CARTA ABERTA - Aos eleitos da Assembleia Municipal do BarreiroNão à construção de prédios na Quinta do Braamcamp
Defendamos a frente ribeirinha do Barreiro!
Independentemente das contrapartidas que possam ser exigidas ao investidor, no sentido de que algum espaço seja reservado ao usufruto público, o que está em causa é a edificação de prédios em zona muito próxima do rio

Por Jornal Rostos
CARTA ABERTA
Aos eleitos da Assembleia Municipal do Barreiro
Não à construção de prédios na Quinta do Braamcamp
Defendamos a frente ribeirinha do Barreiro!
1. Tem o executivo camarário o propósito da venda da Quinta do Braamcamp a um promotor privado e a construção de prédios de habitação em zona de frente ribeirinha;
2. Independentemente das contrapartidas que possam ser exigidas ao investidor, no sentido de que algum espaço seja reservado ao usufruto público, o que está em causa é a edificação de prédios em zona muito próxima do rio, sujeita a alagamento devido à previsível subida das marés, em consequência das alterações climáticas que todos podemos constatar. Trata-se de um problema que já ninguém pode ignorar e que tem sido assumido pelo próprio secretário-geral da ONU António Guterres, que não se cansa de lançar alertas quanto ao atual estado de emergência climática no mundo;
3. Existem no Barreiro 6400 fogos devolutos e vários lotes urbanizáveis a necessitar da atenção prioritária do executivo. Por isso não vemos motivo para ocupar um terreno natural e arborizado com mais habitação. Além de que é expectável que a construção de prédios na Quinta requeira tais condições de investimento que os mesmos só possam ser vendidos a preços proibitivos, inacessíveis à maioria dos cidadãos barreirenses;
4. Pela nossa parte pensamos que existem soluções alternativas para o território da Braamcamp, aliás já experimentadas noutros municípios da Margem Sul: por exemplo no Seixal e na Baixa da Banheira, onde os municípios construíram parques ribeirinhos de grande qualidade, com investimento público e sem necessidade de recurso à especulação imobiliária para a melhoria dos espaços;
5. A Quinta do Braamcamp está integrada no conjunto Braamcamp/Alburrica e todo este território foi classificado como Sítio de Interesse Municipal. A ser recuperado numa lógica de defesa do ambiente, da paisagem e do património só valorizará a frente ribeirinha da nossa cidade. Construir prédios e parques de estacionamento naquele território irá inevitavelmente desnaturalizar e sobrecarregar toda a zona e comprometer tudo o que ali se possa fazer no futuro, inclusive um corredor verde até ao sapal de Coina, como é o sonho de muitos barreirenses;
6. Dirigimo-nos a todos os eleitos da cidade: qualquer que seja a solução para a Braamcamp, ela não pode passar pela construção de prédios naquele território. Solicitamo-vos que não aprovem nenhum projeto de construção imobiliária na Quinta, sob pena de vermos comprometidos futuros planos de renaturalização e recuperação patrimonial do território: planos estes que estiveram na base da decisão dos anteriores eleitos para a aquisição da Quinta, quando aprovaram que a compra da Braamcamp pelo município se destinava a «retirá-la do mercado imobiliário», para permitir que «os 21 hectares da frente de rio fossem abertos à fruição da comunidade» (proposta de 04/11/2015, aprovada por unanimidade de todos os partidos da vereação).
Solicitamo-vos que respeitem este claro mandato e mantenham a decisão de em nenhum caso repor a Quinta do Braamcamp no mercado imobiliário.
Os abaixo assinados:
Alexandre Teixeira, jurista
Aline Correia, empresária
Ana Fraga, técnica de segurança no trabalho
Ana Marques, profissional de seguros
Ana Marta Alves, engenheira agrónoma
Ana Paula Amaral, professora e dirigente associativa
André Carapinha, cooperativista
André Carmo, geógrafo, professor universitário e dirigente sindical
António Miguel Amaral, professor universitário
António Quintal, preparador
Armando Teixeira, engenheiro químico e escritor
Asil Gomes, especialista de marketing digital
Augusto Coelho, técnico comercial
Augusto Sousa, psicólogo e cooperativista
Bruno Afonso, músico
Bruno Catarino, geólogo
Camila Vale, artista
Carla Marina Santos, professora e dirigente associativa
Carlos da Palma, biólogo
Diana Meira, psicóloga clínica
Dina Gomes, técnica de análises clínicas e saúde pública
Emanuel Martins, engenheiro electrotécnico
Ernesto Vitali, músico
Fernando Ramalho, músico e livreiro
Helder Menor, consultor
Inês Jacques, bailarina
Jéssica Pereira, bolseira de investigação
Joana Carneiro, designer
João Custódio, músico
João Jesus, engenheiro civil
João Medina, técnico de som
João Miguel Santos, radialista
João Neves, jurista
João Nunes, técnico comercial
Joaquim Nogueira, professor
José António Dias, professor
José Encarnação, maquinista e dirigente associativo
José Feliciano Costa, professor e dirigente sindical
Lilia Evans, enfermeira e dirigente sindical
Luis Nascimento, jornalista
Manuel Fernandes, consultor de telecomunicações
Maria Jorgete Teixeira, professora e activista
Maria Leonor Rolo Duarte, activista
Nelson Sítima, instrumentista
Octávio Rodrigues, professor e músico
Paula Brito, investigadora científica
Paula Silva, bancária e cooperativista
Pedro Esteves, assistemte de gestão e músico
Pedro Gomes, fotógrafo
Ricardo Teixeira, professor universitário e analista financeiro
Rocha de Matos, técnico de segurança, higiene e saúde no trabalho
Rosalina Carmona, historiadora
Sandra Machado, enfermeira
Susana Almeida, empresária
Tiago Sousa, músico
Valu, músico
Vitália Ribeiro, professora
Vitor Guerreiro, investigador
Vitor Manuel Amorim, empresário













