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Moldura

Festival de Almada - Miguel Branco, do jornal iVencedor do Prémio Internacional de Jornalismo Carlos Porto

O 32.º Festival de Almada terminou no Sábado, 18 de Julho. Durante 15 dias, foram apresentados 54 espectáculos, 27 de sala e 27 de rua, num total de 90 sessões, bem como colóquios, debates e workshops. O número total de espectadores desta edição foi de 18.886.

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Festival de Almada - Miguel Branco, do jornal i Vencedor do Prémio Internacional de Jornalismo Carlos Porto

Por Jornal Rostos

O vencedor do Prémio Internacional de Jornalismo Carlos Porto, que destaca os melhores textos publicados sobre o Festival, foi Miguel Branco, do jornal i, que em 2014 acompanhou o processo de trabalho de Cais Oeste, espectáculo da CTA com encenação de Ivica Buljan. O jornalista leu uma mensagem no Palco Grande durante a cerimónia, que divulgamos intetralmente.
Foram atribuídas ainda menções honrosas a Andrew Haydon, do jornal britânico The Guardian, e a Jorge Louraço Figueira, do Público.

No Sábado, o público do Festival escolheu o Espectáculo de Honra. Um museu vivo de memórias pequenas e esquecidas, um espectáculo do Teatro do Vestido com texto, direcção e interpretação de Joana Craveiro, vai assim regressar para o ano, na 33.ª edição do Festival.

Mensagem de Miguel Branco do jornal i

A minha mãe pediu-me para vestir uma camisa para a entrega do prémio. Eu rejeitei. Disse-lhe. “Mãe, que exagero, não costumo usar camisa, um pólo e umas calças pretas chegam”. A minha mãe pede-me a cada almoço de domingo para fazer a barba, e eu digo-lhe: “Mãe, gosto de me ver assim, as pessoas já não se importam com o estilo”. Na sexta-feira disse à minha mãe: “Mãe, ganhei um prémio de jornalismo”. Ao que ela respondeu: “Oh, ganhaste lá agora, estás a brincar com a mãe”. Percebo a reacção, afinal, como dizem os meus colegas lá no jornal: “Já ninguém nasce em 91”.
Eu nasci, continuarei a dizê-lo, continuarei a rir-me do ar de espanto de quem me pergunta a idade, continuarei a ser dos 90, da era do grunge e da Alemanha unificada. Sei muito pouco sobre jornalismo, tal como sobre teatro, não li os clássicos. Mas como disse à minha mãe quando recebi o prémio: “Quero ser alguém”.
Sou novo, mas sou do tempo em que os jornalistas escrevem um artigo sobre uma peça de teatro sem nunca a ter visto, o tempo urge, “para quê ver a peça toda se só me dão 800 caracteres?”, já ouvi. Uma cena chega, ou isso ou duas perguntas ao encenador. Feito e fechado, venha a próxima. E para isso… para isso não contem comigo. Devo muito ao teatro, não acho que ele mereça tamanho desprezo. Foi daí que me surgiu a ideia de acompanhar a peça “Cais Oeste”, num trabalho de quase dois meses a seguir todo o processo de criação, por isso devo um muito obrigado a Ivica Buljan, encenador do espectáculo. Acredito não ter feito nada de especial, fiz, apenas, o que já ninguém faz.
Por isso, queria agradecer à Companhia de Teatro de Almada, à Câmara Municipal de Almada e ao Director Rodrigo Francisco, por verem em mim alguém de confiança, com gosto e dedicação. Aos meus pais por me formarem assim, como sou, ao meu irmão, por me trazer à realidade quando estou a navegar, à minha namorada pela paciência de aturar um jornalista insano com alterações de humor algo inexplicáveis, aos meus amigos de sempre por serem tão loucos quanto eu, ao meu editor, Tiago Pereira, por me ensinar quase tudo o que sei hoje, ao fotojornalista e amigo, António Pedro Santos, que fez comigo este trabalho, sem ele não teria sido possível. Queria ainda agradecer a Almada, à minha cidade, por me proporcionar este ambiente de cultura, de gente que gosta de arte, e, finalmente, queria agradecer a todas as pessoas que fazem deste festival, desta casa, uma ode ao teatro. Obrigado.

Miguel Branco

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