Hospital Garcia de Orta em AlmadaCria Centro de Responsabilidade Integrada para aumentar respostas de Dermatologia

Por Jornal Rostos
O Serviço de Dermatovenereologia (SD) do Hospital Garcia de Orta (HGO), em Almada, constitui-se como o primeiro Centro de Responsabilidade Integrada do país na área da Dermatologia.
Para os Utentes, significa que o Serviço vai aumentar a sua capacidade de resposta, através da realização de um maior número de consultas e cirurgias, bem como da diferenciação de tratamentos no SNS.
«O HGO tem vindo a desenvolver um trabalho, no sentido de melhorar o acesso dos utentes aos cuidados de saúde e, por esta razão, a constituição do CRI de Dermatologia assume grande importância, permitindo que os nossos doentes realizem os tratamentos de que necessitam no nosso hospital, sem necessidade de se deslocarem a outras unidades de saúde do Serviço Nacional de Saúde», afirma Luís Amaro, presidente do Conselho de Administração do HGO.
«Com este novo CRI, o HGO dará uma resposta mais adequada e diferenciada aos utentes com patologia dermatológica, inflamatória e oncológica», afirma João Alves, Diretor do Serviço de Dermatologia e do CRI do HGO.
«A curto prazo, vamos consolidar as áreas de diferenciação como a Dermatologia e Cirurgia Oncológica, Alergologia Cutânea, Infeções Sexualmente Transmissíveis e Dermatologia genital, aumentar e melhorar a resposta na Fotodermatologia e Dermatoscopia Digital», acrescenta o clínico.
Por outro lado, João Alves sublinha que o CRI tem ainda como objetivos: «criar mais consultas especializadas e multidisciplinares, bem como implementar a Cirurgia Micrográfica de Mohs no Hospital.» «A curto-médio prazo, com o aumento estimado dos Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica (MCDT) dermatológicos, criamos também condições para a implementação de protocolos de referenciação com outras instituições, dando oportunidade a doentes oriundos de outras áreas geográficas de terem acesso a MCDT diferenciados, como a Dermatoscopia Digital (para mapear e vigiar “sinais”), Terapia Fotodinâmica (tratamento de determinados cancros cutâneos), provas epicutâneas (provas de “alergias”), cirurgia micrográfica de Mohs (técnica para tratamento de alguns cancros cutâneos avançados e recidivados), entre outras», conclui João Alves.
O Serviço de Dermatologia do HGO realiza anualmente cerca de 11.500 consultas e quatro mil cirurgias e meios complementares de diagnóstico.
O trabalho desenvolvido pelo SD do HGO na promoção do acesso dos Utentes permitiu reduzir a lista de espera global de 6.200 doentes, no início de 2020, para 500 doentes, em 2021. Também a lista de espera para primeira consulta de Dermatologia diminuiu de 7 mil consultas, em meados de 2019, para 281, atualmente.
A constituição do CRI, em termos de instrumento de inovação na gestão, «enquadra-se numa estratégia de melhoria do acesso que tem vindo a ser prosseguida desde 2019, na área acesso à primeira consulta, mas também na área cirúrgica, dos Meios
Complementares de Diagnóstico e Terapêutica e cuidados de Saúde Mental», sublinha Sofia Ferreira, Vogal do Conselho de Administração e responsável pela área do Acesso.
As principais patologias observadas no SD do HGO são os nevos melanocíticos (sinais), outras lesões benignas como queratoses seborreicas e fibromas, lesões pré-malignas (queratoses actínicas, por exemplo), cancro cutâneo (melanoma maligno, carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular), patologias inflamatórias como acne, rosácea, psoríase, eczemas, toxidermias (reações adversas a fármacos), doenças autoimunes, infeções cutâneas como erisipela, impetigo, entre muitas outras.
O CRI de Dermatologia do HGO será dirigido por uma Comissão de Gestão, composta pelo Diretor de Serviço, Administradora Hospitalar e Enfermeira Coordenadora. O Serviço de Dermatologia do Hospital Garcia de Orta conta com uma equipa multidisciplinar, diferenciada e coesa.
