha cómica, trágica e comovente, que contraria dois séculos de ideias feitas: responsável pela criação da Academia das Ciências e da Biblioteca Nacional, promotora da primeira expedição científica à Amazónia, da renovação do Ensino e da Marinha, D. Maria I (1734-1816) era culta e sensível, dada à música e às artes; reinar é que não estava na sua natureza.
A sua loucura, que a afastou definitivamente do cargo em 1792, teve várias origens prováveis: padres fanáticos convenceram-na de que o seu pai ardia no Inferno, por culpa do Marquês de Pombal e da perseguição aos jesuítas. À perda do marido somou-se a morte do seu primogénito, de varíola: os padres teriam proibido que fosse inoculada a vacina que estava a ser experimentada na época. A prisão de Maria Antonieta e a ideia de que a própria França, luz do Velho Continente, podia decapitar a sua rainha, terá sido a gota de água.
D. Maria quer evadir-se para um mundo "longe desta miséria". A seu lado tem Henriqueta, a gélida dama de companhia. Outra presença é Rosa, a criada negra cujo modelo histórico é uma anã acarinhada pela rainha. O 2.º acto concretiza as alucinações de D. Maria: no seu aniversário, é visitada por três damas que traçam um retrato hilariante da realidade histórica portuguesa.
Harpa, cravo e marimba simbolizam respectivamente D. Maria, Henriqueta e Rosa, numa orquestra que inclui quinteto de sopros e quinteto de cordas. Segunda parte de uma Trilogia da Loucura começada em 1994 com O doido e a morte, esta ópera visita os fantasmas da mente humana com sons dum século XVIII imaginário.
Do maravilhoso mundo dos animais: Os cordeiros
Texto e encenação de Daniel Veronese
Histrión Teatro
Fórum Romeu Correia
Gemma Matarranz, do Histrión Teatro, companhia andaluza e uma referência do teatro em Espanha, assistiu a um espectáculo do director argentino Daniel Veronese e, maravilhada com o seu trabalho, abordou-o no final. Dessa conversa surgiu a promessa de trabalharem juntos, o que implicou uma aventura: o grupo haveria de atravessar o oceano e trabalhar uma temporada em Buenos Aires.
Em Los corderos, texto escrito por Veronese em 1992 e nunca antes levado à cena, encontramos uma família formada por Berta, Tono e a sua filha, para além de um vizinho um tanto surrealista, às vezes cómico, outras vezes aterrador. O espectáculo arranca com Gómez amordaçado. Berta liberta-o, mas recusa-se a dar-lhe explicações. Berta, essa personagem cheia de força, neurótica, com poder. Que estará tramando? A partir daqui, a intriga ganha um ritmo alucinante. Aparece o vizinho, que quer levar a menina a passear e que acaba por confessar a Gómez que o obrigaram a sequestrá-lo. Gómez, que no passado fora amigo de Berta e Tono, não percebe nada, mas suspeita de algo, algo que não sabe exactamente o que é, algo que o espectador também ignorará até ao final do espectáculo. E chega Tono, que já não vive ali. Tono, contraditório, que é capaz de mostrar ternura, loucura, medo, chulice, ingenuidade e maldade. E ainda uma pistola que vem aumentar a tensão. Eles temem o exterior, dizem que o perigo está cá fora, que têm de vir armados. Mas o verdadeiro perigo está lá dentro.
Um certo sonho, uma noite de Verão
Texto e encenação de Richard Demarcy, a partir de Shakespeare
Le Naïf Théâtre
Palco Grande – Escola D. António da Costa
Um certo sonho, uma noite de Verão é o resultado de uma reescrita, simultaneamente fiel e livre, do famoso texto de Shakespeare. Richard Demarcy reuniu para esta sua encenação (festiva como um fogo de artifício) a totalidade do elenco do Naïf Théâtre – companhia multicultural integrada por talentosos actores originários de lugares tão diferentes como a França, o Senegal, o Congo, Taiwan, Angola, Portugal ou o Québec.
Numa floresta encantada, imbróglios engraçados e burlescos e metamorfoses espantosas criam a magia de uma noite peculiar – uma nova noite de Verão, num renovado sonho que é uma proeza estética e plástica. Com uma cenografia a transbordar de imaginação, este Um certo sonho, uma noite de Verão é um convite à alegria que é também uma homenagem ao próprio teatro, numa adaptação meta-teatral de Demarcy para actores-artesãos, que multiplicam as cenas de teatro dentro do teatro, transformando-se em mestres da própria acção. Poesia, fantasia e musicalidade feitas com quase nada, e no entanto com tudo o que verdadeiramente importa ao teatro, numa lufada de inteligência e brilhantismo cénicos.
Um Shakespeare transfigurado pela reinvenção teatral que faz deste espectáculo um momento inesquecível de engenho humano: bicicletas em vez de cavalos, um trono muito design, e actores que cantam em várias línguas, múltiplos como o Mundo de hoje, e tudo isto sem esquecer as questões da ordem do dia, como a da precariedade das políticas culturais, que quase inviabilizam o espectáculo que tem de acontecer, como ponto alto da noite de Verão do próprio espectáculo. Surge então uma companhia muito especial: a AAATMCCV – Artesãos Associados Anónimos Para o Teatro Moderno Clássico Contemporâneo e Vivo. A palavra política de Demarcy, numa obra generosa em criatividade.
Lançamento da tradução de O avarento
de Alexandra Moreira da Silva
17h00
Sala Pablo Neruda – Fórum Romeu Correia
Mais do que criar uma tradução “moderna”, a tradutora apropriou-se de um material dramático e poético que pudesse tomar corpo e voz no espaço da representação, ou seja, o seu objectivo principal foi o de dar a ver e a ouvir um texto, tendo em conta a sua teatralidade, e recriar uma linguagem imaginativa e enérgica, capaz de pôr em evidência o cómico e o trágico da peça. A apresentação estará a cargo de Christine Zurbach, professora de Estudos Teatrais e de Estudos de Tradução na Universidade de Évora.













