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Almada - Um homem chamado Romeu CorreiaExposição comemorativa do centenário (1917-2017)

Para assinalar o centenário do nascimento de Romeu Correia, a Câmara Municipal de Almada inaugura no dia 8 de abril, às 16 horas, no Museu da Cidade (Cova da Piedade), a exposição Um homem chamado Romeu Correia, celebrando e divulgando a sua obra como escritor, desportista, cidadão, cinéfilo e dramaturgo.

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Almada - Um homem chamado Romeu Correia Exposição comemorativa do centenário (1917-2017)

Por Jornal Rostos

Na exposição, objetos quotidianos, livros, excertos da obra, heróis e personagens, documentos, testemunhos apresentam-nos, num registo poético e intimista, um homem que cresceu, viveu, trabalhou e sonhou em Almada, contando-nos não “a História” de Romeu Correia, mas as suas “histórias” que, evocando outras, constroem a memória da cidade, das suas gentes, do Tejo, do país ao longo de quase todo o século XX.
Exposição concebida como um espetáculo

A encenação de objetos, documentos, imagens e citações presentes nesta exposição evocam paisagens, quotidianos,
espaços de trabalho, o movimento associativo, a prática desportiva, a festa, a resistência e o ativismo cívico.
O design da exposição é da autoria do cenógrafo José Manuel Castanheira, sublinhando a importância da experiência do teatro na obra de Romeu e da cenografia como contexto narrativo.

Considerado um especialista na área da Arquitetura dos Teatros e na Cenografia do Espectáculo, José Manuel Castanheira é autor de mais de 200 cenografias. Na Cenografia de Exposições ficou célebre a exposição que criou sobre As Fábulas de La Fontaine, para o Museu Gulbenkian (1996). Foi também autor do pavilhão de Portugal na Feira Internacional da Cultura e da Língua, em Paris. No âmbito da Expo’98 trabalhou nos interiores do Pavilhão de Portugal, de Siza Vieira, e concebeu O Voo das Cegonha, uma das “Máquinas de Peregrinar”.

Romeu Correia: vida e obra

Com cerca de 41 títulos publicados – contos, novelas, romance, teatro, biografias e divulgação da história local –, colaborador regular de revistas como a Vértice, jornais como a República Jornal do Comércio, Diário Popular, Jornal de Almada entre outros
A obra de Romeu Correia é indissociável do imaginário de gerações de almadenses, reconstruindo e fixando paisagens, lugares, personagens e histórias quotidianas que marcam a identidade da cidade, afirmam valores e causas comuns.

Mais de uma centena de encenações

Os seus textos para teatro tiveram pelo menos uma centena de encenações de norte a sul do país, por grupos amadores e profissionais, entre os quais o Teatro Experimental do Porto, de Cascais, a Sociedade Guilherme Cossul, Grupo de Teatral Freamundense, Teatro Desmontável Rafael de Oliveira, Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro no Teatro Nacional no Monumental e no Capitólio, Companhia Portuguesa de Comediantes, Teatro de Animação de Setúbal e Companhia de Teatro de Almada.
A sua obra foi também representada pelas coletividades do concelho de Almada como a Academia Almadense, Teatro Popular e Almada, Sociedade Filarmónica Incrível Almadense, Sociedade Recreativa União Pragalense e Grupo Desportivo e Cultural do Concelho de Almada.

Atleta e impulsionador do desporto no feminino

Grande entusiasta e divulgador do desporto, nas décadas de 1930/40 foi atleta nas modalidades de estafeta, peso, disco e dardo, começando por representar a Juventude Atlética Clube Almadense. Sagrou-se Campeão Nacional de Juniores, modalidade de peso, representando Os Belenenses, recordista de Estafeta Olímpica-Seniores, classificando-se em 2.º lugar na 1.ª Prova de Decatlo em Portugal, em representação do União Sport Clube Almadense, terminando a atividade competitiva como campeão regional e nacional de peso.
Praticou também pugilismo, participou na fundação do Almada Atlético Clube e criou, com a sua mulher Almerinda Correia, um núcleo de raparigas praticantes de atletismo, sendo também indissociável do Ginásio Clube do Sul.

Defensor de causas

Referindo-se a si próprio como resultado do movimento associativo almadense, desenvolveu uma atividade cívica constante, participou e colaborou regularmente com bibliotecas e comissões culturais das coletividades no concelho e em todo o país.
Participou no Movimento de Unidade Democrática – MUD (1945-47), sendo signatário das candidaturas da oposição democrática com a qual colaborou. Integrou por diversas vezes os órgãos sociais de diversas associações, após o 25 de Abril, participou na Frente Eleitoral Povo Unido – FEPU, sendo eleito e integrando a Assembleia Municipal de Almada.
Foi ainda um divulgador da história local e dos seus protagonistas, guiando percursos pela cidade, participando em sessões em escolas dos vários níveis de ensino, e colaborando com a Biblioteca Municipal.

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