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Moldura

Arte Viva estreia“O rato voador” e “A outra costela de Adão”

A Companhia de Teatro do Barreiro - Arte Viva estreia, este fim de semana, no Teatro Municipal do Barreiro, dois novos trabalhos, desta vez, dois espectáculos de teatro de marionetas. Ambas as peças são encenadas e da autoria de Joaquim Ferreira.
“O rato Voador” é uma peça de marionetas para crianças, estreia dia 10 de Maio, pelas 16 horas, os espectáculos a partir desse dia realizam-se aos sábados, às 16 horas, e domingos, às 11 horas. Termina no final de Julho.
“A Outra Costela de Adão” é uma peça de marionetas para adultos, estreia dia 9 de Maio, os espectáculos realizar-se-ão às sextas feiras e sábados, pelas 22 horas. Termina a 12 de Julho.
4 min de leitura
Arte Viva estreia “O rato voador” e “A outra costela de Adão”

Por Jornal Rostos

Segundo nota enviada para a nossa redacção – “A Outra Costela de Adão” é uma peça que sublinha “o Sacrifício da Criação”
Uma peça onde, na opinião de Joaquim Pedro Ferreira – “Existe mais do que um vazio, quando se acaba a obra de uma vida. Existe uma falta. Matias poderia falar disso. A loucura que o assola depois de ter construído a sua obra máxima é a costela que falta a Adão e que lhe dói de noite, apesar de sentir o calor de Eva encostada a si.
Existe mais do que falta, quando se acaba a obra de uma vida. Existe um vazio. Adão poderia falar disso. O desalento que o assola depois de ter perdido a sua costela é a obra máxima de Matias, que sujou, depois de a ter feito perfeita, apesar dela ter o poder de não ter de o perdoar.
Das cinzas serás cinzas, do pó serás pó, menos Helena”.

As Marionetas que querem ser Homens

Na opinião do autor e encennador desta peça – “Os Actores Marionetistas estão e não estão. Estão porque dão vida às marionetas e não estão porque não são vistos, não querem ser vistos e ninguém os quer ver. À parte isto, fazem a magia absoluta de darem de si tudo e mais alguma coisa para que as suas marionetas estejam vivas. É este o seu sacrifício. É esta a sua redenção.
Mas às vezes estão. Não se escondem atrás de paredes de cenário. Não se dobram de forma impossível para não serem vistos. Não se deitam no chão, não ficam pendurados, não têm medo de serem vistos. Estão lá ao pé da sua Marioneta.
E então acontece magia. Dão-se de tal maneira à sua marioneta, que se tornam invisíveis. Deixam de ser vistos. Anulam-se. A voz que sai da sua boca, passa, por um processo metafísico e alquímico, a sair da boca da marioneta. Os movimentos da marioneta puxam os seus e não o contrário. E que grandes actores se tornam. O desafio máximo! Estar sobre o palco aberto e ser invisível. Mais do que as marionetas que querem ser homens, aplaudiremos os homens que lhes dão vida.”

O Rato Voador

“Timóteo, o rato, é encarregue de uma missão difícil. Educar um morcego bebé como se fosse seu filho e ensiná-lo a voar. Dizzy é o morceguinho que dorme de noite e brinca de dia.
Quando chega a altura de ensinar Dizzy a voar, Timóteo sai numa busca, procurando todos aqueles que o podem ensinar a voar. Um Mocho que afinal não é sábio. Um dragão que afinal não é ancião nem feroz. Um treinador de papagaios que não treina papagaios. Timóteo desespera e acha-se incapaz de ensinar o seu filho a voar.
Mas a noite, as estrelas e a lua vão acabar por o ajudar...” – refere Joaquim Ferreira.

As Marionetas Cantoras

Nesta peça, “O Rato Voador”, segundo o autor encenador – “As Marionetas são o símbolo máximo do animismo. Se lhes derem olhos, elas enchem-se de curiosidade. Se lhes derem mãos elas agarram o palco. Se lhes derem público elas encantam-no. Se lhes derem boca, elas não só decoram o papel que lhe dão como cantam.
Neste espectáculo os actores manipuladores resolveram mostrar-se completos. Do dia para a noite, não só dominaram a manipulação, encontraram a sua outra voz, como resolveram cantar. Impotente para os dominar, fiz o que qualquer encenador ou autor sensato deve fazer. Escrevi canções.
O meu único desejo, quando se sentarem na plateia é que sintam o que senti. Completa estupefacção e encantamento.”
Aqui ficam estes registos e, não esqueça...vá ao Teatro Municipal, ver os novos trabalhos do ARTE VIVA.

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