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Moldura

Palmela - Bispo de Setúbal, D. Américo Aguiar na Festa das VindimasPede que todos os trabalhadores se sintam “retribuídos” do seu trabalho

O bispo de Setúbal, Cardeal D. Américo Aguiar, esteve hoje na bênção do mosto e presidiu à eucaristia da Festa das Vindimas em Palmela, tradição da vila desde 1963, quando os viticultores ofereceram pela primeira vez o primeiro mosto, feito a partir das uvas que se começavam a vindimar, para a Igreja, que o usa no seu vinho de missa.

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Palmela - Bispo de Setúbal, D. Américo Aguiar na Festa das Vindimas Pede que todos os trabalhadores se sintam “retribuídos” do seu trabalho

Por Jornal Rostos

A manhã teve início no largo da igreja de S. Pedro, onde o cortejo de crianças, jovens e adultos chegou com as uvas e os homens já esperavam, de pés descalços, para começar a pisa da uva. Depois de pisada, o mosto foi avaliado pelo grão-mestre Filipe Cardoso que determinou um grau de álcool de 12,8%, o que, nas suas palavras, indicam “um bom ano para o vinho”.

Depois de colocados em pequenos barris, o mosto foi trazido à porta da igreja, onde D. Américo Aguiar procedeu à bênção do mosto, agradecendo o trabalho de todos os envolvidos.

Depois da bênção, o povo entrou para a igreja e o bispo de Setúbal presidiu à eucaristia. Na homilia, o Cardeal D. Américo Aguiar refletiu sobre as provações do povo que depende da agricultura e da pecuária para sobreviver, e pediu que, no final da vindima, “todos os que estão envolvidos se sintam retribuídos”. “Que quem trabalhou a terra se sinta retribuído pelo seu trabalho. Que quem agora vai encher garrafas e pôr rótulos e pôr rolhas, se sinta retribuído pelo seu trabalho. Que aqueles que vão transportar as caixas e as pipas e mais não sei o quê, pelo país, pela Europa e pelo mundo, se sintam retribuídos pelo seu trabalho”, pediu D. Américo Aguiar, que acrescentou que “é um sentimento de injustiça quando eu abro uma garrafa num restaurante e pago, e digo assim, «epá, então isto custou seis cêntimos nas uvas e chegou aqui e custa dezenas ou centenas de euros? O que é que se passou? Foi o tempo», lamenta.

D. Américo Aguiar refletiu sobre a importância do tempo, que “nos esmaga” com a sua passagem. “A Sagrada Escritura diz-nos hoje para ouvirmos, pensarmos, meditarmos e depois agirmos” e o prelado avisa que “nem sempre é fácil fazê-lo nos dias de hoje”. “Quem vive no mundo da agricultura, da pecuária e da natureza sabe muito bem que o tempo é preciso. É preciso tempo para crescer. Para acontecer. Para tomar estatura, sabedoria e graça”, referiu.

Por isso, o cardeal defendeu ser importante “não entender o tempo como um inimigo, mas sermos capazes de domesticar o tempo”. “Porque se nós não fizermos nada, o tempo ganha, e esmaga-nos”, concluiu.

A Festa das Vindimas em Palmela teve início no dia 29 de agosto e termina dia 3 de setembro.

Fonte Diocese de Setúbal

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