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Moldura

Cardeal D. Américo Aguiar, Bispo de SetúbalÉ hora de renovar, de escutar, de chamar e envolver todos.

«Esta diocese foi gerada em tempos difíceis, num país a mudar, numa sociedade cheia de esperança mas também a viver as dores que as transformações provocam. Aqui, a Igreja quis estar sempre ao lado das pessoas, sobretudo dos mais frágeis, dos que vivem à margem, dos que muitas vezes não têm voz nem vez.», sublinha D. Américo Aguiar, Bispo de Setúbal, na mensagem que assinala o Cinquentenário da Diocese de Setúbal.

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Cardeal D. Américo Aguiar, Bispo de Setúbal É hora de renovar, de escutar, de chamar e envolver todos.

Por Jornal Rostos

Mensagem de Cardeal D. Américo Aguiar, Bispo de Setúbal, para o Cinquentenário da Diocese
50 anos da Diocese de Setúbal
16 de julho de 2025

Saudações fraternas a todos, todos, todos.
Celebramos hoje 50 anos de vida da nossa amada Diocese de Setúbal.

Foi a 16 de julho de 1975 que o Papa São Paulo VI, com o coração voltado para esta terra generosa e lutadora, decidiu criar esta nova diocese, num gesto profético, corajoso e cheio de confiança no povo que aqui vive.

Hoje é dia de festa, de gratidão e de compromisso.

Agradecemos a Deus por tudo o que fomos vivendo: pelas comunidades que nasceram, pelas vocações que floresceram, pelos pastores que nos guiaram — D. Manuel Martins, D. Gilberto Reis e D. José Ornelas — e por tantos homens e mulheres, de todas as idades, que deram a vida por esta Igreja local, na simplicidade do dia a dia, nas dificuldades e nas alegrias.

Esta diocese foi gerada em tempos difíceis, num país a mudar, numa sociedade cheia de esperança mas também a viver as dores que as transformações provocam. Aqui, a Igreja quis estar sempre ao lado das pessoas, sobretudo dos mais frágeis, dos que vivem à margem, dos que muitas vezes não têm voz nem vez.

Inspirados pela Constituição Gaudium et Spes, que nos recorda que “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo” (GS, 1) queremos reafirmar o nosso compromisso de sermos uma Igreja aberta ao mundo, solidária com os mais frágeis e promotora da justiça, da dignidade humana e da paz.

Como dizia o Papa São Paulo VI na Evangelii Nuntiandi, “o homem moderno escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres… e se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas” (EN, 41). A nossa diocese tem sido casa de testemunhas. Queremos continuar a ser esta Gente que, com a vida, fala de Deus.

Mas 50 anos são bem mais do que memórias. São ponto de partida. Como nos lembra o Papa Francisco, “a pastoral em chave missionária exige abandonar o cómodo critério pastoral do “sempre se fez assim” (Evangelii Gaudium, 33). É hora de renovar, de escutar, de chamar e envolver todos. É hora de sonhar em conjunto.

A sinodalidade — esse “caminhar juntos” — é o que queremos viver. Porque só juntos é que somos Igreja. Ninguém pode ficar de fora. Porque todos contam, todos fazem falta. Jovens, idosos, crianças, famílias, quem tem Fé e quem não tem. Quem está perdido e quem procura um sentido para a vida. Todos têm lugar na barca da Diocese de Setúbal.

Quero dizer-vos uma vez mais e com toda a confiança que a nossa Mãe, Maria, Mater Spei, a Mãe da Esperança, está connosco. Como em Caná, Maria continua a pedir-nos: “Fazei o que Ele vos disser”. E Jesus continua a dizer-nos: amai-vos uns aos outros, ide ao encontro dos outros, perdoai, perdoai sem fazer contas, construí pontes sem desistir, vivei em paz uns com os outros.

Hoje, neste dia de festa, de alegria e de Esperança, queremos renovar o nosso compromisso eclesial e missionário:
• de sermos uma Igreja próxima, que caminha com todos, especialmente com os que mais sofrem;
• de continuarmos a formar comunidades evangelizadoras, abertas, acolhedoras e comprometidas;
• de levarmos o Evangelho aos mais diversos âmbitos da vida social, cultural e económica da nossa região.

Setúbal tem futuro e é uma terra de Fé. E a nossa Fé enraíza-se na Esperança que não engana, a que nos anuncia Cristo vivo, Senhor da história e da vida.
Celebrar 50 anos é um dom, é uma missão a continuar.

Com gratidão, peço ao Senhor que nos fortaleça neste caminho e vos abençoe a todos: às famílias, alicerce da nossa terra, aos jovens, presente e futuro da nossa terra, aos idosos a quem tudo devemos, aos trabalhadores, garante da vida dos seus, aos doentes que esperam pelas nossas orações, aos desempregados, para que não percam a esperança, aos migrantes que procuram uma vida mais digna, a todas as comunidades e instituições desta nossa terra.

Caminhemos juntos, sustentados pela Fé dos que nos precederam e animados pela esperança do Reino que vem. Peregrinos de Esperança continuemos o caminho em que nos lançou São Paulo VI, acompanhados pelo Beato João Paulo I, São João Paulo II, Bento XVI, Francisco e agora, pelo nosso Papa Leão XIV. Rezemos com eles e por eles.

Contem com o vosso Bispo para caminhar convosco. Com humildade, alegria e coração aberto. E rezem por mim, para que eu seja sempre o servo fiel de todos vós.
Com amizade, um santo orgulho em ser sadino convosco e a bênção de Deus,

+ Cardeal Américo, Bispo de Setúbal

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