Barreiro – Frater SEMINÁRIO «Sociedade Civil e a Crise»Desencadear acções nos espaços públicos que estimulem a participação

Por Jornal Rostos
Divulgamos o texto integral da intervenção de Manuela Rocha, Vice Presidente da Cooperativa Operária Barreirense, no SEMINÁRIO «Sociedade Civil e a Crise», promovido pela FRATER:
Se a multidisciplinaridade explica o sucesso de algumas acções, há outras componentes que ilustram o trabalho da FRATER, enquanto intermediária entre a população e os cuidados de saúde oficiais:
- a proximidade, ser um projecto local de solidariedade, no domínio da Saúde (realizam consultas e fazem encaminhamento, realizam rastreios de hipertensão, mudança de pensos com ajuda de enfermagem, distribuição de roupa, canadianas e cadeiras de rodas usadas, banco de medicamentos…);
- a preocupação com a Saúde (ao nível da assistência e ao nível do apoio social);
- um verdadeiro trabalho de voluntariado, que envolve muita gente.
Somos um concelho com muitas carências e continuamos a ser, com o aumento do desemprego e da pobreza. Neste tempo de crise e perante a diminuição do rendimento de muitas famílias e classes sociais, há gente com muitas necessidades, desprotegidas e desesperadas (e, infelizmente, a situação tem vindo a piorar).
“Qual deve ser a actuação da sociedade civil, em tempos de crise?”
Estou convicta que essa actuação passa por:
-um trabalho em REDE e estabelecimento/alargamento de parcerias entre várias instituições (Hospital e Centros de Saúde, Câmara Municipal e Juntas; escolas; instituições financeira e não financeiras e outros parceiros);
-uma acção multidisciplinar, entre diferentes saberes, aquando da concepção do/s projecto/s de intervenção, projectos que concentrem recursos em quantidade, e diversidade suficientes, para responderem aos problemas específicos que existem! A este nível conheço algumas das ideias de projectos que a FRATER gostaria de ver concretizados, refiro-me, entre outros, à criação de uma unidade de rastreios (oncológicos e da obesidade) e uma unidade de apoio a doentes com Alzheimer;
- maior participação/envolvimento da sociedade civil (é necessário repensar também a própria dinâmica da participação, representação e exigência);
- mais visibilidade social, no sentido de que as acções devem expressar-se não apenas para os directamente envolvidos, mas também para todos os implicados nas decisões políticas;
-controlo social e acesso aos processos que impliquem a tomada de decisões, viabilizando a participação da sociedade civil de forma organizada (na formulação e na revisão de certas regras, na fiscalização da tomada de decisões);
-representação dos interesses colectivos, da sociedade civil (grupos e forças de representação e de mediação) e novos espaços de participação da sociedade civil;
- democratização da gestão das políticas sociais (o que implica impulsionar e ampliar o movimento que se organiza em torno da defesa de direitos e das políticas sociais);
- desencadear acções nos espaços públicos que estimulem a participação, promovam a acção e divulguem a prática e os resultados conseguidos!
Desejo que a FRATER continue o caminho que iniciou há 10 anos com a grande capacidade de mobilização e concretização que tem demonstrado.
Muitos parabéns!
Manuela Rocha
(professora do ensino secundário)
Manuela Rocha (Vice Presidente da Cooperativa Operária Barreirense)













