Fórum da Rede Social em Santiago do CacémAborda questões sobre violência e o tráfico humano de mulheres
Tráfico humano a nova forma de escravatura do século XX

Por Jornal Rostos
Uma plateia interessada e participativa, onde marcaram também presença o Vereador da Ação Social da Câmara Municipal, Norberto Barradas, e o Presidente da Junta de Freguesia de Santo André, Jaime Cáceres, ouviu as intervenções dos oradores convidados: Sandra Benfica, do Movimento Democrático de Mulheres e coordenadora do projeto sobre tráfico de mulheres “Romper Silêncios”; o subdiretor do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Paulo Leitão Batista; e Vanessa Caldeira e Ana Cláudia Pereira, da Associação Intervir.com.
A sessão de abertura esteve a cargo da Vice-Presidente da Câmara Municipal, Margarida Santos, que considera que “estes temas requerem cada vez mais informação, reflexão e discussão para que todos nós possamos ter o conhecimento para também podermos contribuir para a erradicação dos fenómenos da violência e do tráfico de seres humanos”.
O tráfico de seres humanos é uma realidade com um impacto económico comparável ao do tráfico de armas e de drogas. O lucro com o tráfico de seres humanos ronda os 32 mil milhões de dólares. Estima-se que, por ano, sejam traficados milhões de pessoas em todo o mundo. Em cada três vítimas, uma é criança “sobretudo meninas que são vendidas para exploração sexual, com uma média de idades que ronda os 12 anos”, revelou Sandra Benfica. “Esta é a nova forma de escravatura que cresce e adota novas formas. Há estados, como o Alemão, em que 7 % do seu PIB provém da prostituição que está legalizada, à custa de mulheres escravizadas” acrescenta Sandra Benfica, revelando que as mulheres, neste momento, “são revendidas pelos traficantes, como acontece com qualquer produto, onde é tido em conta a sua qualidade, com prazo de validade e tudo” e refere que “a expansão do negócio sobrevive de cumplicidades e da forma encobertada do seu modus operandi, com a sua incorporação em ramos de atividades legais” o que complica muitas vezes os trabalhos de investigação.
Esta foi uma questão abordada pelo subdiretor do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Paulo Leitão Batista, que apontou muitos dos constrangimentos com que deparam ao nível da averiguação: “as organizações criminosas são cada vez mais sofisticadas o que dificulta a ação dos investigadores. Depois, temos os entraves da transnacionalidade do tráfico, as dificuldades de comunicação, devido às diversas línguas e ao não dispormos de tradutores. E não menos importante os constrangimentos apresentados pelas próprias vítimas, que muitas vezes não colaboram, por medo, porque têm uma dívida para com o traficante que ameaça as famílias”. Paulo Batista apresentou dois casos investigados um tráfico de mulheres para exploração sexual, e outro de tráfico de pessoas para exploração laboral, referindo que “não é fácil provar o tráfico, em parte pela forma que assume em redes complexas e dissimuladas, e a sua condenação acaba por não ser direta, assume formas de condenação por imigração ilegal ou falsificação de documentos”.
Vanessa Caldeira e Ana Cláudia Pereira, da Associação Intervir.com, de Vila Nova de Santo André, apresentaram o desenvolvimento do seu Projeto Desigualdades; projeto de apoio e acompanhamento de vítimas de violência doméstica que abrangeu os concelhos de Santiago do Cacém, Sines, Grândola e Alcácer do Sal. A sua intervenção centrou-se em quatro eixos: apoio social, apoio jurídico, acompanhamento psicoterapêutico e alojamento de emergência. Em 18 meses, foram acompanhadas 72 vítimas, das quais 61,1 % são mulheres e com menores a seu cargo. Na maior parte das vezes, o agressor é o cônjuge ou ex-cônjuge. Este é um trabalho importante prestado pela Associação no restabelecimento do nível emocional das vítimas no imediato.
Fonte - CMSC













