Ballet Gulbenkian estreia duas obras de Marie Chouinard nos primeiros espectáculossob a direcção artística de Paulo Ribeiro
dirigida artisticamente por Paulo Ribeiro, o Ballet Gulbenkian estreará o 1º
Programa no próximo dia 5 de Novembro. Três obras comporão cada um dos cinco
espectáculos que se prolongarão até ao dia 8 no Grande Auditório Gulbenkian, e que
posteriormente se repetirão, ao longo do mesmo mês, no dia 15 em Montemor-o-Novo, e
nos dias 21 e 22 no Europarque.
Por Jornal Rostos
Numa temporada que vem despertando particular expectativa, por ser a primeira
dirigida artisticamente por Paulo Ribeiro, o Ballet Gulbenkian estreará o 1º
Programa no próximo dia 5 de Novembro. Três obras comporão cada um dos cinco
espectáculos que se prolongarão até ao dia 8 no Grande Auditório Gulbenkian, e que
posteriormente se repetirão, ao longo do mesmo mês, no dia 15 em Montemor-o-Novo, e
nos dias 21 e 22 no Europarque. A par da reposição de Falling Angels, de Jirí
Kylián, serão apresentados dois trabalhos de Marie Chouinard: Prélude à láprès-midi
d´un faune e A Sagração da Primavera. Esta colaboração da coreógrafa canadiana
reveste-se de maior significado por ser a primeira vez que aceita trabalhar com
bailarinos exteriores à sua própria companhia, justamente no ano em que comemora o
25º aniversário da sua carreira coreográfica.
Da vasta produção do checo Jirí Kylián, Falling Angels foi a sétima coreografia a
ser integrada no reportório do Ballet Gulbenkian, facto que teve lugar em Março
último. Criada para um grupo de oito bailarinas, Kylián coreografou-a sobre a
composição Drumming de Steve Reich. Para o coreógrafo o aspecto interessante desta
obra musical reside na evocação de sonhos, produzida pelas suas repetições e dos
padrões de mudanças e de fases. Diz: "Ela permite a nossa alma vaguear". Os impulsos
rítmicos induzem as bailarinas a produzirem movimentos mímicos e expressões faciais.
Começando por explorar o palco, palmo a palmo, primeiro agrupam-se para depois se
espalharem como gotas de chuva. Estudam a potencialidade de movimento dos seus
corpos - expandem os braços como asas, e os seus torsos ondulam como em movimentos
de breakdance, dão saltos curtos e rolam no chão como focas. Gestos expressivos
sucedem-se a movimentos grotescos, danças apaixonadamente físicas a poses em câmara
lenta. Acerca de Falling Angels, Isabelle Lanz escreve em A Garden of Dance: "é uma
peça única que se assemelha a uma variação ocidental de exercícios dinâmicos
orientais, com os quais os praticantes de yoga saúdam o sol da manhã. Um tratado
sobre dança, o qual nos revela os diferentes aspectos da arte compreendendo espaço,
dinâmica, expressão e estética angular."
Em 1987 Marie Choinard, coreografou para si própria L´Après-midi d´un faune,
utilizando então unicamente efeitos sonoros resultantes do seu próprio movimento
enquanto dançava, e por ter um sintetizador conectado a diversos pontos do seu
corpo. Em 1994 Chouinard decide retrabalhar este seu solo recorrendo agora à música
de Debussy. Inspirando-se em fotografias de Nijinsky dançando o seu Fauno, a
coreógrafa recupera a carga da sua interpretação quase mítica na história da dança,
para criar a sua versão conjugada no feminino. "Imaginei o estilo de Nijinsky. A
gestualização egipciana, os ombros virados para o público, as ancas de perfil, e o
desejo terrível de exultar a sua força numa tarde de Verão, foi o que
verdadeiramente me interessou. E acho extraordinário que uma mulher possa dançar
este papel" explica a autora.
Contrariamente a muitos coreógrafos que anteriormente trabalharam a partitura de
Stravinsky, Marie Chouinard construiu a sua Sagração em torno de solos, buscando
despertar movimentos claros e fortes na misteriosa intimidade de cada bailarino. A
dança de Marie Chouinard combina o profundo respeito pelo corpo com o desejo de
transgredir as suas possibilidades, comparável com o respeito devotado por
Stravinsky à tradição orquestral ao mesmo tempo que desejava frequentemente levá-la
mais longe. Acerca da partitura Chouinard diz "tenho a sensação de que Stravinsky
entendia o corpo verdadeiramente como eu. Existem variados planos rítmicos que se
justapõem num corpo e cada tempo não é necessariamente regular, tem sobressaltos,
suspensões, moderações e explosões." Longe de contradizer o ritmo da sua dança, a
cadência e a força da música, inspiraram e deram-lhe energia, formando o eco e
contraponto musical de uma coreografia orgânica, vigorosa e activa. "Não existe
história na minha Sagração. Para mim é como se lidasse com o último instante
imediatamente anterior ao primeiro momento de vida. O espectáculo é o desdobrar
desse momento. Sinto que antes desse momento terá existido uma extraordinária
explosão de luz, um clarão de iluminação.", diz ainda a coreógrafa canadiana.
Grande Auditório Gulbenkian, Lisboa
Quarta, 05 de Novembro às 21h00
Quinta, 06 de Novembro às 21h00
Sexta, 07 de Novembro às 21h00
Sábado, 08 de Novembro às 16h00 e 21h00
Cine-Teatro Curvo Semedo, Montemor-o-Novo
Sábado, 15 de Novembro às 21h30
Grande Auditório do Europarque, Santa Maria da Feira
Sexta, 21 de Novembro às 22h00
Sábado, 22 de Novembro às 22h00
Falling Angels
Coreografia: Jirí Kylián
Música: Steve Reich, Drumming (I Parte), 1970/1971
Figurinos: Joke Visser
Desenho de Luzes: Joop Caboort
Prélude à l´après-midi d´un faune
Coreografia: Marie Chouinard
Música: Claude Debussy, Prélude à l´après-midi d´un faune
Figurinos: Luc Courchesne, Louis Montpetit e Marie Chouinard
Desenho de Luzes: Alain Lortie
Maquilhagem: Jacques-Lee Pelletier
A Sagração da Primavera
Coreografia e Desenho de Luzes: Marie Chouinard
Música: Rober Racine, Signatures Sonores, e Igor Stravinsky, A Sagração da Primavera
Figurinos: Liz Vandal
Adereços: Zaven Paré
Maquilhagem: Jacques-Lee Pelletier













