Na Capela do Convento Madre de Deus da Verderena - BarreiroPoesia de Ary dos Santos veio colorir a tarde
“Reviver” figuras que promoveram a Cultura Portuguesa no país e no estrangeiro, fazendo nossa, a voz de alguém que disse o que nós queriamos dizer. E Ary dos Santos foi um poeta social que deixou um legado de inestimável valor. Ele é o poeta da Liberdade, o Poeta do Povo.

Por Jornal Rostos
Ontem, encerrámos o mês de abril, com chave de ouro. A poesia de Ary dos Santos veio colorir a tarde na Capela do Convento Madre de Deus da Verderena, na primeira Tertúlia Poética “Ao Encontro de ...”, programada num Ciclo mensal que está sob a responsabilidade de uma formanda da UTIB (Universidade da Terceira Idade do Barreiro), Maria Auzenda Zarco. Este Encontro teve a participação de Nuno Soares, que falou da Vida e Obra do poeta, de um grupo de amigos que declamou alguns poemas do autor e também do público que quis ler participar com leituras de outros trabalhos poéticos de Ary. O Encontro encerrou com um grupinho a cantar “Fado dos Cheirinhos” e “Lisboa Menina e Moça”, com acompanhamento de viola por José Marreiros.
A Auzenda está a colaborar, como voluntária da UTIB, na dinamização da Biblioteca José Esteves, no Convento e, como amiga pessoal da mesma, quis também dar o meu contributo no Projeto. Por isso, não pude deixar escapar a oportunidade de estar presente com os meus alunos do 10ºI, Curso Vocacional de Apoio à Gestão, da Escola Secundária Augusto Cabrita, que concluiram o primeiro ano do seu Ciclo de Formação e que, para minha decepção, em conversa na sala de aula, me disseram nunca ter ouvido falar de Ary dos Santos e nunca ter assistido a uma Tertúlia Poética. Para eles e, possivelmemnte para muitos mais (senão a maioria, o 25 de abril representa um dia feriado (não têm de aturar os profs que são uma “seca”), comemora-se a Liberdade e distribui-se cravos vermelhos. Todos sabemos que a luta travada no passado não é a deles. Eles nasceram em Liberdade e ainda bem que não tiveram de lutar por esta e apenas têm de agradecer aqueles que fizeram a Revolução. Mas sabemos também que eles têm e terão outras lutas para travar. Por isso, esta foi também uma forma de lhes proporcionar uma aula diferente. Apesar de ensinar uma Língua Estrangeira, sou, acima de tudo, formadora e educadora, pelo que sinto que o meu papel é também proporcionar ambientes pedagógicos aos jovens para que estes, como seres sociais e históricos, conheçam diferentes manifestações culturais e possam construir o conhecimento através das interações estabelecidas com outras pessoas e com o meio. E a poesia é um dos géneros literários mais distantes da sala de aula. É preciso descobrir formas de familiarizar e de aproximar as crianças e os jovens da poesia, fazendo desta um instrumento humanizador. Há que despertar a sensibilidade e a alteridade nos jovens que vivem numa sociedadecapitalista, marcada pelo individualismo, pela reificação do ser humano e pelo fatalismo que os leva a pensar que não se pode fazer mais nada neste mundo a não ser adaptar-se a ele.
Igualmente importante é “reviver” figuras que promoveram a Cultura Portuguesa no país e no estrangeiro, fazendo nossa, a voz de alguém que disse o que nós queriamos dizer. E Ary dos Santos foi um poeta social que deixou um legado de inestimável valor. Ele é o poeta da Liberdade, o Poeta do Povo. Não se trata, de modo algum, de formatar-lhes ideias mas sim abrir-lhes pistas para a sua compreensão do mundo. Motivá-los para a leitura, para a pesquisa de assuntos que os ajudem a crescer como cidadãos pensantes e atuantes.
Resta-me apenas dizer que a magia das palavras tomaram conta da plateia e que vi nos olhares e sorrisos de todos o prazer pela vivência de momentos de verdadeira inspiração, encantamento, fascinação e fruição.
Um agradecimento particular À Câmara Municipal do Barreiro pelo incentivo e apoio a esta iniciativa! Consultem o programa no site da autarquia! A próxima Tertúlia será no dia 28 de maio e nessa tarde iremos ao Encontro de Zeca Afonso.
Clara Soares (Professora na Escola Secundária Augusto Cabrita e formadora voluntária na UTIB)













