Alcochete - II Encontro de Intervenção Precoce de Lisboa e Vale do TejoDetetar necessidades especiais antes da idade escolar é prioritário
Por Jornal Rostos
“Intervir precocemente faz realmente a diferença”. Foi em torno desta afirmação que todos os participantes do II Encontro de Intervenção Precoce de Lisboa e Vale do Tejo, incluindo a NÓS – Associação de Pais e Técnicos para a Integração do Deficiente, se uniram com o intuito de debater o modelo de Intervenção Precoce na Infância (IPI) em Portugal, tendo como base o tema «Intervenção Precoce na Infância – Para quem? A Elegibilidade na Intervenção Precoce na Infância». No debate, que se estendeu a dilemas como a falta de tempo dos pais e a falta de recursos dos serviços prestados, foi analisado o impacto do SNIPI na sociedade atual e a importância de modelos de intervenção bioecológicos e transdisciplinares, assim como o contributo da saúde e o papel da comunidade na referenciação das crianças e o impacto do diagnóstico na família.
Ao encarar a realização de um diagnóstico precoce como algo “fundamental”, Maria José Fon-seca, médica do Hospital Garcia de Orta e um dos intervenientes do Encontro, alertou para o facto de “apenas 20% das necessidades especiais (médicas e educacionais)” serem “detetadas antes da idade escolar”. Para a neuropediatra do Centro de Desenvolvimento da Criança Professor Torrado da Silva, Hospital Garcia de Orta (HGO) e da Liga Portuguesa Contra a Epilepsia (LPCE), muitos são os passos a dar em frente neste campo, ao criticar a existência de “um encaminhamento ainda demorado das crianças para as Consultas de Desenvolvimento (neuropediatria)”.
“Essa idade corresponde ao período de maior crescimento do cérebro humano; daí a impor-tância de alertar para que a IPI seja verdadeiramente precoce e também com formação ade-quada e com estabilidade das equipas de intervenção”, considerou a responsável.
Isabel Bretes, responsável pela coordenação das Consultas de Desenvolvimento do Centro Hospitalar Barreiro Montijo, apontou para um efetivo aumento do número de solicitações deste tipo de consultas, algo que “não tem sido acompanhado de um correspondente cresci-mento do número de pediatras e de profissionais diferenciados que com eles trabalham”. “Muitas vezes, isto leva a uma espera bastante demorada por uma primeira consulta e, por isso, não podemos esperar pelas Consultas de Desenvolvimento para começar a intervir”, elucidou Isabel Bretes.
Mónica Pinto, médica do Hospital Beatriz Ângelo, realçou na sua intervenção as Consultas de Desenvolvimento enquanto um meio essencial para, num trabalho conjunto feito pelas Comissões de Coordenação do SNIPI e as Equipas Locais de Intervenção (ELI), “sinalizar quais as crianças a ser acompanhadas” e “definir o trabalho dos diferentes profissionais, articulando médicos, educadores, psicólogos, terapeutas, técnicos sociais e outros serviços da comunidade, nomeadamente nos ambientes naturais da criança e das famílias com respetiva sinalização ao SNIPI”.
“Diagnosticar, caracterizar um perfil individual e orientar apoios são passos fundamentais para que a criança esteja no centro da intervenção, mas garantindo que tudo à sua volta seja articulado com vista a minorar as suas incapacidades e desenvolver o mais possível o seu potencial”, explicou Mónica Pinto.
Refira-se que este Encontro foi organizado pela Subcomissão de Coordenação Regional de LVT do SNIPI e pelo Núcleo de Supervisão Técnica de Setúbal – Península, nomeadamente da ELI Barreiro, da ELI Moita e da ELI Montijo/Alcochete, com o apoio das Câmaras Municipais do Barreiro, da Moita, do Montijo e de Alcochete. Como destinatários foram considerados todos os profissionais das ELI, da Saúde, da Educação, da Segurança Social, Instituições Particulares de Solidariedade Social ou equiparadas, autarquias, famílias e outros organismos que na sua actividade se relacionam com as problemáticas na infância.
Fonte - NÓS













