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Participantes em ação de protesto realizada em SetúbalRejeitam aumentos da tarifa que visem aumentar lucros do acionista privado da AMARSUL

Os participantes numa ação de protesto, realizada em Setúbal, no dia 8 de Julho,para defender um serviço público de gestão de resíduos sólidos urbanos de qualidade, numa moção aprovada, decidiram "repudiar a decisão de distribuição de dividendos", pelos accionistas da AMARSUL e defendendo que estes - "devem ser reinvestidos na empresa, na melhoria dos serviços e das condições de trabalho, contribuindo para que o valor da tarifa não seja agravado".

3 min de leitura
Participantes em ação de protesto realizada em Setúbal Rejeitam aumentos da tarifa que visem aumentar lucros do acionista privado da AMARSUL

Por Jornal Rostos

A Região de Setúbal não deixará de defender um serviço público de gestão de resíduos sólidos urbanos de qualidade, ao serviço das populações e do enriquecimento ambiental da região, manifestando através dos meios ao seu dispor a sua oposição a quem vê neste serviço um mero negócio lucrativo.
Foi esse o sentido da acção de protesto realizada em Setúbal onde foi aprovada a moção que transcrevemos:

EM DEFESA DO SERVIÇO PÚBLICO DE GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS NA PENÍNSULA DE SETÚBAL

Considerando que em 4 de Março de 1997 foi criada a AMARSUL, SA, empresa de capitais exclusivamente
públicos, detidos em 51% pelo Estado português, através da EGF – Empresa Geral de Fomento, e em 49% pelos
nove Municípios da Península de Setúbal, com um contrato de concessão para a valorização e tratamento de
resíduos sólidos urbanos até 2022 (25 anos).

Considerando que até ao momento da privatização os acionistas da AMARSUL privilegiaram a opção de aplicar os
Resultados Líquidos dos Exercícios, os dividendos da AMARSUL, no investimento na modernização da empresa,
garantindo melhores níveis de eficiência e melhores condições de trabalho, evitando que as tarifas pagas pelos
Municípios aumentassem criando mais dificuldades e constrangimentos aos munícipes da Península de Setúbal;

Considerando que a partir da privatização da EGF, em 2014, ganha pela Mota-Engil, a AMARSUL passou a ser
gerida não como um serviço público, mas como um negócio que visa em primeiro lugar o lucro;

Considerando que, em 29 de Março de 2016, o Conselho de Administração da AMARSUL decidiu a distribuição de
dividendos pelos acionistas, no valor de € 1.033.254,15, tendo os administradores indicados pelos municípios
votado contra;

Considerando que, em 19 de Maio, os administradores indicados pela Mota-Engil propuseram e aprovaram, mais
uma vez com os votos contra dos administradores indicados pelos municípios, a distribuição do montante global
acumulado de € 5.071.910;

Os participantes nesta ação de protesto, realizada em Setúbal, no dia 8 de Julho de 2016, decidem:

1. Repudiar a decisão de distribuição de dividendos, defendendo que estes devem ser reinvestidos na empresa, na
melhoria dos serviços e das condições de trabalho, contribuindo para que o valor da tarifa não seja agravado;

2. Rejeitar aumentos da tarifa que visem pura e simplesmente aumentar os lucros do acionista privado;

3. Manifestar o seu apoio aos trabalhadores da AMARSUL em defesa da empresa, dos seus direitos e condições de
trabalho;

4. Continuar a desenvolver ações tendentes à reversão da privatização da EGF, defendendo o serviço público de
gestão de resíduos e a AMARSUL ao serviço das populações e da melhoria do ambiente na Península de Setúbal.

Setúbal, 8 de Julho de 2016

Foto - NC

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