ALMADA- Cardeal D. Américo Aguiar, bispo de SetúbalPortagem na Ponte 25 de Abril não é respeitadora da igualdade dos cidadãos no nosso território.

Por Jornal Rostos
O Bispo de Setúbal pediu que fosse encontrada uma solução que permitisse aos habitantes da Margem Sul conseguir chegar à capital sem terem de pagar para isso, já que, neste momento, isso é impossível de acontecer, pelo menos de forma direta.
Durante o seu discurso de agradecimento pela distinção, entregue pela presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, D. Américo Aguiar não poupou nas críticas ao sistema de portagens. “Eu sou do Porto e portanto acho muito estranho que, passados mais de 60 anos, quem mora na Margem Sul tenha que pagar para ir à outra margem”, declarou o bispo. “Não vejo cidadãos de outra região do país que tenham que pagar para entrar na capital. Não vejo, não conheço. Somos os únicos.”
O Cardeal sublinhou que considera a situação uma questão de constitucionalidade: “Acho que deve ser inconstitucional no mínimo porque não vejo cidadãos de outra região do país que tenham que pagar para entrar na capital.”
D. Américo Aguiar alertou para o crescente peso das portagens no orçamento familiar, numa altura em que “30 dias ou 30 passagens ou 40 passagens na ponte para ir trabalhar, para ir estudar, para ir ao médico” representam um encargo cada vez maior. “Tem cada vez mais peso no rendimento e no orçamento das famílias”, vincou o prelado, argumentando que “está em causa a coesão territorial” e “a coesão social”.
O bispo recordou ainda que “consta que nos anos 60, no outro regime, estava previsto acabarem as portagens nos anos 80”, sublinhando décadas de promessas não cumpridas. “Sei que hoje há 31 anos a Ponte 25 de Abril estava bloqueada, lembram-se, mas o problema mantém-se”, referiu, fazendo alusão ao histórico protesto de 1994 que marcou a luta das populações da margem sul.
No final da sua intervenção, D. Américo Aguiar lançou um apelo para que “seja feita alguma coisa para que, pelo menos na Ponte 25 de Abril, um dia destes tenhamos a feliz notícia de que para os residentes na Península de Setúbal se encontra uma forma de os aliviar de uma portagem que não é respeitadora da igualdade dos cidadãos no nosso território”.













