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União de Sindicatos de Setúbal/CGTP-INPromove Concentração 3 de Maio no Barreiro

. Testemunho de Faustino Reis e do Secretário-Geral da CGTP-IN Arménio Carlos

A União de Sindicatos de Setúbal/CGTP-IN, irá realizar uma concentração pelas 10,00H. junto à Biblioteca Municipal do Barreiro com destino ao Largo 3 de Maio, a origem da concentração visa recordar os acontecimentos passados no Barreiro a 3 de Maio de 1970, articulando a luta e a resistência ao fascismo, com a luta e os objectivos da luta actual.

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União de Sindicatos de Setúbal/CGTP-IN Promove Concentração 3 de Maio no Barreiro

Por Jornal Rostos

A concentração no Largo 3 de Maio terá o testemunho de Faustino Reis e do Secretário-Geral da CGTP-IN Arménio Carlos que também irá participar na concentração junto da biblioteca.

Rota da Resistência no Barreiro
Vanessa de Almeida – Sector do Património e Museus – CMB

Lugares de memória directamente relacionados com momentos de resistência protagonizados pela população barreirense:

Largo 3 de Maio (Largo da Santa) – Maio de 1970

Após as eleições ocorridas em 26 de Outubro de 1969, nas quais a CDE no Barreiro vencera em todas as secções de voto com 61%, o Movimento de Oposição Democrática (MOD), através dos seus militantes, organiza as comemorações do 1º de Maio de 1970, mediante a realização uma manifestação conjunta entre o Barreiro e Moita. Pelas ruas do Barreiro com destino ao Lavradio, entoam-se canções de intervenção e gritam-se palavras de ordem, encontrando-se as duas manifestações (Barreiro e Moita) junto ao cemitério do Lavradio. Segundo relatório da GNR, seriam na ordem dos 5000 ou 7000 os amotinados.

A adesão popular é confrontada com um reforço das forças da GNR (a jipe e a cavalo) que não hesita em recorrer a rajadas de metralhadora para dispersar os manifestantes, que por sua vez ripostam atirando pedras. Gera-se um clima de batalha campal pelas ruas da Baixa da Banheira mas, impotente, a GNR acabará por retirar-se.

Porque a jornada constituiu uma vitória da Oposição, o governo faria abater, dois dias depois, uma acirrada repressão sobre todo o distrito de Setúbal. Na madrugada de 3 de Maio são presos pela PIDE/DGS 8 democratas do distrito de Setúbal: 4 de Setúbal, 1 da Moita, 1 de Alhos Vedros e, do Barreiro, Alfredo Rodrigues de Matos e Álvaro Ribeiro Monteiro, este último antigo candidato a deputado pela CDE. São enviados para a sede da PIDE no Porto, e transferidos para Caxias em Junho.

Como resposta à repressão desencadeada pela PIDE, activistas do MOD afectos à organização local do PCP organizam uma manifestação de protesto e solidariedade para com os presos do distrito, à qual aderem milhares de pessoas, que percorrem as ruas do Barreiro até à antiga R. Brás (actual Pacheco Nobre) onde são interceptados pela GNR. Conseguindo romper o cerco policial, continuam em manifestação até ao Largo da Santa (actual Largo 3 de Maio), local onde a repressão desencadeada atinge uma proporção sem precedentes, provocando vários feridos graves, sendo ainda presos vários manifestantes: José Maria Pais Jordão, António Duarte Camacho, Guilhermino José da Costa, Francisco Vieira Pinheiro, Carlos Alberto dos Santos Godinho, Bento Gonçalves das Dores Gomes Serrano, Manuel Joaquim de Oliveira Singens, Ernesto Salvador Correia Viegas, Manuel da Conceição Nobre Correia, Fernando Manuel Mendes Alves, Malaquias Triancheira, Carlos Pereira Marques, Maria Júlia Serrano Pelengana, José Augusto Duro Soares, Gabriel Marques das Dores, Eugénio da Costa Carrasquinha, Valdemar Beça Ortiz, António Manuel da Silva Paixão e, no dia seguinte, Fernando do Carmo Libório.

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