O que é um Centro de Responsabilidade Integrada?
De acordo com a legislação que regulamenta os CRI - Decreto-Lei nº18/2017, de 10 de fevereiro e Portaria nº330/2017, de 31 de outubro, atualizada pela Portaria nº71/2018, de 8 de março, um Centro de Responsabilidade Integrada é uma estrutura orgânica de gestão intermédia dependente do Conselho de Administração que visa potenciar os resultados da prestação de cuidados de saúde, aumentando a acessibilidade dos utentes, qualidade dos serviços prestados, aumentando a produtividade dos recursos, contribuindo, para uma maior eficácia e eficiência, através de formas de organização flexíveis, orientada para dar respostas céleres e de qualidade às necessidades dos utentes.
Nos termos previstos na legislação, o CRI estabelece com o Conselho de Administração um processo de contratualização interna, através do qual negoceia o seu compromisso de desempenho assistencial e económico-financeiro para um período de três anos.
Os CRI são constituídos por equipas multidisciplinares que voluntariamente aderem a este modelo de organização orientado por objetivos negociados, transparência de processos, responsabilização das partes por um projeto comum, que reconhece e premeia o desempenho coletivo e individual.
Estas estruturas de gestão intermédia são dotadas dos recursos materiais necessários ao exercício da sua atividade, respondendo pelo respetivo controlo da utilização e prestando contas no que respeita aos resultados assistenciais alcançados e aos custos e aos proveitos associados, sendo estes últimos valorizados em função de tabelas de preço aprovadas para os vários serviços contratados.
A legislação prevê incentivos para a instituição hospitalar e para o Serviço em que o CRI é constituído, cuja afetação/aquisição de recursos físicos, materiais e financeiros ao CRI está relacionada/avaliada de acordo com os incentivos/penalidades, definidos em contrato-programa, e em função do desempenho. É possível a atribuição de incentivos aos profissionais, mediante a realização e pagamento de produção adicional interna com vista à melhoria do Acesso, a formação profissional, ou outros, num contexto da sua avaliação de desempenho.
Sobre o Serviço de Dermatologia do HGO
O Serviço conta com um total de 11 médicos, 4 enfermeiras, 2 assistentes operacionais e 2 assistentes técnicas. Todos os profissionais do Serviço aderiram voluntariamente ao Centro de Responsabilidade Integrada. Da Comissão de Gestão do CRI fazem parte João Alves (também Diretor do Serviço de Dermatologia), Margarida Bentes de Oliveira (Administradora Hospitalar) e Ana Rita Nóbrega (Enfermeira Coordenadora).
João Alves está no Hospital Garcia de Orta desde 2010, tendo assumido a direção do Serviço de Dermatovenereologia do Hospital Garcia de Orta, E.P.E. a 17 de janeiro de 2020. Membro da direção do GEIDST (Grupo para o Estudo e Investigação das Doenças Sexualmente Transmissíveis) – secção especializada da SPDV (Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia). Desde novembro de 2019, integra a Task-force para as Infeções Sexualmente Transmissíveis (IST), da Direção Geral de Saúde (DGS) como membro do Grupo permanente para as IST, com o objetivo de desenvolver um Plano Estratégico Nacional para as IST e ainda um Plano Operacional para Prevenção e Controlo das IST 2019-2021, de acordo com despacho n.º 019/2019 de 13/11/2019.Membro da Direção do Colégio da Especialidade de Dermatovenereologia da Ordem dos Médicos.
Foi orientador de formação de Interno de Formação Específica em Dermatovenereologia. Dá ainda apoio na formação dos restantes Internos a realizar estágios no Serviço de Dermatovenereologia e Consulta de DST do Centro de Saúde da Lapa. É autor e coautor de dezenas de artigos científicos, comunicações orais e pósteres.













