ESCOLA CONDE FERREIRA - BARREIROApresentação do livro «CONTOS E CANTOS DO RIO E DO MAR»

Por Jornal Rostos
CONTOS E CANTOS DO RIO E DO MAR”
Apresentação do livro no Barreiro
SÁBADO, 15/12/2018 – 15.30 H
ESCOLA CONDE FERREIRA – Rua Conselheiro Aguiar, 309
PREÂMBULO
Para assinalar este evento, que aqui se dá a conhecer, conto-vos uma história que não está neste livro. Talvez venha no próximo: “CONTOS E CANTOS DA FÁBRICA E DA TERRA”.
A curiosidade é passar-se na Escola Conde Ferreira, por isso também a opção pelo local de apresentação, cordialmente posto à disposição pela associação que gere o espaço.
Poderíamos começar por: ”Há muitos, muitos anos…”
“ARMADILHAS PARA OS PÁSSAROS”
- Que algazarra é essa aí ao fundo?
- O Armindo tem aqui armadilhas para os pássaros…
- Armadilhas para pássaros? Que vem a ser isso? Entreguem-mas já!
Não lhe restavam muitas hipóteses. Seria castigado em qualquer delas, e as reguadas do senhor Fernandes eram bem dolorosas.
Sabia-o por experiência própria, mitigada todavia por fazer parte dos “pé descalço” e estar, como era “norma didáctica” na época, relegado para o fundo da sala. O professor não lhes dava muita atenção, se quisessem seguiam a aula, dedicada sobretudo aos meninos das primeiras filas, de “pé calçado” já se vê. Não podiam era fazer barulho.
*
Ponderou a situação enquanto o professor se levantava devagar. Ficar sem as suas “ratoeiras” que o pai lhe fizera num raro momento de carinho, isso nunca!
Não que tivessem muito préstimo, concretamente nunca as tinha utilizado para apanhar pássaros. Gostava de ver as aves em liberdade, saltando de ramo em ramo, cantarolando num piar alegre naqueles dias de Primavera risonha.
Aquelas molas de arame rijo eram o seu melhor brinquedo, o seu único brinquedo. Com elas Armindo entretinha-se às tardes na praia, imaginando mil aventuras em que capturava grandes feras nas suas armadilhas de aço. Os animais selvagens, corajosos e nobres, eram a sua predileção nos livros da 4ª classe, no geral tão pouco interessantes!
Avaliou a situação rapidamente. A janela que dava para a Rua da Praia, a sua linda praia da Bela Vista, estava aberta e o parapeito não tinha mais de metro e meio até ao solo em terra batida. O professor da 4ª classe da Escola Conde Ferreira, aproximava-se com um ar furibundo para executar a ordem não atendida.
Na mão, bem seguras estavam as “ratoeiras” que o Toninho invejoso denunciara. Do caderno e do livro depois logo se veria. Eram enfadonhos, desinteressantes, como a escola que discriminava os pobres. Uma corrida rápida, um salto… e adeus Escola “Reis”, nunca mais lá pôs os pés!













