Manisfesto - Portugal precisa dos seu BombeirosSucessivos governos seja de que partido for têm desprezado os bombeiros
. Bombeiros dos distritos de Lisboa, Santarém e Setúbal
Na reunião foi aprovado um manifesto aos Bombeiros Portugueses, cujo teor integral divulgamos.

Por Jornal Rostos
Portugal precisa dos seus bombeiros
Os bombeiros continuam a ser a classe profissional em que os portugueses mais confiam.
A razão desta confiança reside na simplicidade com que os bombeiros, em especial os das associações humanitárias, aceitam ajudar os outros e a proteger vidas e bens, na maior parte das vezes apenas com a recompensa de sentirem que são úteis e podem fazer a diferença.
Ainda que tenhamos a confiança dos portugueses, continuamos a viver numa realidade em que todos falam de bombeiros aparentando grande conhecimento das nossas virtudes e defeitos.
Todos falam, menos nós.
Temos de mudar esta situação.
Em Portugal, embora o sistema de proteção civil assente, em parte bastante significativa, nas “tropas” dos bombeiros associativos, as associações humanitárias que os suportam continuam, porém, a ser tratadas como o “parente pobre” do sistema, que tudo têm de aguentar e sem ter possibilidade de protestar.
Sucessivos governos, seja de que partido for, têm desprezado os bombeiros, conscientes da dificuldade que as associações têm tido em se unirem em torno de objetivos comuns e de ações que demonstrem a sua imprescindibilidade.
A desunião dos bombeiros em muitas matérias centrais da sua atividade determina, historicamente, o à vontade com que os governantes têm desprezado este corpo fundamental para a proteção do país.
Impõem retribuições miseráveis para os bombeiros que integram o DECIF; pagam o quilómetro dos transportes de doentes com valores que nem para sair dos quarteis com as ambulâncias são suficientes; permitem que as instituições hospitalares paguem tarde e más horas as dívidas destes transportes aos bombeiros; impõem aos bombeiros, os principais fornecedores deste serviço, os preços que querem pagar sem grande margem para negociação. Mais recentemente, permite-se até que um secretário de Estado com a tutela da Proteção Civil ofenda milhares de homens e mulheres que apenas querem ajudar os outros ao serviço dos corpos de bombeiros.
Tudo isto acontece enquanto alimentam uma superestrutura como a ANPC, que não têm “tropas”, porque quem as dirige no terreno são, de facto, os comandantes dos bombeiros, e se arrogam no direito de determinar quem comanda as estruturas distritais e nacionais de proteção civil sem que os corpos de bombeiros e as suas federações e confederação sejam, sequer, ouvidos.
A confiança que os portugueses depositam em nós como classe profissional merece mais consideração de quem nos governa.
Os problemas dos bombeiros portugueses agravaram-se, agora, de forma dramática com a constatação de que a lei de financiamento anunciada, em 2015, num congresso da Liga dos Bombeiros Portugueses, sob o olhar aprovador do atual presidente da Liga, comandante Marta Soares, como a salvação das associações humanitárias e das seus corpos de bombeiros, é, afinal, um colossal engano que apenas serve para descapitalizar ainda mais as estruturas operacionais que asseguram a maior parte das tarefas de socorro e emergência em Portugal.
Uma inaceitável situação que o atual governo teima em não resolver ignorando os alertas sobre as consequências que dela resultam e as propostas que as associações de Bombeiros fazem para a sua resolução.
Somos olhados, muitas vezes, como entidades sujeitas às mesmas regras das empresas, quando, na realidade, somos entidades sem fins lucrativos que apenas visam ajudar, desinteressadamente, os outros.
Os bombeiros portugueses têm de se unir em torno de uma plataforma de entendimento simples e percetível por todos.
Podemos discordar em muita coisa.
Temos, porém, de concordar que o atual sistema de financiamento das nossas associações de bombeiros é um colossal embuste que, ao contrário do que foi garantido, apenas agrava os nossos problemas.
Para construímos esta plataforma de entendimento precisamos, contudo, de protagonistas à altura do desafio.
A atual direção da Liga dos Bombeiros Portugueses, presidida pelo Comandante Marta Soares, não é, seguramente, esse protagonista.
A direção da LBP, presa ao compromisso que assumiu quando apoiou esta lei de financiamento, apenas é capaz de liderar processos de contestação episódicos motivados por declarações infelizes de secretários de estado.
É imperioso que recordemos, uma vez mais, que foi esta direção da LBP que construiu, negociou e apadrinhou esta lei de financiamento e que, perante os gravíssimos problemas que enfrentamos, preferiu promover, em 15 dias e praticamente sem discussão, uma alteração estatutária em congresso extraordinário apenas para favorecer o projeto de poder pessoal do seu atual presidente, afrontando velhos bombeiros que deram uma vida inteira a esta causa.
Mais do que discutir nomes, temos, contudo, em primeiro lugar de debater ideias e propostas e, para isso, temos mesmo de nos unir. A partir dessa discussão poderemos, com mais segurança, escolher os melhores caminhos e fortalecer as nossas posições.
Para já, o que exigimos, depositários que somos da confiança da esmagadora maioria dos portugueses, é que se proceda a uma imediata revisão da lei de financiamento que assegure que nenhuma associação humanitária de bombeiros receba menos do que recebia antes da aprovação desta legislação que apenas nos penaliza.
Exigimos que os bombeiros que aceitam integrar o DECIF sejam decentemente pagos para proteger o nosso país.
Exigimos que as nossas associações e corpos de bombeiros sejam apoiados de acordo com as suas reais necessidades, apoio que deve também ser finalmente estendido às autarquias detentoras de corpos de bombeiros.
Exigimos que seja posto fim ao congelamento das carreiras dos sapadores, o que provoca a situação insustentável de haver corpos de bombeiros profissionais sem chefias.
Exigimos que a nossa opinião seja determinante nas decisões sobre quem comanda as estruturas nacionais e distritais.
Exigimos a aprovação de um estatuto social e material do Bombeiro que contemple as reais necessidades dos homens e mulheres que se disponibilizam para estas nobres tarefas.
Exigimos a aprovação de uma lei de programação de reequipamento em matéria de viaturas e modernização e construção novos quartéis.
Exigimos o respeito que advém da confiança que os portugueses depositam em nós.
PORQUE PORTUGAL PRECISA DOS SEUS BOMBEIROS.
Sacavém, 2 de junho de 2017
Pelos presentes a Direção da A H Bombeiros Voluntários do Barreiro – CSP
O presidente da Direção AHBVBCSP
Jose Caetano













